{"id":12739,"date":"2014-03-24T00:00:00","date_gmt":"2014-03-24T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:14:08","modified_gmt":"2017-09-15T19:14:08","slug":"dose-pra-leao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/dose-pra-leao\/","title":{"rendered":"Dose pra le\u00e3o&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o, meus caros&#8230;<\/p>\n<p>&#8230; n\u00e3o sei o que lhes dizer sobre os amores e os rumores dos dias atuais.<\/p>\n<p>S\u00e3o complexos demais para um cara da antiga, do Cambuci, onde os as coisas n\u00e3o tinham, digamos assim, tantos salamaleques.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, o grande Rubem Braga dizia que ele era do tempo em que o telefone era preto e a geladeira era branca. <\/p>\n<p>Ou seja, n\u00e3o se perdia tanto tempo nos arredores, nas miudezas.<\/p>\n<p>O que era era.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o era sobrava.<\/p>\n<p>Valia para a vida, valia para os amores.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Por favor, n\u00e3o me entendam mal.<\/p>\n<p>N\u00e3o estou dizendo que era melhor ou pior.<\/p>\n<p>Era diferente.<\/p>\n<p>Dia desses ousei ligar para um dos meus sobrinhos do celular.<\/p>\n<p>Que n\u00e3o me atendeu.<\/p>\n<p>Comentei com quem estava perto que iria deixar uma mensagem de voz.<\/p>\n<p>Fui gentil e sonoramente vaiado pelos meus pares.<\/p>\n<p>Eles me alertaram que \u2018mensagem de voz\u2019 n\u00e3o se deixa mais, nem para a m\u00e3e da gente. \u00c9 deselegante, out. Assim como ter uma conta no Orkut.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Orientaram-me a passar uma mensagem. <\/p>\n<p>Ou, se fosse urgente, um whatsaap.<\/p>\n<p>Em breve teria resposta.<\/p>\n<p>Se ele n\u00e3o retornasse, \u00e9 por que n\u00e3o tinha interesse em falar comigo.<\/p>\n<p>&#8212; AH, sei, legal, respondi.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Conclu\u00ed que celular hoje serve para tudo. <\/p>\n<p>Ou melhor, quase tudo.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de bom tom falar ao celular \u2013 o mais adequado \u00e9 teclar. <\/p>\n<p>E como se tecla hoje em dia!!!<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Mudando de assunto, mas n\u00e3o tanto.<\/p>\n<p>Acho que vale a pena registrar a hist\u00f3ria que ouvi do amigo Escova.<\/p>\n<p>Dona Encrenca, a n\u00famero 1, a esposa oficial do Escova, resolveu cobrar mais empenho do homem para manter o casamento de anos e anos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m conhecido como Dom Juan das Quebradas do Mundar\u00e9u, o amigo se prontificou a satisfazer todos os desejos da mulher amada. Custasse o que custasse. Contava com suas insuspeitas virtudes de \u2018atleta de alcova\u2019 para resolver a quest\u00e3o. Mas, eis que o pedido da Morzinho o surpreendeu.<\/p>\n<p>&#8212; B\u00ea\u00ea\u00eammm\u00ea\u00ea\u00ea, Eu quero que voc\u00ea, como prova de amor, enfrente um le\u00e3o por dia em nome do nosso amor, eterno amor.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Com seu jeito Vila Carioca de ser, o amigo franziu a testa \u2013 e desconversou. <\/p>\n<p>O longo per\u00edodo em que est\u00e3o juntos deixou claro \u00e0 Dona Encrenca que ela havia exagerado na dose. Mulher compreensiva que \u00e9, refez o pedido, assim na boa.<\/p>\n<p>&#8212; T\u00e1 bom, Escova, t\u00e1 bom. Vou mudar o pedido. No lugar do le\u00e3o, ent\u00e3o, voc\u00ea tem de deixar eu ver o seu whatsaap todos os dias.<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>Com  aquele cinismo cativante que lhe \u00e9 peculiar, Escova pegou o celular, discou uns n\u00fameros aleatoriamente e, antes que atendessem do outro lado, perguntou ao Morzinho a t\u00edtulo de esclarecimento:<\/p>\n<p>&#8212; M\u00f4, t\u00f4 ligando para o circo, diz a\u00ed: que tamanho voc\u00ea quer o le\u00e3o?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o, meus caros&#8230;<\/p>\n<p>&#8230; n\u00e3o sei o que lhes dizer sobre os amores e os rumores dos dias atuais.<\/p>\n<p>S\u00e3o complexos demais para um cara da antiga,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12739","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12739","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12739"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12739\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15281,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12739\/revisions\/15281"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12739"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12739"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12739"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}