{"id":12898,"date":"2014-06-02T00:00:00","date_gmt":"2014-06-02T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T03:44:04","modified_gmt":"2017-09-14T03:44:04","slug":"pioneiros-do-rock","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/pioneiros-do-rock\/","title":{"rendered":"Pioneiros do rock *"},"content":{"rendered":"<p>Volto a ser instigado pelo amigo Marcelo para falar dos prim\u00f3rdios (gostaram?) do rock no Brasil. Ele me pergunta se conhe\u00e7o Carlos Gonzaga e se tudo come\u00e7ou ali, quando o cantor gravou a vers\u00e3o de \u201cDiana\u201d e fez um enorme sucesso. Isso no fim dos anos 50, in\u00edcio dos 60.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi bem assim, digo.<\/p>\n<p>A cantora Nora Ney foi a primeira a gravar a um rock por aqui. Em 1955, ela interpretou a vers\u00e3o de \u201cRock Around The Clock\u201d (\u201cRondas das Horas\u201d) para surpresa geral, pois era uma cantora de dolentes sambas-can\u00e7\u00f5es, como \u201cNingu\u00e9m \u00c9 de Ningu\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>No auge da fama, Cauby Peixoto tamb\u00e9m incluiu no repert\u00f3rio a sacudida \u201cMarina\u201d, tamb\u00e9m uma vers\u00e3o, para o que ent\u00e3o se dizia chamar \u201cm\u00fasica para a juventude\u201d.<\/p>\n<p>Mas, nem um dos tr\u00eas \u2013 Gonzaga, Nora e Cauby \u2013 podem ser considerados roqueiros.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>A primeira gera\u00e7\u00e3o a se identificar com o g\u00eanero &#8211; e se reconhecer como roqueiros &#8211; re\u00fane nomes como Ronnie Cord, Meire Pav\u00e3o, Tony Campello, Celi Campello, S\u00e9rgio Murilo, Dem\u00e9trius, Wilson Miranda, entre outros menos cotados. <\/p>\n<p>Por essa \u00e9poca, esses jovens int\u00e9rpretes emplacaram sucessos inesquec\u00edveis (como \u201cRua Augusta\u201d, \u201cBiqu\u00edni de Bolinha Amarelinha\u201d, \u201cBanho de Lua\u201d, \u201cEst\u00fapido C\u00fapido\u201d, \u201cRitmo da Chuva\u201d, \u201cCorina\u201d, \u201cMarcianita\u201d, \u201cDomingo de Sol\u201d, \u201cOh! Carol\u201d) e provocaram a apari\u00e7\u00e3o nas r\u00e1dios do disk-j\u00f3quei especializado no g\u00eanero. Programas como \u201cOs Brotos Comandam\u201d, de Luiz Aguiar, na r\u00e1dio Bandeirantes, era um dos l\u00edderes de audi\u00eancia.<\/p>\n<p>O r\u00e1dio era o grande ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o da \u00e9poca. Os musicais na TV eram t\u00edmidos e sua repercuss\u00e3o, idem. <\/p>\n<p>Publicamente, esses artistas participavam das chamadas \u2018caravanas dos artistas\u2019 que percorriam as cidades do Interior, com shows em cinemas e teatros nos finais de semana.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Normalmente, quem capitaneava essas excurs\u00f5es eram disks-j\u00f3queis ou mesmo alguns emergentes apresentadores de TV. Exemplo: Abelardo Barbosa, o Chacrinha, manteve sua caravana durante muitos anos, mesmo no auge do seu programa na Globo.<\/p>\n<p>Era, como dizem, uma m\u00e3o lavando a outra. O apresentador divulgava a m\u00fasica no programa dele e o artista era uma das atra\u00e7\u00f5es da caravana. Todos faturavam e eram felizes.<br \/>\nIV.<\/p>\n<p>Vale dizer que a meninada a\u00ed de cima n\u00e3o trazia em si qualquer tra\u00e7o de rebeldia juvenil. Mesmo a letra de um dos primeiros hits, \u201cRua Augusta\u201d \u2013 \u2018entrei na rua Augusta a 120 por hora\u2019 \u2013 era mais uma alegoria do que propriamente retratava a realidade da \u00e9poca. Seu autor era um cinquent\u00e3o, maestro Herv\u00ea Cordovil, pai de Ronnie Cord, o int\u00e9rprete \u2013 a saber, no registro de nascimento, Ronaldo Cordovil.<\/p>\n<p>Caras e bocas de James Dean passavam longe desse pessoal, quando muito suas atitudes proclamadas em filmes como \u201cJuventude Transviada\u201d.<\/p>\n<p>O m\u00e1ximo que os rapazes se permitiam era caprichar na brilhantina para segurar um empinado topete, \u00e0 la Elvis, sobre a testa. As mo\u00e7as n\u00e3o iam al\u00e9m da meia soquete e dos banhos de Lua, propostos pela can\u00e7\u00e3o de Celi Campello.