{"id":12761,"date":"2014-04-15T00:00:00","date_gmt":"2014-04-15T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:14:05","modified_gmt":"2017-09-15T19:14:05","slug":"um-oi-de-lia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/um-oi-de-lia\/","title":{"rendered":"Um &quot;oi&quot; de Lia"},"content":{"rendered":"<p>Era como se eu estivesse dentro de um filme, daqueles antiguinhos em preto-e-branco.  Como cen\u00e1rio, as ruas desertas cobertas pela neve.<\/p>\n<p>E eu, todo encapotado, a caminhar&#8230;<\/p>\n<p>Naquela tarde de inverno rigoroso, era o pr\u00f3prio viajante parvo a estar no lugar errado, na hora errada (um dia depois da nevasca, poderia ser pior) perdido pelos quarteir\u00f5es de Nova York.<\/p>\n<p>Causava-me (in)certo desconforto d\u2019alma imaginar que, no Brasil viv\u00edamos pleno ver\u00e3o e que poderia ter escolhido algum canto do Caribe no lugar de optar pelas f\u00e9rias fim de ano nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Estava congelando, virando pinguim. <\/p>\n<p>S\u00f3 queria um lugar quente e um caf\u00e9, idem.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Sa\u00ed para ver a tal exposi\u00e7\u00e3o no tal Museu de Arte Moderna, como se fosse um descolado da vez. Agora, me arrastava, sem grande convic\u00e7\u00e3o do que realmente queria, pelas quadras sem fim.<\/p>\n<p>O que fazia ali?<\/p>\n<p>N\u00e3o me perguntem. N\u00e3o sei o que lhes responder.<\/p>\n<p>Sabem como \u00e9 vida de turista&#8230;<\/p>\n<p>Fa\u00e7a chuva, fa\u00e7a sol ou mesmo depois de uma bruta queda de temperatura, o cara tem de ir para a rua. Aproveitar, seja o que for. Aproveitar. <\/p>\n<p>Ficar no hotel n\u00e3o est\u00e1 com nada.<\/p>\n<p>(Eu particularmente at\u00e9 que gosto do vai-e-vem dos lobbys dos hot\u00e9is, mas reconhe\u00e7o h\u00e1 coisas mais interessantes a se fazer mundo a fora.)<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Chego ao MoMA, e vou direto \u00e0 lanchonete.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de achar. Pe\u00e7o um cappuccino e me recosto ao balc\u00e3o, sem grande interesse de sair dali nos pr\u00f3ximos minutos, nas pr\u00f3ximas horas \u2013 qui\u00e7\u00e1, nos pr\u00f3ximos dias.<\/p>\n<p>Me sinto em cacos, trincando.<\/p>\n<p>A bebida aquece, mas n\u00e3o reanima.<\/p>\n<p>Ocorre-me chamar um t\u00e1xi \u2013 e voltar para o hotel. J\u00e1 n\u00e3o tenho interesse em Van Gogh, Monet e que tais.<\/p>\n<p>Tenho mais uns dias na cidade. Volto outra hora.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Reparo m\u00e3e e filha (tr\u00eas\/quatro anos, se tanto) dividem o lanche e o caf\u00e9 a poucos metros de mim. Conversam, riem , debru\u00e7am-se sobre o tablet, as mochilas, celulares (dois) e um desses equipamentos que orientam as visitas. <\/p>\n<p>Parecem brincar com as engenhocas, mesmo em um dia cinza e frio.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se alguma obra famosa me comoveria tanto. Transformam-se (ambas) em uma vers\u00e3o pop da Madona dos dias atuais.<\/p>\n<p>Rescendem \u00e0 vida, \u00e0 luz&#8230;<\/p>\n<p>V. <\/p>\n<p>Ou\u00e7o que a menina se chama Lia, e simpaticamente me d\u00e1 um \u201coi\u201d quando, de sa\u00edda, passo por elas.<\/p>\n<p>Fico tolamente feliz.<\/p>\n<p>S\u00f3 dentro t\u00e1xi, a tentar fazer-me entender para o motorista indiano (que faz cara de poucos amigos com o endere\u00e7o que lhe dou), descubro a doce realidade:<\/p>\n<p>&quot;Aposto que eram brasileiras.&quot;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era como se eu estivesse dentro de um filme, daqueles antiguinhos em preto-e-branco.  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