{"id":12753,"date":"2014-04-07T00:00:00","date_gmt":"2014-04-07T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:14:06","modified_gmt":"2017-09-15T19:14:06","slug":"bittencourt-o-invicto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/bittencourt-o-invicto\/","title":{"rendered":"Bittencourt, o Invicto"},"content":{"rendered":"<p>\u201cSe n\u00e3o tem tu, vai tu mesmo.\u201d<\/p>\n<p>Bittencourt era um dos nossos \u2013 assim mesmo com dois t\u00eas, al\u00e9m do t\u00ea mudo no final.<\/p>\n<p>Nem por isso escapava \u00e0s goza\u00e7\u00f5es do Escova que se invocava com os motivos que levaram a bela Leninha a casar com o amigo.<\/p>\n<p>\u201cNa falta de coisa melhor, o Bittencourt foi o primeiro que deu mole e falou em casamento.\u201d<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Escova tinha l\u00e1 seus argumentos, <\/p>\n<p>E, por for\u00e7a da minha sinceridade para com meus am\u00e1veis cinco ou seis leitores, devo reconhecer que muitos de n\u00f3s, os freq\u00fcentadores daquele Sujinho, concordavam com o Escova.<\/p>\n<p>O Bita n\u00e3o era de chegar forte na mulherada. Dava uns vacilos legais e colocava defeitos em todas as que se aproximavam. <\/p>\n<p>H\u00e1 tempos n\u00e3o o v\u00edamos com mulher alguma.<\/p>\n<p>Na base do bullying, o apelidamos de \u2018Bittencourt, o Invicto\u2019.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio n\u00e3o se incomodava.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sou como voc\u00eas, quero uma mulher especial \u2013 e estou me guardando para ela.\u201d<\/p>\n<p>Imaginem a vaia que ouvia quando tentava se defender com essa conversa.<\/p>\n<p>Escova era o mais perverso. <\/p>\n<p>\u201cMas, cara, se voc\u00ea n\u00e3o praticar, vai ficar fora de forma. Quando chegar a princesa que voc\u00ea tanto espera, voc\u00ea n\u00e3o vai dar conta.\u201d<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Acontece que, dia vai, dia vem, Bittencourt chegou com a boa nova (para ele): encontrou a mulher dos seus sonhos e ia casar.<\/p>\n<p>Conhecemos Leninha na cerim\u00f4nia de casamento \u2013 e ficamos encantados com a mo\u00e7a.<\/p>\n<p>Escova foi perempt\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cTem alguma coisa errada a\u00ed. \u00c9 muita areia pra ca\u00e7ambinha do Bitta.\u201d<\/p>\n<p>E tascou l\u00e1 suas conjecturas:<\/p>\n<p>\u201cA mulher t\u00e1 no desespero.\u201d<\/p>\n<p>\u201cTomou um fora de algum bonit\u00e3o \u2013 e resolveu apelar.\u201d<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o dura seis meses.\u201d<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m deu um \u2018chega\u2019 no Escova:<\/p>\n<p>\u201cCara, voc\u00ea est\u00e1 se mordendo de tanta inveja.\u201d<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Para encurtar a hist\u00f3ria que j\u00e1 est\u00e1 longa, o Bitta casou e mudou. Saiu do jornal, montou uma empresa de n\u00e3o-sei-bem-o-qu\u00ea \u201cpara ficar mais perto da mulherzinha adorada\u201d.<\/p>\n<p>Nunca mais o vimos, nem soubemos dele.<\/p>\n<p>VII. <\/p>\n<p>Semana que passou, encontro o Escova todo macamb\u00fazio e triste nas proximidades da Esta\u00e7\u00e3o do Metro, encalacrado no suced\u00e2neo do Sujinho que n\u00e3o mais existe \u2013 e que era nosso ponto de encontro, onde o Sacom\u00e3 torcia o rabo e o F\u00e1brica\/Pinheiros rangia e bufava na curva.<\/p>\n<p>Quis saber do amigo o que motivou \u201ca cara de poucos amigos\u201d.<\/p>\n<p>Ele me respondeu seco:<\/p>\n<p>&#8211; Encontrei o Bitta&#8230;<\/p>\n<p>VIII.<\/p>\n<p>Fiquei preocupado.<\/p>\n<p>&#8211; E a\u00ed algum problema? Ele est\u00e1 bem de sa\u00fade? A mulher o deixou? Faliu a empresa?<\/p>\n<p>&#8211; Nada disso, compadre. O homem est\u00e1 que \u00e9 um touro, muito mais bem cuidado que n\u00f3s&#8230; e cheio de filho.<\/p>\n<p>IX. <\/p>\n<p>\u2013 Ent\u00e3o qual o problema?<\/p>\n<p>&#8211; O problema \u00e9 que errei feio na previs\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSe n\u00e3o tem tu, vai tu mesmo.\u201d<\/p>\n<p>Bittencourt era um dos nossos \u2013 assim mesmo com dois t\u00eas, al\u00e9m do t\u00ea mudo no final.<\/p>\n<p>Nem por isso escapava \u00e0s goza\u00e7\u00f5es do Escova que se invocava com os motivos que levaram a bela Leninha a casar com o amigo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12753","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12753","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12753"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12753\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15267,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12753\/revisions\/15267"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12753"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12753"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12753"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}