{"id":12913,"date":"2014-09-30T00:00:00","date_gmt":"2014-09-30T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T03:41:25","modified_gmt":"2017-09-14T03:41:25","slug":"memorial-de-um-homem-barbado","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/memorial-de-um-homem-barbado\/","title":{"rendered":"Memorial de um homem barbado"},"content":{"rendered":"<p>Homens usam chap\u00e9us.<\/p>\n<p>Meninos usam bon\u00e9s.<\/p>\n<p>No tempo dos meus av\u00f4s, as verdades eram absolutas, incontest\u00e1veis.<\/p>\n<p>Em uma de suas deliciosas cr\u00f4nicas, Rubem Braga saudou aqueles dias:<\/p>\n<p>\u201cEu sou do tempo em que todos os telefones eram pretos e as geladeiras, todas, eram brancas\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o conheci o v\u00f4 Rodolfo que era alfaiate (morreu meses antes de eu nascer), mas convivi com o v\u00f4 Carlito que era chefe da se\u00e7\u00e3o de chapelaria da Ramenzzoni, no Cambuci.<\/p>\n<p>Eu era um garoto curioso que via o pai escanhoar o rosto todo o santo o dia.<\/p>\n<p>&#8211; Marmanjo com a barba por fazer \u00e9 o c\u00famulo do desmazelo<\/p>\n<p>Fosse qual fosse a classe social, do oper\u00e1rio ao patr\u00e3o, era imperdo\u00e1vel apresentar-se socialmente sem estar com o rosto raspado e devidamente borrifado com lo\u00e7\u00e3o, tipo \u00c1gua Velva.<\/p>\n<p>O pai cultivava, com esmero, de um fino bigode no melhor estilo Clark Gable, em O Vento Levou.<\/p>\n<p>Era o m\u00e1ximo que se permitia em termos de pelos no rosto.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>N\u00e3o lembro exatamente quando as coisas come\u00e7aram a mudar.<\/p>\n<p>Mas, a\u00ed eu j\u00e1 era um rapazote, f\u00e3 dos Beatles e dos Rolling Stone.<\/p>\n<p>Pensando melhor.<\/p>\n<p>Talvez tenha sido na segunda fase dos Beatles que desandou o formalismo dos padr\u00f5es est\u00e9ticos vigentes.<\/p>\n<p>Paul, Ringo, John e Harrison viajaram para a \u00cdndia, conversaram com um guru, toparam com as tais \u201cexperi\u00eancias m\u00edsticas\u201d e voltaram cheios de ideinhas e larga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Abandonaram os terninhos sem gola, as franjinhas bem aparadas e as botinhas rebrilhantes para consagrar um estilo mais descolado. Cabelos longos, desgrenhados que s\u00f3 e barbas a reverenciar os profetas e os ermit\u00f5es.<\/p>\n<p>A capa do hist\u00f3rico disco Abbey Road \u00e9 a melhor prova da mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Depois vieram os hippies e escancararam.<\/p>\n<p>Levaram o relaxo, com estilo, \u00e0s \u00faltimas conseq\u00fc\u00eancias.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Mesmo assim, s\u00f3 a rapaziada alternativa enfrentava a barra de ignorar os padr\u00f5es convencionais.<\/p>\n<p>Para trabalhar em um banco, por exemplo, o interessado precisava vestir-se adequadamente (tons escuros de terno, camisa clara e a indispens\u00e1vel gravata) e usar cabelos bem aparados (que n\u00e3o ro\u00e7asse o colarinho da camisa) e o rosto a exibir aquela pele lisinha, lisinha, como se fosse um bumbum de beb\u00ea.<\/p>\n<p>Quem escapasse desses padr\u00f5es, podia ser o g\u00eanio das finan\u00e7as, seria eliminado na primeira etapa da sele\u00e7\u00e3o de candidatos.<br \/>\nIV.