{"id":12728,"date":"2014-03-01T00:00:00","date_gmt":"2014-03-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:16:29","modified_gmt":"2017-09-15T19:16:29","slug":"bloco-na-rua","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/bloco-na-rua\/","title":{"rendered":"Bloco na rua"},"content":{"rendered":"<p>Os blocos voltaram \u00e0s ruas &#8211; e est\u00e3o fazendo renascer o carnaval de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Antenor viu a not\u00edcia na TV \u2013 e lembrou sua juventude, as marchinhas, o lan\u00e7a-perfume, os brotinhos lindos, lindos. <\/p>\n<p>Sentiu-se feliz por ter vivido aqueles dias. <\/p>\n<p>N\u00e3o havia passo-marcado, tempo de desfile, essas coisas todas que p\u00f5em a perder a espontaneidade de uma manifesta\u00e7\u00e3o t\u00e3o nossa, t\u00e3o popular.<\/p>\n<p>Tempos depois o carnaval deixou-se encaixotar nos bailes dos sal\u00f5es dos clubes e das associa\u00e7\u00f5es \u2013 e as ruas ficaram desertas, a cidade vazia.<\/p>\n<p>Por mais desinibido que fosse, Antenor n\u00e3o era da turma do samba-no-p\u00e9. Por isso nunca encarou uma escola de samba. \u2018As fantasias s\u00e3o uns trambolhos\u2019, desdenhava.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Ia e vinha nesses pensamentos quando ouviu um baticum diferente.<\/p>\n<p>O bom de morar naquela \u00e1rea de Pinheiros (que hoje chamam de Vila Madalena) era exatamente este: o de estar no meio da \u2018muvuca\u2019, como diziam os netos.<\/p>\n<p>Resolveu sair para conferir a folia dos novos tempos.<\/p>\n<p>Alegrar-se-ia um pouco ao rever o que um dia viveu.<\/p>\n<p>Quem sabe, n\u00e3o arriscasse uns passinhos?<\/p>\n<p>\u201cMam\u00e3e eu quero, Mam\u00e3e eu quero&#8230;\u201d<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Andou pouco mais de dois quarteir\u00f5es e j\u00e1 estava no olho do furac\u00e3o.<\/p>\n<p>Recostou-se \u00e0 parede de uma casa para n\u00e3o atrapalhar o fluxo da bagun\u00e7a.<\/p>\n<p>Notou que havia mais gente do que supunha. Muitos com latinhas na m\u00e3o e olhos e fala calibrad\u00edssimos. <\/p>\n<p>Essa meninada de hoje n\u00e3o perde tempo, pensou.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sentiu \u00e0 vontade no meio do empurra-empurra.<\/p>\n<p>Jogou a culpa na inexorabilidade do tempo para o seu desconforto.<\/p>\n<p>Mas, o naipe de metais da \u2018Furiosa\u2019 tamb\u00e9m n\u00e3o ajudava; estridente,  desafinado em muitos momentos.<\/p>\n<p>O repert\u00f3rio n\u00e3o era adequado. Quase n\u00e3o havia marchinhas.<\/p>\n<p>Entendeu que era melhor voltar.<\/p>\n<p>O que foi, foi \u2013 pensou resignado.<\/p>\n<p>V. <\/p>\n<p>Foi nesse momento que viu passar uma linda Colombina, como que sa\u00edda daqueles idos e vividos.<\/p>\n<p>Encantou-se.<\/p>\n<p>Se tivesse 30, 40 anos a menos, iria lhe fazer a corte.<\/p>\n<p>Diria:<\/p>\n<p>\u201cPosso acompanh\u00e1-la. Serei o seu Pierrot&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Ops.<\/p>\n<p>Uma d\u00favida.<\/p>\n<p>Pierrot ou Arlequim?<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Ficou confuso.<\/p>\n<p>Tem marchinha que diz: <\/p>\n<p>\u201cUm Pierrot apaixonado\/que vivia s\u00f3 cantando\/por causa de uma<br \/>\nColombina\/acabou chorando, acabou chorando\u201d.<\/p>\n<p>Mas, tem aquela outra, \u2018M\u00e1scara Negra\u2019:<\/p>\n<p>\u201cEu sou aquele Pierrot\/que te abra\u00e7ou\/ e te beijou, meu amor\u201d.<\/p>\n<p>Pierrot ou Arlequim?<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>Foi embora com a d\u00favida, sem saber que, especificamente para aquela Colombina, Pierrot ou Arlequim estavam fora de cogita\u00e7\u00e3o.  Todos os rodopios dela eram endere\u00e7ados a outra Colombina, de olhinhos brilhantes e receptivos, apesar da l\u00e1grima pintada no rosto.<\/p>\n<p>O tempo \u00e9 mesmo inexor\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os blocos voltaram \u00e0s ruas &#8211; e est\u00e3o fazendo renascer o carnaval de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Antenor viu a not\u00edcia na TV \u2013 e lembrou sua juventude, as marchinhas, o lan\u00e7a-perfume,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12728","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12728","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12728"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12728\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15292,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12728\/revisions\/15292"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12728"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12728"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12728"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}