{"id":12793,"date":"2014-05-19T00:00:00","date_gmt":"2014-05-19T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T03:44:51","modified_gmt":"2017-09-14T03:44:51","slug":"no-sebo-perto-de-casa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/no-sebo-perto-de-casa\/","title":{"rendered":"No sebo perto de casa&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Aproveito a manha ensolarada para saber das novidades de um sebo perto de casa.<\/p>\n<p>H\u00e1 tempos n\u00e3o o visitava. <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um desses estabelecimentos grandiosos, mas por vezes s\u00e3o nesses pequenos locais que se faz a grande descoberta. Foi ali, por exemplo, que encontrei um exemplar de Gr\u00e3os de Mostarda, do cronista Humberto Campos, editado por W.M.Jackson Inc (Editores). N\u00e3o consegui localizar o ano da publica\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 bem antiguinho. <\/p>\n<p>Os propriet\u00e1rios j\u00e1 me conhecem \u2013 e s\u00e3o sempre simp\u00e1ticos, e sol\u00edcitos.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Logo que entrei, eu os percebi calados, com o semblante de preocupa\u00e7\u00e3o. Que tentaram disfar\u00e7ar ao me ver entrar cheio das intens\u00f5es.<\/p>\n<p>Perguntaram-me sobre a vendagem dos meus livros \u2013 e eu lhes respondi com um balan\u00e7ar de cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8212; Assim, assim, disse em seguida. <\/p>\n<p>(O que significa pouco ou quase nada.).<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>A propriet\u00e1ria tentou esticar o assunto.<\/p>\n<p>\u201cO senhor precisa escrever sobre vampiros \u2013 \u00e9 o que essa meninada procura. Cr\u00f4nicas e contos, ningu\u00e9m procura\u201d.<\/p>\n<p>Sorri agradecido pelo conselho. Logo me imaginei escrevendo uma hist\u00f3ria surreal, misturando dentu\u00e7os, morcegos, capas esvoa\u00e7antes com forro vermelho, caix\u00f5es seculares, cad\u00e1veres insepultos, cemit\u00e9rios e princesas l\u00edvidas e virginais.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o \u00e9 minha praia, respondi. \u2013 Ou melhor, minha cripta. <\/p>\n<p>Tirante as princesas l\u00edvidas e virginais, nada daquela listagem me interessa.<br \/>\nIV.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei o que lhe passou pela cabe\u00e7a \u2013 ou se foi meu olhar superficial pelas prateleiras atopetadas de edi\u00e7\u00f5es \u2013 mas, a mo\u00e7a resolveu desabafar:<\/p>\n<p>\u201cPara ser sincera, atualmente nem os vampiros salvam. N\u00e3o estamos vendendo nada. O Pa\u00eds parou por causa da Copa. Pode perguntar para qualquer comerciante que n\u00e3o tenha seu neg\u00f3cio ligado \u00e0s coisas da Copa ou n\u00e3o seja artigo de primeira necessidade. Estamos todos preocupados e esperando pelo fim dessa loucura\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia botado reparo na coisa toda. Mas, parece fazer sentido. A Copa est\u00e1 \u201cvampirizando\u201d a Economia. Basta ver os an\u00fancios na TV. Todos querem tirar uma casquinha tem\u00e1tica, linkar a imagem do seu neg\u00f3cio ao futebol.<\/p>\n<p>Entendo que a fala da propriet\u00e1ria traz embutida uma press\u00e3o para que eu n\u00e3o saia de m\u00e3os abanando dali. Escolho dois t\u00edtulos do Ver\u00edssimo que ainda n\u00e3o possuo, uma edi\u00e7\u00e3o dos anos 70 de \u201cAntes do Baile Verde\u201d de Lygia Fagundes Telles e A Mulher Que Escreveu a B\u00edblia de Moacyr Scliar e sigo para o caixa.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>\u00c0 sa\u00edda ainda h\u00e1 tempo para ver o ar de al\u00edvio no rosto dos meus interlocutores e ter um reencontro inesperado. Vejo esquecido numa das \u00faltimas prateleiras um exemplar do meu primeiro livro (\u00c0s Margens Pl\u00e1cidas do Ipiranga, lan\u00e7ado em 1997). <\/p>\n<p>Com carinho e alguma curiosidade, folheio as primeiras p\u00e1ginas e l\u00e1 encontro a dedicat\u00f3ria que fiz a um querido amigo.<\/p>\n<p>S\u00f3 agora \u2013 tanto tempo depois \u2013 descubro que a rec\u00edproca n\u00e3o era t\u00e3o verdadeira assim&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aproveito a manha ensolarada para saber das novidades de um sebo perto de casa.<\/p>\n<p>H\u00e1 tempos n\u00e3o o visitava. <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um desses estabelecimentos grandiosos, mas por vezes s\u00e3o nesses pequenos locais que se faz a grande descoberta.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-12793","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-parangoles"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12793","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12793"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12793\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13919,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12793\/revisions\/13919"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12793"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12793"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12793"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}