<\/p>\n<p>Quando adentrei (gostaram do termo?) \u00e0 velha reda\u00e7\u00e3o de O Di\u00e1rio da Noite (minha primeira experi\u00eancia na \u00e1rea, e que durou breves semanas), notei que alguns dos meus futuros ex-colegas j\u00e1 exibiam sinais de, digamos, fadiga de material: ternos mal-ajambrados, gravatas afrouxadas no colarinho e barba de dias por fazer.<\/p>\n<p>N\u00e3o inspiravam um futuro promissor para qualquer jovem rep\u00f3rter.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m pudera&#8230;<\/p>\n<p>O jornal caminhava para o inexor\u00e1vel fim. Os sinais de decad\u00eancia eram vis\u00edveis e, imagino, alguns dos valentes profissionais que l\u00e1 estavam j\u00e1 presumiam o que lhes reservava o destino.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o era exatamente \u201cum playboyzinho\u201d, como se dizia ent\u00e3o. Mas, gostava de uns panos diferentes e usava (\u00ea saudade!) cabelos mais cumpridos. Ainda estranhava quem deixasse a barba crescer ou mesmo exibisse um cavanhaque (barba de ponta, como se diz em Portugal), tipo Raul Seixas.<\/p>\n<p>\u201cMuito esquisito\u201d, disse, certa vez, ao Zezinho, um amigo gozador, sobre a apar\u00eancia do Maluco Beleza.<\/p>\n<p>Zezinho trabalhava como digitador no jornal e n\u00e3o perdoou meu coment\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cEsquisito \u00e9 comer macarr\u00e3o com arroz\u201d.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Quando comecei a trabalhar em Gazeta do Ipiranga, tomei um susto danado ao ser apresentado para um dos propriet\u00e1rios, o jornalista Tonico Marques (o inesquec\u00edvel, Marc\u00e3o). Na ladeira dos sessenta e poucos, fazia o estilo despojado para um executivo &#8211; cal\u00e7a rancheira, camisa aberta ao peito e um indefect\u00edvel bon\u00e9 de jeans a equilibrar na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Achei superbacana e, definitivamente, aposentei o conceito do v\u00f4 Carlito chap\u00e9u\/bon\u00e9\/homem\/menino.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Comecei a pensar em deixar a barba crescer quando me dei conta de que enfrentar o espelho todos os dias era chato demais.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi uma decis\u00e3o consciente.<\/p>\n<p>Mas, sim, uma larga\u00e7\u00e3o natural. Deixei de fazer a barba um dia, depois dois, depois s\u00f3 dava um tapa no fim de semana at\u00e9 que&#8230;<\/p>\n<p>Outro fato inspirador foi ver Afonsinho, volante do Botafogo e do Santos, em campo a exibir barba e cabelos cumpridos e desgrenhados. Afonsinho era um craque \u2013 o primeiro rebelde do Planeta Bola\/Brasil. Queria ser livre \u2013 e era. Jogou a Lei do Passe no ventilador.<\/p>\n<p>Desconfio, c\u00e1 com meus bot\u00f5es, que foi uma das raras influ\u00eancias de outro barbado incomum, o saudoso S\u00f3crates, o Brasileiro.<br \/>\nVII.<\/p>\n<p>Assumi a barba nos anos 80. J\u00e1 era trint\u00e3o e o mundo j\u00e1 n\u00e3o prezava tanto assim os carinhas raspadas. No Brasil, a gente come\u00e7ava a viver firmemente os bons ventos da redemocratiza\u00e7\u00e3o \u2013 e um certo sindicalista barbudo meteu a boca no trombone e, de forma surpreendente, mostrou que caminh\u00e1vamos para novos tempos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m por essa \u00e9poca \u2013 talvez, um pouco depois, entre 86 e 87 \u2013 fez muito sucesso um filme incandescente, Nove Semanas e Meia de Amor. O protagonista, o ator Mickey Rourke, vivia intensos ralas-e-rolas com a lind\u00edssima Kim Basinger.