{"id":12794,"date":"2014-05-20T00:00:00","date_gmt":"2014-05-20T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:14:02","modified_gmt":"2017-09-15T19:14:02","slug":"o-ritual","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-ritual\/","title":{"rendered":"O ritual"},"content":{"rendered":"<p>Era uma cena que v\u00edamos \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Os escolhidos pelo irm\u00e3o Dem\u00e9trius formavam o Vasquinho (a sele\u00e7\u00e3o do col\u00e9gio, o irm\u00e3o era vasca\u00edno). Jog\u00e1vamos nas manh\u00e3s de domingo, ap\u00f3s a missa das oito (era obrigat\u00f3rio a participa\u00e7\u00e3o) e trein\u00e1vamos \u00e0s quartas e sextas ap\u00f3s as aulas, a partir da meio-dia.<\/p>\n<p>Ao final do treino, quando j\u00e1 est\u00e1vamos indo embora (arrasados pela fome), observ\u00e1vamos os irm\u00e3os maristas se perfilando no \u00faltimo andar do pr\u00e9dio de quatro pavimentos para, em seguida, dar in\u00edcio \u00e0 reza do ros\u00e1rio. Enquanto desfiavam pais-nossos e ave-marias, caminhavam lentamente, tal e qual uma corpora\u00e7\u00e3o militar pelos corredores do col\u00e9gio Nossa Senhora da Gl\u00f3ria no Cambuci.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Para quem n\u00e3o conhece o col\u00e9gio, s\u00e3o tr\u00eas pr\u00e9dios de quatro andares, justapostos em forma de U, com um campo de futebol no meio. Os corredores externos davam acesso \u00e0s salas de aula \u2013 e era ali que os irm\u00e3os faziam a ora\u00e7\u00e3o p\u00f3s almo\u00e7o.<\/p>\n<p>A gente n\u00e3o entendia o motivo daquela andan\u00e7a. Havia uma capela logo ali no andar de baixo, com toda a pompa e circunst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Mesmo assim, nos intrigava o mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Reconhe\u00e7a-se que existia uma plasticidade no ritual. As vozes em un\u00edssono traziam certo encantamento e serenidade. Diria que algo pr\u00f3ximo ao que fui sentir, anos depois, ao ouvir os cantos gregorianos,<\/p>\n<p>Sa\u00ed da escola marista, e segui a vida. N\u00e3o sou santo, nem cheguei a ser um pecador inveterado. Confesso que, dos vinte at\u00e9 os quarenta e tantos, andei distante da Igreja e das ora\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Voltei aos poucos movidos por circunst\u00e2ncias e tamb\u00e9m por que estava me sentindo um tanto vazio de objetivos e metas.<\/p>\n<p>Comecei a freq\u00fcentar as igrejas S\u00e3o Jos\u00e9 e da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o (ambas no Ipiranga) pela manh\u00e3, antes de seguir para o jornal. <\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Recuperei certa paz de esp\u00edrito nessas visitas.<\/p>\n<p>N\u00e3o freq\u00fcentava as missas os cultos. Preferia o templo vazio, silencioso.<\/p>\n<p>Ainda hoje fa\u00e7o isso, Fa\u00e7o minhas ora\u00e7\u00f5es em voz baixa, diante dos altares dos santos ou mesmo longe deles. Simplesmente caminho no embalo da f\u00e9 e da esperan\u00e7a, como os maristas da Gl\u00f3ria, sem saber, um dia me ensinaram&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era uma cena que v\u00edamos \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Os escolhidos pelo irm\u00e3o Dem\u00e9trius formavam o Vasquinho (a sele\u00e7\u00e3o do col\u00e9gio, o irm\u00e3o era vasca\u00edno). Jog\u00e1vamos nas manh\u00e3s de domingo, ap\u00f3s a missa das oito (era obrigat\u00f3rio a participa\u00e7\u00e3o) e trein\u00e1vamos \u00e0s quartas e sextas ap\u00f3s as aulas,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12794","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12794","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12794"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12794\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15229,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12794\/revisions\/15229"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12794"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12794"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12794"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}