{"id":12803,"date":"2014-05-29T00:00:00","date_gmt":"2014-05-29T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:14:00","modified_gmt":"2017-09-15T19:14:00","slug":"adoniran-o-gentil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/adoniran-o-gentil\/","title":{"rendered":"Adoniran, o gentil"},"content":{"rendered":"<p>\u201cEu prefiro a minha parte em dinheiro.\u201d<\/p>\n<p>Fazia parte do folclore das reda\u00e7\u00f5es paulistanas a suposta resposta que o cantor, compositor e humorista Adoniran Barbosa deu a alguns senhores que desejavam homenagearam com um busto ou algo parecido \u201cpelos inestim\u00e1veis servi\u00e7os prestados \u00e0 cultura brasileira.\u201d<\/p>\n<p>Adoniran vivia um bom momento. Fora redescoberto pela \u2018intelligentzia\u2019 da MPB dos anos 70 ap\u00f3s o sucesso de \u201cTrem das Onze\u201d como hit do badalado carnaval do Rio de Janeiro. Mesmo assim, n\u00e3o andava bem de grana.<\/p>\n<p>Da\u00ed a objetividade (e o mau humor) da resposta supracitada.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Era um jovem rep\u00f3rter \u2013 e iria entrevistar Adoniran num bar chamado \u201cTalism\u00e3\u201d ali nos arredores da gravadora Odeon, imedia\u00e7\u00f5es da Major Sert\u00f3rio, no Centro de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Fui alertado pelos veteranos que, embora um g\u00eanio do r\u00e1dio, da TV e da m\u00fasica popular, o homem era ranzinza que s\u00f3. <\/p>\n<p>A depender dos ares do dia ou de uma pergunta mal colocada, explodia f\u00e1cil, f\u00e1cil.  Houve vez em que encerrara a conversa com a c\u00e9lebre express\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 me encheu os pacovas.\u201d<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Duvidei do recado dos amigos.<\/p>\n<p>Jeit\u00e3o de vovozinho, aquela linguagem macarr\u00f4nica, a singeleza das can\u00e7\u00f5es que comp\u00f4s. <\/p>\n<p>Imposs\u00edvel, sacramentei.<\/p>\n<p>Mas, me arrependi antes mesmo de terminar a primeira pergunta:<\/p>\n<p>&#8211; Sr. Adoniran, de onde veio a ideia de trocar seu nome de batismo, Jo\u00e3o Rubinato, para Ado&#8230;<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Como disse, n\u00e3o terminei a pergunta.<\/p>\n<p>Um sonoro palavr\u00e3o ecoou pelo sal\u00e3o. Ainda bem que s\u00f3 est\u00e1vamos eu, ele e o assessor de imprensa, o Gomide, que prontamente interveio a meu favor.<\/p>\n<p>&#8211; Adoniran, fa\u00e7a o favor, \u00e9 s\u00f3 uma pergunta!<\/p>\n<p>Estica daqui, puxa dali, continuamos a entrevista. Com mais cautela (e originalidade) da minha parte.<\/p>\n<p>Deu tudo certo por fim. Mas, de algum modo, me senti desconfort\u00e1vel com o vacilo.<\/p>\n<p>Fui mal, n\u00e3o me perdoei.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>S\u00f3 me conformei quando, \u00e0 sa\u00edda, presenciei outra explos\u00e3o do compositor de \u201cSaudosa Maloca\u201d.<\/p>\n<p>Acabava de chegar o que me pareceu ser o dono do bar e uma leva de amigos. <\/p>\n<p>Todos encantados com a presen\u00e7a de Adoniran ali. <\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma honra receb\u00ea-lo\u201d, disse o tal.<\/p>\n<p>\u201cAdoro suas m\u00fasicas.\u201d, falou outro<\/p>\n<p>\u201cFala a\u00ed, grande Charutinho!\u201d, brincou um terceiro, cheio das intimidades.<\/p>\n<p>E Adoniran em sil\u00eancio&#8230;<\/p>\n<p>VI. <\/p>\n<p>Empolgado com a situa\u00e7\u00e3o \u2013 e j\u00e1 se achando senhor da cena -, o anfitri\u00e3o amea\u00e7ou um discurso.<\/p>\n<p>&#8211; Adoniran, somos um grande admirador da sua obra, da sua pessoal e&#8230;<\/p>\n<p>Outro corte seco do artista:<\/p>\n<p>&#8211; Querem saber? Azar o de voc\u00eas!<\/p>\n<p>E foi-se embora, sem olhar para tr\u00e1s e sem se despedir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEu prefiro a minha parte em dinheiro.\u201d<\/p>\n<p>Fazia parte do folclore das reda\u00e7\u00f5es paulistanas a suposta resposta que o cantor, compositor e humorista Adoniran Barbosa deu a alguns senhores que desejavam homenagearam com um busto ou algo parecido \u201cpelos inestim\u00e1veis servi\u00e7os prestados \u00e0 cultura brasileira.\u201d<\/p>\n<p>Adoniran vivia um bom momento.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12803","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12803","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12803"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12803\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15220,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12803\/revisions\/15220"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12803"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12803"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12803"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}