{"id":12850,"date":"2014-07-30T00:00:00","date_gmt":"2014-07-30T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T03:42:36","modified_gmt":"2017-09-14T03:42:36","slug":"os-amigos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/os-amigos\/","title":{"rendered":"Os amigos *"},"content":{"rendered":"<p>Eu, o Poeta e o Escova somos remanescente da turma de mequetrefes e falidos que se reunia, dia sim e outro tamb\u00e9m, naquele Sujinho malfalado e malfalante da esquina da rua Bom Pastor com a rua Greenfeld, onde o bus\u00e3o F\u00e1brica- Pinheiro bufafa e gemia para fazer a curva e seguir adiante.<\/p>\n<p>O Sujinho desapareceu para que, no lugar, se erguesse a portentosa Esta\u00e7\u00e3o Sacom\u00e3, do Metr\u00f4. Simultaneamente desapareciam, nos escombros da vida e dos amores, os melhores dias. Alguns chegados partiram \u2018antes do combinado\u2019. Outros tantos, bra\u00e7o dado com a desilus\u00e3o, ganharam o mundo, perderam-se por a\u00ed, viraram av\u00f3s \u2013 enfim, n\u00e3o deram mais a cara.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Os patetas supracitados ainda insistem em se reunir, de quando em quando, em um boteco qualquer nas imedia\u00e7\u00f5es, S\u00f3 para fazer de conta que ainda somos, fazemos e acontecemos. Lembramos os amigos ausentes, os causos que tumultuaram aqueles dias (e divertiram tamb\u00e9m) e tergiversamos sobre as coisas e o mundo.<\/p>\n<p>No m\u00ednimo, diz o Poeta, eu tenho assunto para um novo livro \u2013 uma clara alus\u00e3o ao meu livro de 2010, Meus Caros Amigos \u2013 Cr\u00f4nicas Sobre Jornalistas, Bo\u00eamios e Paix\u00f5es.<\/p>\n<p>III. <\/p>\n<p>\u00c9 uma alfinetada, sei bem.<\/p>\n<p>Cometi um pecado mortal ao compilar as cr\u00f4nicas do livro e n\u00e3o escolher nenhuma em que o Poeta aparece. <\/p>\n<p>Por isso ainda hoje ou\u00e7o a resenha do amigo:<\/p>\n<p>\u201cO livro \u00e9 razoavelzinho, mas precisa de uma continua\u00e7\u00e3o para dar a ideia exata do que \u00e9ramos e fomos.\u201d<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Tranquilizem-se amigos leitores, n\u00e3o passa pelos meus planos um Meus Caros Amigos (2). Ou\u00e7o a proposta do Poeta e desconverso. Na fase em que estamos, magoar um amigo \u00e9 o mais grave dos pecados.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Todo o \u2018mimimi\u2019 do post de ontem se justifica.<\/p>\n<p>Ainda na manh\u00e3 deste s\u00e1bado, voltamos a nos encontrar como nos velhos tempos.<\/p>\n<p>Andamos pelas ruas do antigo Ponto F\u00e1brica, olhamos o movimento das lojas (fraco) e nos instalamos no primeiro canto apraz\u00edvel de bar para nossas rememora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Nos primeiros momentos da roda, tentei introduzir o tema que outrora nos fascinava: futebol. Um palmeirense, um corintiano, um s\u00e3opaulino na mesa \u2013 e nem assim o papo rolou, Depois do sapeca Iai\u00e1 que a Alemanha nos presenteou na Copa do Mundo, o assunto ficou chocho-chocho e n\u00e3o progrediu.<\/p>\n<p>O Escova, o nosso Dom Juan das Quebradas do Sacom\u00e3, puxou pelas lembran\u00e7as de casos \u2018rumorosos\u2019 que viveu no tempo em que, a cada esquina, encontrava \u2018a verdadeira mulher da sua vida\u2019. J\u00e1 ouvimos essas hist\u00f3rias centenas de vezes, e n\u00e3o reagimos \u00e0 narrativa do amigo.<\/p>\n<p>O Poeta nos surpreendeu. Trouxe uma informa\u00e7\u00e3o que sequer desconfi\u00e1vamos.<br \/>\nDisse estar saudoso dos tempos em que morou em Arraial D\u2019Ajuda, na rua paralela \u00e0 igrejinha, um dos pontos tur\u00edsticos do local.<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>Eu olhei para o Escova, que n\u00e3o perdoou: <\/p>\n<p>&#8211; Que novidade \u00e9 essa, compadre? <\/p>\n<p>&#8211; Foi no in\u00edcio dos anos 80, antes de conhec\u00ea-lo. Fiquei um ano e meio l\u00e1.<\/p>\n<p>&#8211; T\u00f4 at\u00e9 vendo o Poeta hiponga a escrever versos (que ningu\u00e9m nunca leu) nas areias.<\/p>\n<p>&#8211; Deixa de bobagem, Rodolfo. Eu pensava em abrir uma pousada \u2013 e l\u00e1 ficar para o resto da vida.<\/p>\n<p>&#8211; Porque desistiu da ideia, perguntei.