<\/p>\n<p>Vou lhes contar. Era de fazer inveja a qualquer Dom Juan de periferia. O tipo dava pinta de n\u00e3o estar nem a\u00ed com a vida e os compromissos e, nas horas vagas (quase todas, diga-se) dava uns sapecas legais na loira\u00e7a. De quebra, exibia o que se convencionou chamar de \u201cbarba de tr\u00eas dias\u201d, bem ralinha, tipo \u201cn\u00e3o fiz hoje, quem sabe amanh\u00e3 eu fa\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p>VIII.<\/p>\n<p>Explico logo que citei os exemplos acima s\u00f3 para registro hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi nenhum desses modelos que me inspirou.<\/p>\n<p>Tinha mesmo \u2013 como disse em cr\u00f4nica anterior \u2013 pregui\u00e7a de enfrentar o espelho e o barbeador diariamente.<\/p>\n<p>Ademais, havia bem perto da Reda\u00e7\u00e3o uma velha barbearia, capitaneada pelo ent\u00e3o setent\u00e3o Ab\u00edlio, onde quinzenalmente eu dava as caras para aparar os pelos do rosto e ouvir suas hist\u00f3rias de antigamente.<\/p>\n<p>O Ab\u00edlio era uma figura\u00e7a. Nem sei onde anda e se continua firme e forte na lida na pequena portinha, na rua Bom Pastor.<\/p>\n<p>Acabei ficando amigo do \u2018bom malandro\u2019 e at\u00e9 pautei uma rep\u00f3rter para entrevist\u00e1-lo quando completou 50 anos de profiss\u00e3o, sempre trabalhando no mesmo lugar.<\/p>\n<p>IX.<\/p>\n<p>Quando embiquei nos \u201centa\u201d, a barba deu uma clareada geral.<\/p>\n<p>Me envelhecia pra caramba \u2013 e tudo que um cara de quarenta n\u00e3o quer \u00e9 parecer que tem sessenta.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o conseguia viver sem ela, o que fiz?<\/p>\n<p>N\u00e3o, gente, quem disse \u201ctingiu\u201d enlouqueceu.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m merece \u2018acajuar\u2019 a pr\u00f3pria barba.<\/p>\n<p>H\u00e1 que se ter uma certa dignidade a\u00ed.<\/p>\n<p>O que fiz foi adotar o cavanhaque, onde alguns fios pretos resistiam bravamente.<\/p>\n<p>O qu\u00ea?<\/p>\n<p>Se foi por essa \u00e9poca que os livros do Paulo Coelho explodiram em vendas e o cara virou figurinha f\u00e1cil na m\u00eddia, com seu indefect\u00edvel cavanhaque?<\/p>\n<p>Foi. Acho que foi.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o tem nada a ver uma coisa com a outra.<\/p>\n<p>Cada um com seu cavanhaque, seus truques e suas magias.<br \/>\nX.<\/p>\n<p>Para efeito de registro hist\u00f3rico, vale registrar que a primeira a usar acanhaque que vi na vida foi o cantor Luiz Vieira, autor de \u201cMenino Passarinho\u201d, entre outros sucessos do nosso cancioneiro, isso l\u00e1 em fins dos anos 50.<\/p>\n<p>Continuemos, pois.<\/p>\n<p>Acabei por me habituar a ver meu rosto ornado por um cavanhaque aparado em m\u00e1quino um e frisado cuidadosa e artisticamente pela navalha do amigo Ab\u00edlio.<\/p>\n<p>Assim fiquei por anos e anos a fios.<\/p>\n<p>Mudei de emprego, cheguei aos cinquenta e deixei de frequentar assiduamente o bairro do Ipiranga.