{"id":12807,"date":"2014-06-02T00:00:00","date_gmt":"2014-06-02T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:14:00","modified_gmt":"2017-09-15T19:14:00","slug":"triste-e-ensolarado-domingo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/triste-e-ensolarado-domingo\/","title":{"rendered":"Triste e ensolarado domingo"},"content":{"rendered":"<p>As not\u00edcias de ontem deram um tom de tristeza ao domingo ensolarado.<\/p>\n<p>Nem o clima de v\u00e9spera de Copa, a expectativa da \u00faltima rodada do Brasileir\u00e3o antes da parada para o Mundial ou a expectativa de um bom programa no fim de semana quebraram o luto pela divulga\u00e7\u00e3o das mortes do jornalista Maur\u00edcio Torres, da TV Record, e de Marinho Chagas, o lateral do Botafogo e da sele\u00e7\u00e3o brasileira de 1974. Para arredondar o clima f\u00fanebre, leio em O Estado a coluna de Ugo Giorgetti que reverencia a mem\u00f3ria de Joel de Camargo, quarto-zagueiro do Santos de Pel\u00e9 e reserva da hist\u00f3rica sele\u00e7\u00e3o de 70.<\/p>\n<p>Dif\u00edcil para qualquer um \u2013 mesmo aqueles n\u00e3o o conheceram \u2013 entender a morte prematura do jornalista aos 43 anos. Lembro que, quando Torres trocou a seguran\u00e7a de uma Globo pelo desafio da Record, alguns elogiaram a coragem de buscar um caminho pr\u00f3prio, muito pessoal, dentro deste competitivo mundo da narra\u00e7\u00e3o esportiva. Outros n\u00e3o entenderam \u2013 eu achei bonito, como sempre acho bonito e ousado o gesto daqueles que v\u00e3o al\u00e9m do \u00f3bvio. E ousadamente tomam para si o pr\u00f3prio destino, seja pessoal, seja profissional.<\/p>\n<p>Marinho Chagas foi um craque al\u00e9m do seu tempo. Diria que foi o precursor dos alas; hoje t\u00e3o em voga no futebol atual. Zagueiro lateral esquerdo, assim eram chamados at\u00e9 o surgimento de Marinho, eram basicamente marcadores. Bons de bola como Djalma Santos, Carlos Alberto (estes pela direita) e mesmo a Enciclop\u00e9dia, Nilton Santos, vez ou outra, aventuravam-se para al\u00e9m da linha do meio-de-campo. Mesmo assim, raramente se mandavam em desabalada carreira e dribles at\u00e9 a linha de fundo (At\u00e9 porque nessa \u00e9poca quem ocupava esse espa\u00e7o eram os pontas aut\u00eanticos). Marinho ignorou essa regra. Sabia jogar com a bola no p\u00e9 e dava um toque de fantasia e encantamento aos jogos.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi l\u00e1 muito bem compreendido. Assim como o elegante Joel Camargo, quarto zagueiro de fino trato. Evitava os chut\u00f5es ao l\u00e9u, raramente dava um carrinho ou mesmo cometia falta. Joel era um dos titulares da sele\u00e7\u00e3o brasileira nas Eliminat\u00f3rias para a Copa de 70. Antes mesmo de assumir o escrete, o ent\u00e3o t\u00e9cnico Jo\u00e3o Saldanha j\u00e1 o escalou como absoluto na zaga. Era uma das \u201cferas\u201d de Saldanha. Com a troca de comando, Zagallo preferiu a sobriedade de Wilson Piazza, um volante deslocado para a quarta-zaga. Joel ficou como terceira op\u00e7\u00e3o. Diz o cineasta e colunista Ugo Giorgetti que, ao que parece, Joel n\u00e3o assimilou a reserva.  Tanto que ap\u00f3s a Copa de 70 nunca mais foi o mesmo, mesmo no Santos ou em outras agremia\u00e7\u00f5es menores onde encerrou sua carreira.<\/p>\n<p>Tempos atr\u00e1s, em dificuldades financeiras, n\u00e3o teve d\u00favida em por \u00e0 venda a medalha da Copa de 70. N\u00e3o jogou, n\u00e3o se considerava, portanto, campe\u00e3o.<\/p>\n<p>Joel morreu na sexta, dia 23.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As not\u00edcias de ontem deram um tom de tristeza ao domingo ensolarado.<\/p>\n<p>Nem o clima de v\u00e9spera de Copa, a expectativa da \u00faltima rodada do Brasileir\u00e3o antes da parada para o Mundial ou a expectativa de um bom programa no fim de semana quebraram o luto pela divulga\u00e7\u00e3o das mortes do jornalista Maur\u00edcio Torres,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12807","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12807","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12807"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12807\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15216,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12807\/revisions\/15216"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12807"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12807"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12807"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}