{"id":12841,"date":"2014-07-22T00:00:00","date_gmt":"2014-07-22T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:11:46","modified_gmt":"2017-09-15T19:11:46","slug":"os-sonhos-de-antero","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/os-sonhos-de-antero\/","title":{"rendered":"Os sonhos de Antero"},"content":{"rendered":"<p>\u201cO amor quando acontece<br \/>\nA gente esquece logo<br \/>\nQue sofreu um dia\u201d<\/p>\n<p>Os versos da can\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Bosco ainda ressoavam em sua cabe\u00e7a quando chegou ao audit\u00f3rio para participar da tal palestra da empresa. O quarent\u00e3o Antero n\u00e3o vivia l\u00e1 um grande momento em termos pessoais. Especialmente porque, com o fim do casamento, um tanto traum\u00e1tico, sentia-se assim, como direi, um tanto fora de jogo. Sem coragem para enfrentar novos relacionamentos.<\/p>\n<p>\u201cMais pra l\u00e1 do que pra c\u00e1\u201d, como dizia aos amigos que insistiam em tir\u00e1-lo da sozinhez e lev\u00e1-lo para as baladas da vida.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que a galera n\u00e3o abria m\u00e3o de provoc\u00e1-lo.<\/p>\n<p>&#8211; Vamos, Antero, mas, quando for apresentado \u00e0s minas, n\u00e3o diz que chama<br \/>\nAntero que elas v\u00e3o lhe chamar de tio&#8230; av\u00f4.<\/p>\n<p>Nessa toada, Antero preferia a rotina casa\/trabalho, trabalho\/casa. Mas, aquela palestra institucional era for\u00e7ar demais a barra. Ningu\u00e9m merece tamanho palavr\u00f3rio.<\/p>\n<p>&#8211; Tanta coisa pra fazer por aqui &#8211; e a gente l\u00e1, de bobeira, ouvindo platitudes e utopias. Sou capaz de dormir, e passar vexame.<\/p>\n<p>(Esqueci de dizer que Antero tinha certo verniz no vocabul\u00e1rio. Era um tanto \u2018coxinha\u2019 e desconfio que foi isso que fez com a mulher ca\u00edsse fora. Mulher alguma aguenta o seu lindo-lind\u00e3o logo pela manh\u00e3 saud\u00e1-la com frases do tipo: \u201cQue esplendorosa noite de amor tivemos ontem!\u201d)<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Mas, voltemos ao audit\u00f3rio, onde o palestrante palestrava em voz morna e pouco inspiradora enquanto Antero lutava para n\u00e3o sucumbir a um embriagador cochilo. <\/p>\n<p>Decididamente n\u00e3o dava para prestar aten\u00e7\u00e3o no que dizia o senhorzinho de terno escuro de riscas brancas. <\/p>\n<p>Vislumbrou algumas fileiras a sua frente uma mo\u00e7a de perfil lindo. Era Viviane que virara o rosto para conversar com a colega ao lado. Ele a conhecia dos corredores da empresa e de outros semin\u00e1rios. Cumprimentavam-se, sorriam e s\u00f3. <\/p>\n<p>Mas, sentia que havia uma \u2018sinergia\u2019 entre ambos,<\/p>\n<p>(Falei que o cara era rebuscado no linguajar).<\/p>\n<p>Gostou da ideia de estar t\u00e3o perto dela.<\/p>\n<p>III. <\/p>\n<p>Saboreou o momento e se p\u00f4s divagar sobre a expectativa do que poderia vir a ser. Sentiu-se levezinho e algo feliz. <\/p>\n<p>N\u00e3o tardou a concluir que Vivi era a raz\u00e3o do tudo e do nada.<\/p>\n<p>Indiferente aos sonhos de Antero, o discurso do palestrante continuava arrastado e sem fim.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o fosse a mo\u00e7a, certamente teria arranjado uma desculpa para escafeder-se dali.<\/p>\n<p>Talvez o sono j\u00e1 o tivesse derrubado da cadeira, invadido a mente e a alma.<\/p>\n<p>O cora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o. <\/p>\n<p>O cora\u00e7\u00e3o, Antero descobrira agora, j\u00e1 estava ocupado pelos encantos de Viviane,<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Agora era se fazer notar e, na primeira oportunidade, lhe dizer do mais esplendoroso sentimento que ora lhe acalentava sonhos e devaneios.<\/p>\n<p>Antero, decididamente, fazia jus ao nome de poeta e trovador&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO amor quando acontece<br \/>\nA gente esquece logo<br \/>\nQue sofreu um dia\u201d<\/p>\n<p>Os versos da can\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Bosco ainda ressoavam em sua cabe\u00e7a quando chegou ao audit\u00f3rio para participar da tal palestra da empresa.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12841","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12841","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12841"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12841\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15183,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12841\/revisions\/15183"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12841"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12841"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12841"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}