{"id":12820,"date":"2014-06-19T00:00:00","date_gmt":"2014-06-19T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:11:50","modified_gmt":"2017-09-15T19:11:50","slug":"chico70","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/chico70\/","title":{"rendered":"Chico,70"},"content":{"rendered":"<p>Postado por Rodolfo Stipp Martino<\/p>\n<p>7 m\u00fasicas para comemorar hoje os 70 anos de Chico Buarque:<\/p>\n<p>&#8211; Vida  (Chico Buarque\/1980) <\/p>\n<p>Vida, minha vida<br \/>\nOlha o que \u00e9 que eu fiz<br \/>\nDeixei a fatia<br \/>\nMais doce da vida<br \/>\nNa mesa dos homens<br \/>\nDe vida vazia<br \/>\nMas, vida, ali<br \/>\nQuem sabe, eu fui feliz<\/p>\n<p>Vida, minha vida<br \/>\nOlha o que \u00e9 que eu fiz<br \/>\nVerti minha vida<br \/>\nNos cantos, na pia<br \/>\nNa casa dos homens<br \/>\nDe vida vadia<br \/>\nMas, vida, ali<br \/>\nQuem sabe, eu fui feliz<\/p>\n<p>Luz, quero luz,<br \/>\nSei que al\u00e9m das cortinas<br \/>\nS\u00e3o palcos azuis<br \/>\nE infinitas cortinas<br \/>\nCom palcos atr\u00e1s<br \/>\nArranca, vida<br \/>\nEstufa, veia<br \/>\nE pulsa, pulsa, pulsa<br \/>\nPulsa, pulsa mais<br \/>\nMais, quero mais<br \/>\nNem que todos os barcos<br \/>\nRecolham ao cais<br \/>\nQue os far\u00f3is da costeira<br \/>\nMe lancem sinais<br \/>\nArranca, vida<br \/>\nEstufa, vela<br \/>\nMe leva, leva longe<br \/>\nLonge, leva mais<\/p>\n<p>Vida, minha vida<br \/>\nOlha o que \u00e9 que eu fiz<br \/>\nToquei na ferida<br \/>\nNos nervos, nos fios<br \/>\nNos olhos dos homens<br \/>\nDe olhos sombrios<br \/>\nMas, vida, ali<br \/>\nEu sei que fui feliz<\/p>\n<p> &#8211; A banda (Chico Buarque\/1966)<\/p>\n<p>Estava \u00e0 toa na vida<br \/>\nO meu amor me chamou<br \/>\nPra ver a banda passar<br \/>\nCantando coisas de amor<\/p>\n<p>A minha gente sofrida<br \/>\nDespediu-se da dor<br \/>\nPra ver a banda passar<br \/>\nCantando coisas de amor<\/p>\n<p>O homem s\u00e9rio que contava dinheiro parou<br \/>\nO faroleiro que contava vantagem parou<br \/>\nA namorada que contava as estrelas parou<br \/>\nPara ver, ouvir e dar passagem<\/p>\n<p>A mo\u00e7a triste que vivia calada sorriu<br \/>\nA rosa triste que vivia fechada se abriu<br \/>\nE a meninada toda se assanhou<br \/>\nPra ver a banda passar<br \/>\nCantando coisas de amor<\/p>\n<p>O velho fraco se esqueceu do cansa\u00e7o e pensou<br \/>\nQue ainda era mo\u00e7o pra sair no terra\u00e7o e dan\u00e7ou<\/p>\n<p>A mo\u00e7a feia debru\u00e7ou na janela<br \/>\nPensando que a banda tocava pra ela<\/p>\n<p>A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu<br \/>\nA lua cheia que vivia escondida surgiu<\/p>\n<p>Minha cidade toda se enfeitou<br \/>\nPra ver a banda passar cantando coisas de amor<\/p>\n<p>Mas para meu desencanto<br \/>\nO que era doce acabou<br \/>\nTudo tomou seu lugar<br \/>\nDepois que a banda passou<\/p>\n<p>E cada qual no seu canto<br \/>\nEm cada canto uma dor<br \/>\nDepois da banda passar<br \/>\nCantando coisas de amor <\/p>\n<p>&#8211; Mulheres de Atenas (Chico Buarque &#8211; Augusto Boal\/1976)<\/p>\n<p>Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas<br \/>\nVivem pros seus maridos, orgulho e ra\u00e7a de Atenas<br \/>\nQuando amadas, se perfumam<br \/>\nSe banham com leite, se arrumam<br \/>\nSuas melenas<br \/>\nQuando fustigadas n\u00e3o choram<br \/>\nSe