{"id":12958,"date":"2014-11-21T00:00:00","date_gmt":"2014-11-21T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:08:08","modified_gmt":"2017-09-15T19:08:08","slug":"diguemos-que","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/diguemos-que\/","title":{"rendered":"Diguemos que&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>&#8211; Diguemos que sim.<\/p>\n<p>&#8211; Diguemos que n\u00e3o.<\/p>\n<p>Fosse qual fosse a pergunta que se fizesse ao Diguemos, era assim que o Diguemos respondia. Tanto que, logo, o pessoal do maloc\u00e3o da rua Muniz de Souza esqueceu de vez o verdadeiro nome do Diguemos e, de Diguemos, o Cambuci todo passou a cham\u00e1-lo.<\/p>\n<p>&#8211; Rapaz, voc\u00ea foi \u00e0 inaugura\u00e7\u00e3o do Peg Pag no Largo do Cambuci?<\/p>\n<p>&#8211; Diguemos que sim.<\/p>\n<p>&#8211; E \u00e0 missa do Padre Jo\u00e3o, voc\u00ea vai?<\/p>\n<p>&#8211; Diguemos que n\u00e3o. Ele \u00e9 muito bravo.<\/p>\n<p>\u00c9 o Padre Jo\u00e3o tinha l\u00e1 seus rompantes.<\/p>\n<p>N\u00f3s, a molecada, o tem\u00edamos.<\/p>\n<p>Diguemos era rapazinho, deveria ter mais motivos que n\u00f3s para n\u00e3o enfrent\u00e1-lo em um confession\u00e1rio.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>No princ\u00edpio, divert\u00edamo-nos com a brincadeira. Passamos a provoc\u00e1-lo. Nas mais triviais das conversas, utiliz\u00e1vamos perguntas para induzi-lo a usar o indefect\u00edvel bord\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8211; Vai ao baile do Clube Ol\u00edmpicos hoje?<\/p>\n<p>&#8211; Diguemos que sim.<\/p>\n<p>&#8211; E ao futebol na V\u00e1rzea do Glic\u00e9rio amanh\u00e3?<\/p>\n<p>&#8211; Diguemos que n\u00e3o.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Digamos que o Diguemos n\u00e3o percebia o tom de deboche da turma. Se percebia, nunca fez caso. Sentia-se assim, digamos, honrado com o interesse de todos por ele e pelo que fazia.<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea est\u00e1 esperando o bonde?<\/p>\n<p>&#8211; Diguemos que sim.<\/p>\n<p>&#8211; Vai passear?<\/p>\n<p>&#8211; Diguemos que n\u00e3o. Vou pagar a conta de luz na Light.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se chateado com nossas goza\u00e7\u00f5es ou por outro motivo qualquer, o certo \u00e9 que, incerta manh\u00e3, o Diguemos e a fam\u00edlia desapareceram do bairro sem deixar rastros. Digamos que se mudaram \u00e0s pressas. Falaram em aluguel atrasado, ordem de despejo e cousa e lousa e mariposa.  <\/p>\n<p>Nunca mais tivemos not\u00edcias dele.<\/p>\n<p>V.<br \/>\nNesta quarta-feira, como tantos torcedores do Palmeiras, fui \u00e0 inaugura\u00e7\u00e3o do Allianz Parque e enfrentei, no final da tarde, um tr\u00e2nsito brav\u00edssimo no fim do Minhoc\u00e3o, na avenida Conde Francisco Matarazzo.<\/p>\n<p>O anda-e-para me aborreceu tanto que num impulso entrei, com o carro, no primeiro estacionamento 24 horas que vi pela frente. Foi nas imedia\u00e7\u00f5es do Parque da \u00c1gua Branca, ao lado de uma Universidade e alguns metros antes de uma casa de m\u00fasica sertaneja.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>N\u00e3o fui s\u00f3 eu que pensei assim.<\/p>\n<p>Outros tantos e tamanhos \u2018sofredores do Verd\u00e3o\u2019 tiveram a mesma \u2013 e magn\u00edfica \u2013 ideia. Assim escapamos do congestionamento e da extors\u00e3o do alto pre\u00e7o dos estacionamentos mais pr\u00f3ximos ao novo est\u00e1dio (entre 50 e 60 reais).<\/p>\n<p>*amanh\u00e3 continua&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8211; Diguemos que sim.<\/p>\n<p>&#8211; Diguemos que n\u00e3o.<\/p>\n<p>Fosse qual fosse a pergunta que se fizesse ao Diguemos, era assim que o Diguemos respondia. 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