<\/p>\n<p>\u201cBiqu\u00edni de bolinha amarelinha t\u00e3o pequenininho\u201d era mais promessa do que atitude. <\/p>\n<p>Tempos ing\u00eanuos, de sucessos r\u00e1pidos que se sucediam e se substitu\u00edam implacavelmente.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>A d\u00e9cada de 60 era mesmo uma era de mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>Logo quatro cabeludos de Liverpool trouxeram um novo layout para sonoridade dos jovens. <\/p>\n<p>Trouxeram tamb\u00e9m outras novidades: o fim do topete e o aparecimento das madeixas longas para os marmanjos. <\/p>\n<p>Tinham tamb\u00e9m um jeit\u00e3o iconoclasta de se trajar.<\/p>\n<p>A princ\u00edpio, foi um furor menos avassalador do que o surgimento, anos antes, de Elvis Presley \u2013 penso que nem os jovens daqui os entendiam direito. <\/p>\n<p>No entanto, os Beatles se revelaram um fen\u00f4meno, digamos, mais duradouro.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Foi inspirada mais nesses e mais remotamente em Elvis que, a\u00ed sim, surge a segunda gera\u00e7\u00e3o do rock tupiniquim.<\/p>\n<p>O grande diferencial se d\u00e1 quando a m\u00fasica popular brasileira ganha a cumplicidade da televis\u00e3o.<\/p>\n<p>As transforma\u00e7\u00f5es aparecem com o sucesso do primeiro festival da can\u00e7\u00e3o na TV Excelsior. Revela ainda uma cantora esfuziante, Elis Regina, entre outros de uma gera\u00e7\u00e3o inigual\u00e1vel.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, sim, se d\u00e1 o terremoto cultural. Que n\u00e3o deixa pedra sobre pedra sobre o estabelecido e o convencional.<br \/>\nVII.<\/p>\n<p>O que tem a ver Elis com o rock?<\/p>\n<p>Calma meu senhor, calminha senhora minha, n\u00e3o abandonem este humilde narrador logo agora que nos encaminhamos para o post final da s\u00e9rie \u201cPioneiros do Rock\u201d:<\/p>\n<p>Explico:<\/p>\n<p>A TV Record resolveu apostar em musicais para sua grade de programa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Amparou-se, para tanto, na engenhosidade dos membros da chamada Equipe A (Tuta, N\u00edlton Travesso, Manoel Carlos e Raul Duarte) e come\u00e7ou tomando para si as r\u00e9deas da organiza\u00e7\u00e3o dos festivais (de 66 a 69). Outro passo foi a contrata\u00e7\u00e3o de Elis Regina para comandar um programa de TV, com os bambas da emergente MPB.<\/p>\n<p>Outra bola dentro. Sucesso imediato.<\/p>\n<p>VIII.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, o Sr. Imponder\u00e1vel de Almeida (salve N\u00e9lson Rodrigues) agiu forte. Uma inesperada pinimba com os clubes e a Federa\u00e7\u00e3o Paulista de Futebol deixou vago o hor\u00e1rio das transmiss\u00f5es dos jogos do campeonato paulista nas tarde de domingo.<\/p>\n<p>O que fazer?<\/p>\n<p>IX.<\/p>\n<p>Outro lance de genialidade. <\/p>\n<p>A Equipe A passou a cogitar um programa para os jovens e adolescentes que, das quatro a seis das tardes de domingo, tinham como programa obrigat\u00f3rio as matin\u00e9s dos cinemas da cidade.<\/p>\n<p>A encabe\u00e7ar a parada de sucesso da \u00e9poca, um roquezinho maneiro que relacionava, um a um, quem era os tais cantores da juventude de ent\u00e3o. Seu int\u00e9rprete era um grandalh\u00e3o de voz t\u00edmida, Erasmo Carlos, e a can\u00e7\u00e3o \u201cFesta de Arromba\u201d seria inclusive o nome do programa.<\/p>\n<p>X.<\/p>\n<p>Vejam o que \u00e9 o destino.<\/p>\n<p>Chamaram Erasmo para conversar e fazer uns testes de fotogenia. Queriam ver como ele se sa\u00eda diante das c\u00e2meras. <\/p>\n<p>Erasmo deu conta do recado.<\/p>\n<p>Mas, ao final da conversa, fez uma proposta aos seus interlocutores:<\/p>\n<p>&#8212; Posso trazer um amigo, tamb\u00e9m cantor, para comandar o programa comigo?<\/p>\n<p>XI.<\/p>\n<p>O amigo em quest\u00e3o chamava-se Roberto \u201cCalhambeque\u201d Carlos. At\u00e9 que cantava afinadinho. Tinha um olhar triste e uma empatia imediata como p\u00fablico feminino.<\/p>\n<p>O programa mudou de nome.<\/p>\n<p>Passou a se chamar Jovem Guarda \u2013 e, a hist\u00f3ria que veio a seguir, todos n\u00f3s sabemos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volto a ser instigado pelo amigo Marcelo para falar dos prim\u00f3rdios (gostaram?) do rock no Brasil. 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