ajoelham, pedem, imploram<br \/>\nMais duras penas<br \/>\nCadenas<\/p>\n<p>Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas<br \/>\nSofrem por seus maridos, poder e for\u00e7a de Atenas<br \/>\nQuando eles embarcam, soldados<br \/>\nElas tecem longos bordados<br \/>\nMil quarentenas<br \/>\nE quando eles voltam sedentos<br \/>\nQuerem arrancar violentos<br \/>\nCar\u00edcias plenas<br \/>\nObscenas<\/p>\n<p>Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas<br \/>\nDespem-se pros maridos, bravos guerreiros de Atenas<br \/>\nQuando eles se entopem de vinho<br \/>\nCostumam buscar o carinho<br \/>\nDe outras falenas<br \/>\nMas no fim da noite, aos peda\u00e7os<br \/>\nQuase sempre voltam pros bra\u00e7os<br \/>\nDe suas pequenas<br \/>\nHelenas<\/p>\n<p>Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas<br \/>\nGeram pros seus maridos os novos filhos de Atenas<br \/>\nElas n\u00e3o t\u00eam gosto ou vontade<br \/>\nNem defeito nem qualidade<br \/>\nT\u00eam medo apenas<br \/>\nN\u00e3o t\u00eam sonhos, s\u00f3 t\u00eam press\u00e1gios<br \/>\nO seu homem, mares, naufr\u00e1gios<br \/>\nLindas sirenas<br \/>\nMorenas<\/p>\n<p>Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas<br \/>\nTemem por seus maridos, her\u00f3is e amantes de Atenas<br \/>\nAs jovens vi\u00favas marcadas<br \/>\nE as gestantes abandonadas<br \/>\nN\u00e3o fazem cenas<br \/>\nVestem-se de negro, se encolhem<br \/>\nSe conformam e se recolhem<br \/>\n\u00c0s suas novenas<br \/>\nSerenas<\/p>\n<p>Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas<br \/>\nSecam por seus maridos, orgulho e ra\u00e7a de Atenas<\/p>\n<p>&#8211; Roda-viva  (Chico Buarque\/1967)<\/p>\n<p>Tem dias que a gente se sente<br \/>\nComo quem partiu ou morreu<br \/>\nA gente estancou de repente<br \/>\nOu foi o mundo ent\u00e3o que cresceu<br \/>\nA gente quer ter voz ativa<br \/>\nNo nosso destino mandar<br \/>\nMas eis que chega a roda-viva<br \/>\nE carrega o destino pra l\u00e1<\/p>\n<p>Roda mundo, roda-gigante<br \/>\nRodamoinho, roda pi\u00e3o<br \/>\nO tempo rodou num instante<br \/>\nNas voltas do meu cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A gente vai contra a corrente<br \/>\nAt\u00e9 n\u00e3o poder resistir<br \/>\nNa volta do barco \u00e9 que sente<br \/>\nO quanto deixou de cumprir<br \/>\nFaz tempo que a gente cultiva<br \/>\nA mais linda roseira que h\u00e1<br \/>\nMas eis que chega a roda-viva<br \/>\nE carrega a roseira pra l\u00e1<\/p>\n<p>Roda mundo (etc)<\/p>\n<p>A roda da saia, a mulata<br \/>\nN\u00e3o quer mais rodar, n\u00e3o senhor<br \/>\nN\u00e3o posso fazer serenata<br \/>\nA roda de samba acabou<br \/>\nA gente toma a iniciativa<br \/>\nViola na rua, a cantar<br \/>\nMas eis que chega a roda-viva<br \/>\nE carrega a viola pra l\u00e1<\/p>\n<p>Roda mundo (etc)<\/p>\n<p>O samba, a viola, a roseira<br \/>\nUm dia a fogueira queimou<br \/>\nFoi tudo ilus\u00e3o passageira<br \/>\nQue a brisa primeira levou<br \/>\nNo peito a saudade cativa<br \/>\nFaz for\u00e7a pro tempo parar<br \/>\nMas eis que chega a roda-viva<br \/>\nE carrega a saudade pra l\u00e1<\/p>\n<p>Roda mundo (etc)<\/p>\n<p>&#8211; O cio da terra (Milton Nascimento &#8211; Chico Buarque\/1977)<\/p>\n<p>Debulhar o trigo<br \/>\nRecolher cada bago do trigo<br \/>\nForjar no trigo o milagre do p\u00e3o<br \/>\nE se fartar de