{"id":12934,"date":"2014-10-30T00:00:00","date_gmt":"2014-10-30T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:08:10","modified_gmt":"2017-09-15T19:08:10","slug":"quando-o-dia-clarear","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/quando-o-dia-clarear\/","title":{"rendered":"Quando o dia clarear&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Quando lhe falta assunto, o cronista precisa \u00fanica e simplesmente de uma janela. <\/p>\n<p>A frase \u00e9 conhecida, manjada nas rodas do velho jornalismo \u2013 por\u00e9m, de grande valia.<\/p>\n<p>Ora direis, car\u00edssimo leitor, o que n\u00e3o nos falta nesses tempos bumb\u00e1sticos (isto mesmo, de bumbo; creio que estamos fazendo muito barulho por nada;somos todos iguais nesta noite, diria Ivan Lins) s\u00e3o assuntos, e pol\u00eamicas: o p\u00f3s elei\u00e7\u00e3o, os jogos da rodada, o d\u00f3lar, a alta dos juros, quem ser\u00e1 o novo ministro da Fazenda, a namorada da Fulana que est\u00e1 presa em Trememb\u00e9 e n\u00e3o por a\u00ed vamos.<\/p>\n<p>Quer dizer, dois pontos, aspas para mim mesmo:<\/p>\n<p>\u201cVai quem quer, eu n\u00e3o!\u201d<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Desses palpitantes temas e outros mais, o notici\u00e1rio d\u00e1 conta. <\/p>\n<p>Nenhum deles, por\u00e9m, apraz o cronista que virou blogueiro por obra do acaso e que, por aqui, todos os dias, escorrega suas bobagens em alinhavos.<\/p>\n<p>Ele (o cronista\/blogueiro) acorda no meio da madrugada e se p\u00f5e diante da janela. Do d\u00e9cimo nono andar do edif\u00edcio onde mora e se esconde, olha os pontos de luz esmaecida da cidade em sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Espanta da mente os compromissos (e as afli\u00e7\u00f5es) que o dia lhe reserva e pensa no que escrever\u00e1 logo mais quando o dia clarear. <\/p>\n<p>\u201cQuando o dia clarear\u201d, a express\u00e3o \u00e9 pr\u00f3pria a velhos sambas.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Todo cronista, de boa cepa, \u00e9 um inveterado rom\u00e2ntico.<\/p>\n<p>Lembra, pois, o grande Paulinho da Viola (que nossas r\u00e1dios burramente se esquecem de tocar) e o mais lindo dos sambas dolentes \u2013 \u201cCoisas do Mundo, Minha Nega\u201d.<\/p>\n<p>Quanta verdade num verso simples!<\/p>\n<p>\u201cHoje eu vim, minha nega<br \/>\nSem saber nada da vida<br \/>\nQuerendo aprender contigo a forma de se viver<br \/>\nAs coisas est\u00e3o no mundo s\u00f3 que eu preciso aprender\u201d<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>A pensata, ent\u00e3o, lhe \u00e9 inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Quase nunca nos damos uma tr\u00e9gua da lida. <\/p>\n<p>Acordamos aos sobressaltos e tocamos em frente at\u00e9 o pr\u00f3ximo embate, at\u00e9 a pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Acho que \u00e9 isso que o cronista quer hoje lhe propor, caro amigo; um momento de paz a lhe invadir o cora\u00e7\u00e3o (salve Gil!), de serenidade, com voc\u00ea mesmo. <\/p>\n<p>Vai lhe fazer algum bem.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Olha, neste exato momento, quando a noite se encaminha para a luz, sou capaz de identificar, distante, o ronco de um solit\u00e1rio ve\u00edculo que toma seu rumo e, acreditem, o cantar nost\u00e1lgico solid\u00e1rio de um sabi\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 muito, mas me faz um bem danado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando lhe falta assunto, o cronista precisa \u00fanica e simplesmente de uma janela. <\/p>\n<p>A frase \u00e9 conhecida, manjada nas rodas do velho jornalismo \u2013 por\u00e9m, de grande valia.<\/p>\n<p>Ora direis,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12934","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12934","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12934"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12934\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15100,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12934\/revisions\/15100"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12934"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12934"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12934"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}