<\/p>\n<p>Em outras palavras, diquei distante do aux\u00edlio do luxuoso do Ab\u00edlio para manter, nos rigores da est\u00e9tica, minha barbicha aprumada.<\/p>\n<p>O resultado n\u00e3o poderia ser pior.<\/p>\n<p>Ca\u00ed na vida.<\/p>\n<p>Quer dizer, passei de m\u00e3o em m\u00e3o de profissionais v\u00e1rios, uns mais, outros menos competentes. E digamos: perigosos.<\/p>\n<p>XI.<\/p>\n<p>Voc\u00eas riem, incautos leitores que ainda persistem em aqui me acompanhar, porque n\u00e3o imaginam a aventura que \u00e9 ficar ali deitado, sob um avental de origem suspeita, com um cidad\u00e3o desconhecido ao seu lado com uma l\u00e2mina na m\u00e3o.<\/p>\n<p>Pequenos talhos no rosto foram v\u00e1rios.<\/p>\n<p>A cada semana, o cavanhaque ganhava formas \u2013 por vezes tortuosas &#8211; e densidade a bel prazer do autor da fa\u00e7anha.<\/p>\n<p>E n\u00e3o adiantava falar, pedir, implorar para que era s\u00f3 uma aparadinha \u2013 e pronto.<\/p>\n<p>Nos sal\u00f5es mais modernos, habituados aos tais metrossexuais, era comum ser \u201cassediado\u201d para fazer uma depila\u00e7\u00e3o geral \u2013 tirar os pelos do nariz, dos ouvidos, acertar as sobrancelhas&#8230;<\/p>\n<p>Eu, hein!<\/p>\n<p>Encerrava o papo numa s\u00f3 tacada:<\/p>\n<p>&#8211; S\u00f3 quero acertar o cavanhaque, pode ser?<\/p>\n<p>XII.<\/p>\n<p>Certa ocasi\u00e3o, manh\u00e3 de s\u00e1bado, lembro bem, o Vieira, um dos profissionais da tesoura mais confi\u00e1veis, simplesmente atropelou com m\u00e1quina zero o meu cavanhaque. Eu e ele ficamos arrasados com \u201co acidente de trabalho\u201d. Depois, ele n\u00e3o quis cobrar \u2013 mas eu paguei \u2013 e me confessou.<\/p>\n<p>Estava devastado.<\/p>\n<p>A doce Nanda, sua mulher, o abandonara.<\/p>\n<p>Tudo bem.<\/p>\n<p>Vida que segue.<\/p>\n<p>O drama dele era bem maior que o meu.<\/p>\n<p>Semana seguinte, eu j\u00e1 exibia uma barbinha \u00e0 moda do Jeca Tatu.<\/p>\n<p>Mas, a \u201cnamorilda\u201d dele estava com jeito de que se escafedera de vez.<br \/>\nXIII.<\/p>\n<p>Por essas e por outras, minhas idas a esses simp\u00e1ticos estabelecimentos de beleza e est\u00e9tica masculina foram, digamos, rareando. O cavanhaque, como se tivesse vida pr\u00f3pria, se transformou em uma barba a ser cortada sabe-se l\u00e1 Deus quando&#8230; Puro desleixo.<\/p>\n<p>O amigo Tarsitano resolveu intervir. Voltou de uma viagem a Manaus e, consciente das minhas afli\u00e7\u00f5es, me presenteou com um jogo de m\u00e1quinas, pentes, tesouras e l\u00e2minas.<\/p>\n<p>No melhor estilo Organiza\u00e7\u00f5es Tabajara, anunciou:<\/p>\n<p>&#8211; Seus problemas acabaram. D\u00e1 um jeito nesse rosto, por conta e risco das maquininhas que lhe trouxe, pois voc\u00ea anda muito relaxado. Parece um neanderthal.<\/p>\n<p>XIV.<\/p>\n<p>Gostei da preocupa\u00e7\u00e3o do amigo e do brinquedo. Tanto que passei a us\u00e1-lo com frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>S\u00f3 ent\u00e3o me dei conta que n\u00e3o era o \u00fanico na farra dos aparadores. Virou modinha usar barba nos mais variados estilos e modelos, seja qual for a idade e a classe social.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 uma tend\u00eancia, super atual e que se v\u00ea no mundo todo, me diz uma conhecida ligada ao mundo fashion. Ui!