p\u00e3o<\/p>\n<p>Decepar a cana<br \/>\nRecolher a garapa da cana<br \/>\nRoubar da cana a do\u00e7ura do mel<br \/>\nSe lambuzar de mel<\/p>\n<p>Afagar a terra<br \/>\nConhecer os desejos da terra<br \/>\nCio da terra, a prop\u00edcia esta\u00e7\u00e3o<br \/>\nE fecundar o ch\u00e3o<\/p>\n<p>&#8211; Hist\u00f3ria de uma gata (Enriquez &#8211; Bardotti &#8211; Chico Buarque\/1977)<\/p>\n<p>O meu mundo era o apartamento<br \/>\nDetefon, almofada e trato<br \/>\nTodo dia fil\u00e9-mignon<br \/>\nOu mesmo um bom fil\u00e9&#8230;de gato<\/p>\n<p>Me diziam, todo momento<br \/>\nFique em casa, n\u00e3o tome vento<\/p>\n<p>Mas \u00e9 duro ficar na sua<br \/>\nQuando \u00e0 luz da lua<br \/>\nTantos gatos pela rua<br \/>\nToda a noite v\u00e3o cantando assim<\/p>\n<p>N\u00f3s, gatos, j\u00e1 nascemos pobres<br \/>\nPor\u00e9m, j\u00e1 nascemos livres<br \/>\nSenhor, senhora ou senhorio<br \/>\nFelino, n\u00e3o reconhecer\u00e1s<\/p>\n<p>De manh\u00e3 eu voltei pra casa<br \/>\nFui barrada na portaria<br \/>\nSem fil\u00e9 e sem almofada<br \/>\nPor causa da cantoria<\/p>\n<p>Mas agora o meu dia a dia<br \/>\n\u00c9 no meio da gataria<br \/>\nPela rua virando lata<br \/>\nEu sou mais eu, mais gata<br \/>\nNuma louca serenata<br \/>\nQue de noite sai cantando assim<\/p>\n<p>N\u00f3s, gatos, j\u00e1 nascemos pobres<br \/>\nPor\u00e9m, j\u00e1 nascemos livres<br \/>\nSenhor, senhora ou senhorio<br \/>\nFelino, n\u00e3o reconhecer\u00e1s<\/p>\n<p>-Homenagem ao malandro (Chico Buarque\/1977-1978)<\/p>\n<p>Eu fui fazer um samba em homenagem<br \/>\n\u00c0 nata da malandragem<br \/>\nQue conhe\u00e7o de outros carnavais<br \/>\nEu fui \u00e0 Lapa e perdi a viagem<br \/>\nQue aquela tal malandragem<br \/>\nN\u00e3o existe mais<br \/>\nAgora j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 normal<br \/>\nO que d\u00e1 de malandro regular, profissional<br \/>\nMalandro com aparato de malandro oficial<br \/>\nMalandro candidato a malandro federal<br \/>\nMalandro com retrato na coluna social<br \/>\nMalandro com contrato, com gravata e capital<br \/>\nQue nunca se d\u00e1 mal<br \/>\nMas o malandro pra valer<br \/>\n&#8211; n\u00e3o espalha<br \/>\nAposentou a navalha<br \/>\nTem mulher e filho e tralha e tal<br \/>\nDizem as m\u00e1s l\u00ednguas que ele at\u00e9 trabalha<br \/>\nMora l\u00e1 longe e chacoalha<br \/>\nNum trem da Central<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Postado por Rodolfo Stipp Martino<\/p>\n<p>7 m\u00fasicas para comemorar hoje os 70 anos de Chico Buarque:<\/p>\n<p>&#8211; Vida  (Chico Buarque\/1980) <\/p>\n<p>Vida, minha vida<br \/>\nOlha o que \u00e9 que eu fiz<br \/>\nDeixei a fatia<br \/>\nMais doce da vida<br \/>\nNa mesa dos homens<br \/>\nDe vida vazia<br \/>\nMas,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12820","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12820","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12820"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12820\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15203,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12820\/revisions\/15203"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12820"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12820"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12820"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}