{"id":12792,"date":"2014-05-19T00:00:00","date_gmt":"2014-05-19T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:14:02","modified_gmt":"2017-09-15T19:14:02","slug":"o-granizo-e-as-lembrancas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-granizo-e-as-lembrancas\/","title":{"rendered":"O granizo e as lembran\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>Passei boa parte da minha inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia no Jardim da Aclima\u00e7\u00e3o. Jog\u00e1vamos futebol no que cham\u00e1vamos de \u201cBarranc\u00e3o\u201d (um terreno baldio atr\u00e1s do campo de futebol). Empin\u00e1vamos pipa (que paulistamente cham\u00e1vamos de \u2018quadrado\u2019). And\u00e1vamos pela mata atr\u00e1s de passarinhos ou ali nos embrenh\u00e1vamos como Tom Mix, Roy Rogers, Zorro, Cavaleiro Negro entre outros super-her\u00f3is dos gibis da \u00e9poca. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m apost\u00e1vamos corrida na alameda que contorna o lago. Lago que, por sinal, era centro de outras tantas brincadeiras. Pesc\u00e1vamos e nad\u00e1vamos (de olho nos guardas, pois era proibido). Tamb\u00e9m faz\u00edamos pequenas embarca\u00e7\u00f5es com as cascas das \u00e1rvores e folhas secas que despencavam das \u00e1rvores a lhes servir de velas.<\/p>\n<p>Ali (e em seus arredores) era ponto de encontro de v\u00e1rias tribos, identific\u00e1veis pelo nome da rua onde a molecada morava. Havia a turma da Robertson, da Barroca, da Pia\u00ed, da Albino Barbosa e da Muniz de Souza (da qual, este modesto escriba modestamente fazia parte).<\/p>\n<p>Existia uma rela\u00e7\u00e3o cordial entre as diversas turmas. Vez ou outra, quase sempre motivada pelos rachas que valiam um fict\u00edcio campeonato que nunca terminou, aconteciam alguns estranhamentos e pau quebrava. <\/p>\n<p>N\u00e3o era nada tanto assim. <\/p>\n<p>No dia seguinte, l\u00e1 est\u00e1vamos todas apostos para novas estripulias.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Lembro esses dias, ao assistir na manh\u00e3 de hoje, o notici\u00e1rio da TV falando da pancadassa de granizo que assolou algumas ruas do Bairro e que se tornou, digamos, a atra\u00e7\u00e3o do dia para moradores e curiosos.<\/p>\n<p>\u00d3bvio que chamou minha aten\u00e7\u00e3o o deslumbramento da meninada a correr pra l\u00e1 e pra c\u00e1, a festejar o acontecimento. Houve quem dissesse que os guris estavam se imaginando em uma cidade da Europa.<\/p>\n<p>Achei supimpa a observa\u00e7\u00e3o. Bem adequada aos novos tempos, de globaliza\u00e7\u00e3o e cousa e lousa e maripo(u)sa.<\/p>\n<p>Fiquei imaginando que \u2018brincadeira\u2019 improvisar\u00edamos a partir do que a Mo\u00e7a do Tempo chamou \u201cde raro fen\u00f4meno atmosf\u00e9rico\u201d. Sobre a Europa, s\u00f3 sab\u00edamos da sua exist\u00eancia pelo mapa mundi e pelas aulas de geografia do Grupo Escolar Oscar Thompson.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Dar\u00edamos um jeito, tenho certeza. <\/p>\n<p>Vale lembrar que n\u00e3o existiam You Tube e videogames.  Viv\u00edamos da nossa imagina\u00e7\u00e3o.  Para quem nas \u2018peladas\u2019 se considerava Pel\u00e9, Mazzola, Zizinho, Gilmar e outros craques eternos&#8230; Para quem via no lago da Aclima\u00e7\u00e3o um mar repleto de \u2018piratas\u2019 e tubar\u00f5es&#8230; As \u00e1rvores ao redor formavam a pr\u00f3pria Floresta Amaz\u00f4nica&#8230; Para quem vivia a fantasiar aventuras e conquistas, convenhamos, n\u00e3o seria t\u00e3o dif\u00edcil assim.<\/p>\n<p>Afinal, garotos s\u00e3o garotos, seja qual for a \u00e9poca&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passei boa parte da minha inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia no Jardim da Aclima\u00e7\u00e3o. Jog\u00e1vamos futebol no que cham\u00e1vamos de \u201cBarranc\u00e3o\u201d (um terreno baldio atr\u00e1s do campo de futebol). 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