<\/p>\n<p>&#8211; O Plano Collor confiscou meu dinheiro \u2013 e n\u00e3o tive como tocar o neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>&#8211; Mas, isso foi em mar\u00e7o de 1990 \u2013 ponderou o Escova.<\/p>\n<p>&#8211; Ent\u00e3o, foi o que eu disse&#8230;<\/p>\n<p>Eu ia polemizar. Mas o Escova me fez um sinal pra deixar pra l\u00e1 \u2013 e mudar de assunto.<\/p>\n<p>VIII.<\/p>\n<p>Rapidamente, e na sequ\u00eancia, disse que um velho amigo dera not\u00edcia por email.<\/p>\n<p>O ex-vereador Almir Guimar\u00e3es est\u00e1 engajado na campanha de Paulo Skaf para o governo de S\u00e3o Paulo e disparou convite a todos os amigos do Ipiranga e adjac\u00eancias para uma reuni\u00e3o na sede da Distrital do Ipiranga da Associa\u00e7\u00e3o Comercial de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Foi um dia desses de julho, eu estava viajando. N\u00e3o pude ir.<\/p>\n<p>Escova e o Poeta n\u00e3o receberam qualquer comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo assim, se posicionaram:<\/p>\n<p>&#8211; O lobo perde o pelo&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; &#8230;Mas, n\u00e3o perde o v\u00edcio.<\/p>\n<p>(Escova come\u00e7ou e o Poeta concluiu a senten\u00e7a.) <\/p>\n<p>Skaf n\u00e3o ser\u00e1 necessariamente nosso candidato, mas nem por isso deixamos de brindar a disposi\u00e7\u00e3o de Almir para a vida p\u00fablica. Tintim!<\/p>\n<p>IX.<\/p>\n<p>Nem bem colocamos os copos sobre o tampo da mesa, e l\u00e1 estava o Poeta a anunciar uma proposta, a princ\u00edpio, irrecus\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8211; E se tent\u00e1ssemos reencontrar os amigos para um encontro em que lembrar\u00edamos os velhos tempos?<\/p>\n<p>Pegos de surpresa, nem eu, nem o Escova ousamos dizer palavra.<\/p>\n<p>Ele continuou:<\/p>\n<p>&#8211; Sei que muitos dos nossos se foram. Mas, outros tantos est\u00e3o por a\u00ed. O Almir, o Tor\u00f3, o Durval, o Geraldinho, o Manoelino, o Cebola e outros mais. Seria bom rev\u00ea-los, reunir o pessoal. N\u00e3o acham?<\/p>\n<p>X.<\/p>\n<p>A sugest\u00e3o ganhou momentos silenciosos de reflex\u00e3o, mais ou menos nessa linha: juntar essa trempa de coroas seria uma proeza \u2013 e tanto. H\u00e1 tempos perdemos contato com muitos. <\/p>\n<p>Mas, pensando melhor, como seria esse reencontro \u2013 perguntei.<\/p>\n<p>&#8211; No bar ou em alguma casa de repouso? &#8211; provocou o Escova sempre gozador. \u2013 <\/p>\n<p>Com ou sem ambul\u00e2ncia de plant\u00e3o.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o: onde encontr\u00e1-los?<\/p>\n<p>&#8211; Talvez, no facebook, insistiu Escova. \u2013 Basta procurar pelos netos dos \u2018figuras.\u2019<\/p>\n<p>XI.<\/p>\n<p>Rimos da nossa ingenuidade.<\/p>\n<p>Os tempos s\u00e3o outros.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como recuperar a magia daqueles dias que se transformavam em noites e tornavam a amanhecer, sem que nos d\u00e9ssemos conta que a vida se nos escorria pelos v\u00e3os dos dedos.<\/p>\n<p>O saudoso Nasci gostava de usar essa imagem: o tempo a se esvair, implac\u00e1vel, cont\u00ednuo.<\/p>\n<p>Brindamos tamb\u00e9m em mem\u00f3ria deste amigo.<\/p>\n<p>Depois lembramos o verso de antiga can\u00e7\u00e3o (que vez ou outra eu cito por aqui) e creio cabe repeti-lo:<\/p>\n<p>O tempo n\u00e3o para no porto<br \/>\nN\u00e3o apita na curva<br \/>\nN\u00e3o espera ningu\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu, o Poeta e o Escova somos remanescente da turma de mequetrefes e falidos que se reunia, dia sim e outro tamb\u00e9m, naquele Sujinho malfalado e malfalante da esquina da rua Bom Pastor com a rua Greenfeld,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-12850","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-parangoles"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12850","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12850"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12850\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13914,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12850\/revisions\/13914"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12850"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12850"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12850"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}