<\/p>\n<p>&#8211; Veja na Copa do Mundo. Havia barbas de todos os tamanhos, de todos os tipos. O armador italiano Andrea Pirlo parecia uma figura que acabara de sair dos evangelhos. Um must.<\/p>\n<p>Eu, hein!, nunca imaginei que houvesse especialistas nesse assunto.<\/p>\n<p>Inclusive, a mo\u00e7a me fez uma recomenda\u00e7\u00e3o \u201cvaliosa\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; Essas barbas bem fininhas super aparadas, com rigor geom\u00e9trico, est\u00e3o em desuso. D\u00e3o uma apar\u00eancia muito artificial e vulgar. Prefira uma barba mais cheia, com ar mais natural.<\/p>\n<p>Gostei da sugest\u00e3o. Menos por que \u00e9 moda, e mais, muito mais, porque n\u00e3o tenho mais essas veleidades de parecer mais jovem.<\/p>\n<p>O tempo \u00e9 inexor\u00e1vel, meus caros.<\/p>\n<p>Chega para todos. E ainda bem que \u00e9 assim.<\/p>\n<p>XV.<\/p>\n<p>Como?<\/p>\n<p>Se nunca pensei em me livrar dos pelos na cara?<\/p>\n<p>Fazer como meu pai, escanho\u00e1-la todos os dias?<\/p>\n<p>Vou lhes confessar que, nesta \u00e9poca, pr\u00f3xima ao Natal, eu fico tentado a extirp\u00e1-la de vez.<\/p>\n<p>Essas brincadeirinhas ot\u00e1rias de que estou me preparando para fazer um \u2018bico\u2019 de Papai Noel, diria, n\u00e3o s\u00e3o agrad\u00e1veis \u2013 ou minimamente gentis.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m me chamam de \u201co barbudinho do PT\u201d (nada a ver), \u201chomem das cavernas\u201d, \u201cnono\u201d, \u201cbarba\u201d e que tais.<\/p>\n<p>Eu sei, eu sei, falta criatividade para a rapaziada, mas fazer o qu\u00ea?<\/p>\n<p>Desbaratinar e seguir em frente.<\/p>\n<p>XVI.<\/p>\n<p>Mas, h\u00e1 suas compensa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 coisa de dois ou tr\u00eas anos, andei por Cuba e um senhor em frente ao Hotel Ambos os Mundos disse que minha barba estava parecida com a do escritor Ernest Hemingway, que morou ali por algum tempo.<\/p>\n<p>Achei cordial, simp\u00e1tico.<\/p>\n<p>Fiquei at\u00e9 lisonjeado.<\/p>\n<p>Ali, sim, sabem reconhecer o valor de um homem barbado.<\/p>\n<p>Lembro, com saudades, os ensolarados dias que passei em Cuba, a bela vista para o Malec\u00f3n, as praias de Varadero e o incr\u00edvel gingado da mo\u00e7a que tocava bong\u00f4&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homens usam chap\u00e9us.<\/p>\n<p>Meninos usam bon\u00e9s.<\/p>\n<p>No tempo dos meus av\u00f4s, as verdades eram absolutas, incontest\u00e1veis.<\/p>\n<p>Em uma de suas deliciosas cr\u00f4nicas, Rubem Braga saudou aqueles dias:<\/p>\n<p>\u201cEu sou do tempo em que todos os telefones eram pretos e as geladeiras,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-12913","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-parangoles"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12913","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12913"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12913\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13911,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12913\/revisions\/13911"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12913"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12913"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12913"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}