{"id":12712,"date":"2014-02-13T00:00:00","date_gmt":"2014-02-13T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:16:30","modified_gmt":"2017-09-15T19:16:30","slug":"a-melhor-feijoada-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-melhor-feijoada-do-mundo\/","title":{"rendered":"A melhor feijoada do mundo"},"content":{"rendered":"<p>O Maur\u00edcio chegou logo cedo \u00e0 Velha Reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janel\u00f5es para a rua Bom Pastor. Estava acompanhado do vereador Almir Guimar\u00e3es e trazia um convite irrecus\u00e1vel para aquela manh\u00e3 de s\u00e1bado.<\/p>\n<p>&#8211; Querem comer a melhor feijoada do mundo?<\/p>\n<p>Um olhou pro outro, o outro olhou pro um \u2013 e decidimos no palitinho quem ia e quem ficava de plant\u00e3o para tocar o dia-a-dia do jornal. T\u00ednhamos uma edi\u00e7\u00e3o semanal que circulava \u00e0s sextas. Salvo exce\u00e7\u00e3o, s\u00e1bado n\u00e3o era um dia t\u00e3o agitado assim.<\/p>\n<p>O pessoal todo comparecia mais para \u2018provocar\u2019 programinhas como este que se apresentava.<\/p>\n<p>Partimos em dois carros.<\/p>\n<p>O Almir, o Maur\u00edcio e o Escova em um. O Made, o Nasci e eu em outro.<\/p>\n<p>Para lugar incerto e n\u00e3o sabido, como de costume.<\/p>\n<p>S\u00f3 o Maur\u00edcio sabia o destino final.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>A primeira parada foi num boteco na pr\u00f3pria Bom Pastor: Batidas do Martins. O Nasci achou que aquela de amendoim \u201cestava um tanto enjoativa\u201d. \u201cA cerveja estava quente\u201d, acrescentou o Made. \u201cE zero de mulher\u201d, finalizou o Escova.<\/p>\n<p>Escova que, diga-se, estava vivendo um novo e secreto amor. <\/p>\n<p>Acabara de conhecer a mulher da sua vida.<\/p>\n<p>\u201cA d\u00e9cima cent\u00e9sima primeira, s\u00f3 naquele ano\u201d, fiz quest\u00e3o de ressaltar.<\/p>\n<p>E o inverno n\u00e3o havia chegado, registre-se tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Duas ou tr\u00eas paradas para nos reabastecer, enfrent\u00e1vamos a via Anchieta rumo ao desconhecido. <\/p>\n<p>Algu\u00e9m apostou que o Maur\u00edcio estava nos levando para um restaurante no Litoral. <\/p>\n<p>Consideramos a hip\u00f3tese, mas quer\u00edamos mesmo descobrir quem era o novo caso do Escova, se era do jornal ou n\u00e3o, se era conhecida do peda\u00e7o, casada, solteira<br \/>\nou vamos-que-vamos.<\/p>\n<p>O Nasci chegou a cogitar \u2013 com algum fundamento \u2013 que est\u00e1vamos com \u2018uma saud\u00e1vel invejinha\u2019.<\/p>\n<p>O Maur\u00edcio era o \u00fanico que n\u00e3o dava pitaco na hist\u00f3ria. Apenas ria das nossas conversas, al\u00e9m de, em tempos em tempos, lembrar do objetivo daquela jornada.<\/p>\n<p>&#8212; Voc\u00eas v\u00e3o comer a melhor feijoada do mundo. <\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>J\u00e1 and\u00e1vamos desconfiados do jeit\u00e3o maroto com que o amigo repetia a frase em todas as paradas et\u00edlicas obrigat\u00f3rias. <\/p>\n<p>A coisa piorou quando o Maur\u00edcio, dirigindo o carro da frente, saiu da Anchieta para o trevo que d\u00e1 acesso \u00e0 Estrada Velha de Santos (aquela mesmo que deu origem \u00e0 m\u00fasica do Roberto).<\/p>\n<p>Mas, o que ser\u00e1 que se passava na cabe\u00e7a do mo\u00e7o? <\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Da estrada vicinal para embicarmos em um atalho de terra, foi coisa de meia hora, se tanto. Dali para outro, e depois outro e mais outro, tamb\u00e9m n\u00e3o levou uma hora redonda, tempo suficiente para nos imaginarmos (exce\u00e7\u00e3o do Maur\u00edcio, claro) definitivamente longe do mundo e da civiliza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Etapa seguinte foi embicarmos em uma ponte estreita que mal cabiam nossos ve\u00edculos \u2013 e finalmente desembarcamos nos arredores de Esta\u00e7\u00e3o da Eletropaulo, em um modesto s\u00edtio, perdido nos arredores da represa Billings.<\/p>\n<p>Um espet\u00e1culo o lugar.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>L\u00e1 um simp\u00e1tico casal, de certa idade, j\u00e1 nos aguardava. Sorriso nos l\u00e1bios, caldeir\u00f5es fumegantes, bebidinhas e a melhor feijoada do mundo.<\/p>\n<p>Dona Sandra fez as honras da casa, ao lado do marid\u00e3o, o seo Ant\u00f4nio:<\/p>\n<p>&#8211; Amigos do seo Maur\u00edcio s\u00e3o nossos amigos tamb\u00e9m. Sejam bem-vindos, e tomara fa\u00e7am gosto e proveito.<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>Fartamo-nos a valer. Sem remorsos tolos, e na dimens\u00e3o da alegria do organizador do evento.<\/p>\n<p>Quem?<\/p>\n<p>Ora, senhores, quem poderia ser? Maur\u00edcio de Castro, ex-vice prefeito e vereador de S\u00e3o Bernardo, nosso grande amigo que faleceu nesta semana.<\/p>\n<p>Saudades&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Maur\u00edcio chegou logo cedo \u00e0 Velha Reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janel\u00f5es para a rua Bom Pastor. 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