{"id":12911,"date":"2014-09-28T00:00:00","date_gmt":"2014-09-28T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:08:13","modified_gmt":"2017-09-15T19:08:13","slug":"breve-memoria-de-um-homem-barbado-4","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/breve-memoria-de-um-homem-barbado-4\/","title":{"rendered":"Breve mem\u00f3ria de um homem barbado (4)"},"content":{"rendered":"<p>X.<\/p>\n<p>Para efeito de registro hist\u00f3rico, vale registrar que a primeira a usar acanhaque que vi na vida foi o cantor Luiz Vieira, autor de \u201cMenino Passarinho\u201d, entre outros sucessos do nosso cancioneiro, isso l\u00e1 em fins dos anos 50.<\/p>\n<p>Continuemos, pois.<\/p>\n<p>Acabei por me habituar a ver meu rosto ornado por um cavanhaque aparado em m\u00e1quino um e frisado cuidadosa e artisticamente pela navalha do amigo Ab\u00edlio.<\/p>\n<p>Assim fiquei por anos e anos a fios.<\/p>\n<p>Mudei de emprego, cheguei aos cinquenta e deixei de frequentar assiduamente o bairro do Ipiranga.<\/p>\n<p>Em outras palavras, diquei distante do aux\u00edlio do luxuoso do Ab\u00edlio para manter, nos rigores da est\u00e9tica, minha barbicha aprumada.<\/p>\n<p>O resultado n\u00e3o poderia ser pior.<\/p>\n<p>Ca\u00ed na vida.<\/p>\n<p>Quer dizer, passei de m\u00e3o em m\u00e3o de profissionais v\u00e1rios, uns mais, outros menos competentes. E digamos: perigosos.<\/p>\n<p>XI.<\/p>\n<p>Voc\u00eas riem, incautos leitores que ainda persistem em aqui me acompanhar, porque n\u00e3o imaginam a aventura que \u00e9  ficar ali deitado, sob um avental de origem suspeita, com um cidad\u00e3o desconhecido ao seu lado com uma l\u00e2mina na m\u00e3o.<\/p>\n<p>Pequenos talhos no rosto foram v\u00e1rios. <\/p>\n<p>A cada semana, o cavanhaque ganhava formas \u2013 por vezes tortuosas &#8211; e densidade a bel prazer do autor da fa\u00e7anha.  <\/p>\n<p>E n\u00e3o adiantava falar, pedir, implorar para que era s\u00f3 uma aparadinha \u2013 e pronto.<\/p>\n<p>Nos sal\u00f5es mais modernos, habituados aos tais metrossexuais, era comum ser \u201cassediado\u201d para fazer uma depila\u00e7\u00e3o geral \u2013 tirar os pelos do nariz, dos ouvidos, acertar as sobrancelhas&#8230;<\/p>\n<p>Eu, hein!<\/p>\n<p>Encerrava o papo numa s\u00f3 tacada:<\/p>\n<p>&#8211; S\u00f3 quero acertar o cavanhaque, pode ser?<\/p>\n<p>XII.<\/p>\n<p>Certa ocasi\u00e3o, manh\u00e3 de s\u00e1bado, lembro bem, o Vieira, um dos profissionais da tesoura mais confi\u00e1veis, simplesmente atropelou com m\u00e1quina zero o meu cavanhaque. Eu e ele ficamos arrasados com \u201co acidente de trabalho\u201d. Depois, ele n\u00e3o quis cobrar \u2013 mas eu paguei \u2013 e me confessou. <\/p>\n<p>Estava devastado.<\/p>\n<p>A doce Nanda, sua mulher, o abandonara.<\/p>\n<p>Tudo bem.<\/p>\n<p>Vida que segue.<\/p>\n<p>O drama dele era bem maior que o meu.<\/p>\n<p>Semana seguinte, eu j\u00e1 exibia uma barbinha \u00e0 moda do Jeca Tatu.<\/p>\n<p>Mas, a \u201cnamorilda\u201d dele estava com jeito de que se escafedera de vez.<\/p>\n<p>*amanh\u00e3 continua&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>X.<\/p>\n<p>Para efeito de registro hist\u00f3rico, vale registrar que a primeira a usar acanhaque que vi na vida foi o cantor Luiz Vieira, autor de \u201cMenino Passarinho\u201d, entre outros sucessos do nosso cancioneiro,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12911","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12911","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12911"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12911\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15121,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12911\/revisions\/15121"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}