{"id":12799,"date":"2014-05-25T00:00:00","date_gmt":"2014-05-25T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:14:01","modified_gmt":"2017-09-15T19:14:01","slug":"ser-ou-nao-ser-cronista-3","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/ser-ou-nao-ser-cronista-3\/","title":{"rendered":"Ser ou n\u00e3o ser&#8230;cronista! (3)"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei foi (e ainda \u00e9) a conversa que tivemos nesses dois \u00faltimos posts. Sobre cr\u00f4nicas e cronistas. <\/p>\n<p>Sei que acordei, de madrugada, pensando na frase do saudoso Z\u00e9 Jofre naqueles idos de 70 quando cheguei \u00e0 reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janel\u00f5es para a rua Bom Pastor.<\/p>\n<p>\u201cA cr\u00f4nica \u2013 dizia ele \u2013 \u00e9 um dos raros espa\u00e7os no jornal onde a emo\u00e7\u00e3o sobrevive\u201d.<\/p>\n<p>\u201cPor isso \u2013 profetizou \u2013 \u00e9 um g\u00eanero que tende a desaparecer\u201d.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Tonico Marques e Z\u00e9 Jofre eram velhos resistentes, origin\u00e1rios da Imprensa ideologizada dos anos 40 e 50. Trabalharam nos principais jornais de esquerda paulistanos, combateram o bom combate at\u00e9 que o Golpe de 64 os tirou das reda\u00e7\u00f5es. Mesmo assim continuaram a luta, fundando jornais de bairro e \u2013 como diziam e nos ensinavam \u2013 dando voz e vez \u00e0 periferia de S\u00e3o Paulo, ent\u00e3o em pleno e desordenado desenvolvimento.<\/p>\n<p>(Conto parcialmente a hist\u00f3ria de ambos na cr\u00f4nica \u201cMarc\u00e3o e Z\u00e9 Jofre\u201d, escrita em 2002 e aqui publicada em 8 de outubro de 2007. Consta tamb\u00e9m do livro \u201cMeus Caros Amigos \u2013 Cr\u00f4nicas sobre jornalistas, bo\u00eamios e paix\u00f5es\u201d, lan\u00e7ado em 2010.)<\/p>\n<p>Feita a apresenta\u00e7\u00e3o, voltemos ao nosso assunto.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Foi o que efetivamente come\u00e7ou a acontecer a partir dos anos 80 no embalo das transforma\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e mesmo social. Os jornais passaram a ser um produto de mercado (antes, por mais que fossem, n\u00e3o eram entendidos como tal) e o jornalismo passou a ser mais t\u00e9cnico do que propriamente autoral.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca, Chico Buarque gravou a emblem\u00e1tica \u201cA voz do dono e o dono da voz\u201d, falando da rela\u00e7\u00e3o das gravadoras com o artista. Na nossa \u201cilha\u201d de resist\u00eancia ao jornalismo (que alguns chamavam de) rom\u00e2ntico, entend\u00edamos que a analogia tamb\u00e9m poderia ser feita ao que se vivia nas grandes reda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A reportagem perdia (e perde) espa\u00e7o, e a cr\u00f4nica&#8230;<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Embora ainda se encontre algum bravo defensor, o g\u00eanero foi atropelado pelo aburguesamento das reda\u00e7\u00f5es e pela ditadura dos manuais de reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O cronista que andava de \u00f4nibus, vivia nos botecos e estava junto com as causas populares  foi perdendo espa\u00e7o para colunistas especializados \u2013 o psic\u00f3logo, o antrop\u00f3logo, a ex-prefeita, o cientista pol\u00edtica; e mais recentemente para a atriz global, o humorista da vez&#8230;<\/p>\n<p>Nada contra, apenas uma constata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tais senhores nos ensinam, como viver, o que \u00e9 certo e o que \u00e9 de bom tanto.<\/p>\n<p>N\u00e3o compartilham (a palavrinha da moda) o nosso modesto espa\u00e7o, o chinfrim do nosso dia a dia de cidad\u00e3os comuns \u2013 e por isso mesmo bem mais pr\u00f3ximo da realidade de um Brasil que se quer de todos os brasileiros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei foi (e ainda \u00e9) a conversa que tivemos nesses dois \u00faltimos posts. 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