{"id":12765,"date":"2014-04-24T00:00:00","date_gmt":"2014-04-24T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:14:05","modified_gmt":"2017-09-15T19:14:05","slug":"todo-escritor-e","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/todo-escritor-e\/","title":{"rendered":"Todo escritor \u00e9&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Folheio os jornais antigos para saber o que de importante \u2013 importante mesmo \u2013 eu perdi nesses dias de \u00f3cio nos confins da Serra da Bocaina, onde n\u00e3o h\u00e1 sinal de celular e a internet sequer trisca. De uma forma ou de outra, as not\u00edcias que pipocam aqui e ali s\u00e3o as que j\u00e1 sei, via TV e\/ou r\u00e1dio.<\/p>\n<p>Chama minha aten\u00e7\u00e3o, no entanto, a declara\u00e7\u00e3o de Ariano Suassuna, semanas atr\u00e1s, ao participar de palestra em Bras\u00edlia:<\/p>\n<p>\u201cTodo escritor \u00e9 um mentiroso\u201d.<\/p>\n<p>Eu, que gosto de brincar de enfileirar uma letrinha atr\u00e1s da outra e contar e recontar uns causos, n\u00e3o deixo de lhe dar um bom naco de raz\u00e3o. Fico remoendo a bem-humorada afirma\u00e7\u00e3o e tento, a meu modo, entend\u00ea-la e, permitam-me a ousadia, explic\u00e1-la aos meus car\u00edssimos cinco ou seis leitores.<\/p>\n<p>No rasante das coisas, o escritor n\u00e3o inventa nada. Sensibiliza-se com as hist\u00f3rias que vive, v\u00ea e\/ou ouve e, ao cont\u00e1-la, usa uma forma mais imaginativa de format\u00e1-la e, no bom sentido, \u2018vend\u00ea-la\u2019 ao leitor.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Vejam, por exemplo, como o grande Rubem Braga, em trecho de uma de suas deliciosas cr\u00f4nicas, se apresenta a S\u00e3o Pedro:<\/p>\n<p>\u201cSempre tenho confian\u00e7a de que n\u00e3o serei maltratado na porta do c\u00e9u, e mesmo que S\u00e3o Pedro tenha ordem para n\u00e3o me deixar entrar, ele ficar\u00e1 indeciso quando eu lhe disser em voz baixa: Eu sou l\u00e1 de Cachoeiro&#8230;&quot;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma forma bonita de se enaltecer a cidade onde se nasceu?<\/p>\n<p>(O saudoso Braga era capixaba de Cachoeiro de Itapemirim.)<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Li recentemente em uma cr\u00f4nica de Luiz Fernando Ver\u00edssimo (Frases) outra observa\u00e7\u00e3o que me parece concernente ao tema de hoje:<\/p>\n<p>\u201cCom o passar do tempo, todos n\u00f3s viramos fil\u00f3sofos\u201d.<\/p>\n<p>Faz todo o sentido.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Um tanto nessa linha, a busca pela racionalidade e o encantamento de uma narrativa, Carlos Heitor Cony \u00e9 direto e reto na jun\u00e7\u00e3o de dois assuntos t\u00e3o atuais: a religi\u00e3o e o futebol:<\/p>\n<p>\u201cDeixei de acreditar em Deus no dia em que vi o Brasil perder a Copa do Mundo no Maracan\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>Do maior de todos, Machado de Assis, me delicio com a hist\u00f3rica fala do personagem\/protagonista de \u201cMem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas\u201d:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tive filhos, n\u00e3o transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa mis\u00e9ria.\u201d<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Permitam-me uma inconfid\u00eancia. Nem os rigores da minha forma\u00e7\u00e3o em jornalismo, co\u00edbem minhas \u2018viagens\u2019 quando batuco aqui, no blog, casos e causos.<\/p>\n<p>Exemplo chinfrim, mas exemplo \u00e9 o texto de hoje. Que, em ess\u00eancia, s\u00f3 pretende reverenciar ainda que tardiamente a mem\u00f3ria do grande Gabriel Garcia Marquez \u2013 e a verdade \u00fanica e absoluta de todo o escritor.<\/p>\n<p>Ele a definiu assim:<\/p>\n<p>\u201cQuando n\u00e3o escrevo, morro. Quando escrevo, morro tamb\u00e9m!\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Folheio os jornais antigos para saber o que de importante \u2013 importante mesmo \u2013 eu perdi nesses dias de \u00f3cio nos confins da Serra da Bocaina, onde n\u00e3o h\u00e1 sinal de celular e a internet sequer trisca.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12765","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12765","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12765"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12765\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15255,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12765\/revisions\/15255"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}