{"id":12729,"date":"2014-03-02T00:00:00","date_gmt":"2014-03-02T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:16:29","modified_gmt":"2017-09-15T19:16:29","slug":"100-anos-de-caymmi","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/100-anos-de-caymmi\/","title":{"rendered":"100 anos de Caymmi"},"content":{"rendered":"<p>Para o menino Tchinim, Dorival Caymmi era uma voz no r\u00e1dio em que a m\u00e3e ouvia a novela e o pai o jogo de futebol. Entre uma novela e outra, um jogo e outro, havia os programas de m\u00fasica &#8211; eram m\u00e1gicos. Tchinim, ent\u00e3o, se divertia com a hist\u00f3ria do homem que n\u00e3o tinha \u201conde morar\u201d, por isso morava \u201cna areia\u201d. <\/p>\n<p>A ideia era \u00f3tima. <\/p>\n<p>Na imagina\u00e7\u00e3o do menino, devia ser legal pra caramba morar na praia, em frente ao mar. <\/p>\n<p>O cantor do samba tamb\u00e9m lhe parecia um bom sujeito. Dedicado que s\u00f3. Imagina! Na mesma  can\u00e7\u00e3o, confessava humildemente que Maria (devia ser a namorada), morava \u201ccom as outras\u201d e quem pagava o quarto era ele.<\/p>\n<p>Bom sujeito, esse tal de Caymmi.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Mais crescidinho, Tchinim aprendeu a letra de \u201cMaracangalha\u201d e gostava especialmente daquela parte que falava do \u201cuniforme branco\u201d e do \u201cchap\u00e9u de palha\u201d.<\/p>\n<p>O menino queria ser marinheiro \u2013 mesmo sem saber nadar, o que, ali\u00e1s, n\u00e3o sabe at\u00e9 hoje \u2013 e pensou que a letra falasse de algum marujo apaixonado, de farda branca. <\/p>\n<p>N\u00e3o entendia, por\u00e9m, o chap\u00e9u de palha.<\/p>\n<p>( Marinheiro usa quepe ou aquele bon\u00e9 esquisito sem a aba da frente.)<\/p>\n<p>Foi tirar a d\u00favida com o av\u00f4 Carlito que era chapeleiro no Ramenzzoni. <\/p>\n<p>O av\u00f4 riu e disse tratar-se de \u201cliberdade po\u00e9tica\u201d do autor. Que o tal uniforme branco era, na verdade, uma roupa branca qualquer porque a cor caracterizava os malandros cariocas. Mas, tamb\u00e9m podia ser uma fantasia para sair em algum cord\u00e3o no Carnaval. Quanto ao chap\u00e9u, o av\u00f4 n\u00e3o hesitou. Caymmi se referia, na verdade, ao chap\u00e9u panam\u00e1, outra das marcas registradas da malandragem.<\/p>\n<p>O v\u00f4 Carlito sabia das coisas&#8230;<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Tchinim cresceu, virou jornalista &#8211; e ningu\u00e9m mais o chamou pelo apelido de inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Dorival Caymmi, ent\u00e3o, passou a ser refer\u00eancia sempre citada nas entrevistas que fez com Caetano, Gil, Gal e os filhos do autor \u2013 Nana, Dori e Danilo.<br \/>\nFoi a partir desses depoimentos que o jornalista se aprofundou na obra do compositor baiano que neste m\u00eas completaria 100 anos.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, o pante\u00e3o sagrado da MPB tem outros centen\u00e1rios importantes neste 2014: Vinicius de Moraes, Araci de Almeida, entre outros que ser\u00e3o assuntos do Blog futuramente.<\/p>\n<p>Por enquanto, em pleno baticum do Carnaval, vale referenciar Caymmi \u2013 cantor\/compositor que abriu ouvidos, olhos e o cora\u00e7\u00e3o do Brasil para o som e as cores da Bahia. Inventou a baianidade. E nos ensinou a revirar &quot;os olhinhos&quot; e a nos sentir um pouquinho &quot;filhos de S\u00e3o Salvador&quot;.<\/p>\n<p>*Inspirado no texto que aqui publiquei em 16 de agosto de 2008. Ah!, o v\u00f4 Carlito tamb\u00e9m completaria 100 anos neste ano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para o menino Tchinim, Dorival Caymmi era uma voz no r\u00e1dio em que a m\u00e3e ouvia a novela e o pai o jogo de futebol. Entre uma novela e outra, um jogo e outro,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12729","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12729","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12729"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12729\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15291,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12729\/revisions\/15291"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12729"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12729"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12729"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}