{"id":12960,"date":"2014-11-23T00:00:00","date_gmt":"2014-11-23T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:08:08","modified_gmt":"2017-09-15T19:08:08","slug":"o-boleiro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-boleiro\/","title":{"rendered":"O boleiro"},"content":{"rendered":"<p>Das poucas coisas de que me orgulho na vida \u00e9 (ou melhor, foi) minha trajet\u00f3ria de futebolista amador pelos campos de v\u00e1rzea (quando ainda existiam \u00e0 profus\u00e3o) em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>N\u00e3o cheguei a ser assim um Milton Bigucci (empres\u00e1rio, construtor e boleiro que, neste ano, lan\u00e7ou o livro \u201c7 D\u00e9cadas de Futebol\u201d, com o registro de suas andan\u00e7as pelo Planeta Bola, e na ativa ainda hoje), mas dei minhas tacadinhas que, hoje, me fazem uma falta danada. Especialmente nas manh\u00e3s de domingo quando essas lembran\u00e7as me s\u00e3o mais latentes e vivas. Nesse hor\u00e1rio em outros e long\u00ednquos tempos, estava esbaforido a correr atr\u00e1s da redonda, fosse onde fosse, o campo de terra.<\/p>\n<p>A tosca demarca\u00e7\u00e3o da cal tra\u00e7ava os limites do meu mundo, dos meus sonhos.<\/p>\n<p>Quando lancei meu primeiro livro \u201c\u00c0s Margens Pl\u00e1cidas do Ipiranga\u201d, escrevi sobre esse encantamento na minha apresenta\u00e7\u00e3o como autor. Mais tarde transformei esse texto na autobiografia que consta do site.<\/p>\n<p>Quem quiser pode conferir&#8230;<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Comecei cedo na v\u00e1rzea. Devia ter onze para doze anos. Jogava pelo chamado \u201dinfanto-juvenil\u201d do Santos Futebol Clube do Cambuci, comandado pelo Jo\u00e3o Bicudo, uma esp\u00e9cie de t\u00e9cnico e dono do time de moleques.<\/p>\n<p>Naqueles idos, era uma odisseia chegar \u00e0 casa do advers\u00e1rio.<\/p>\n<p>T\u00ednhamos que estar \u00e0s seis e quinze, seis e meia, na esquina da rua Almeida da Torres. A partida come\u00e7ava pouco depois da sete e terminava<br \/>\nimpreterivelmente \u00e0s nove horas, quando d\u00e1vamos a vez para o \u201cEsporte\u201d dos times ocupar o campo.<\/p>\n<p>Dois esclarecimentos, desconfio, se fazem necess\u00e1rios:<\/p>\n<p>1 \u2013 o trajeto era feito na carroceria de um possante caminh\u00e3o . A \u00fanica vez que fomos de \u00f4nibus foi numa viagem \u00e0 cidade de S\u00e3o Roque, considerada ent\u00e3o a Terra do Vinho.<\/p>\n<p>(N\u00e3o preciso dizer, mas digo: alguns dos nossos beberam mais do que jogaram.)<\/p>\n<p>2 \u2013 \u201cEsporte\u201d era a categoria adulta dos clubes varzeanos. Nosso jogo terminava assim que eles entravam em campo. N\u00e3o havia choror\u00f4, nem jurumelas. <\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Vida afora, joguei em v\u00e1rios times: na sele\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio Marista Nossa Senhora da Gl\u00f3ria (aqui, era depois da missa das oito), no Estrela dos Bo\u00eamios (em um dos campos da v\u00e1rzea da rua Independ\u00eancia,  no Huracan da V\u00e1rzea do Glic\u00e9rio, no Bras\u00edlia da Vila Carioca, no Catado da avenida Ricardo Jafet, no Sucat\u00e3o do Clube Atl\u00e9tico Ypiranga (Bigucci era o camisa 10, capit\u00e3o, t\u00e9cnico e patrocinador) e em outros tantos \u201cbala-mistura\u201d onde aparecesse a chance de entrar em um arremedo de campo que fosse e se imaginar na final de uma Copa do Mundo.<\/p>\n<p>O tamanho da fissura era tanta que o par de chuteiras estava sempre no porta-malas do carro, devidamente acompanhado por cal\u00e7\u00f5es e mei\u00f5es, faixas e tornozeleiras, para qualquer eventualidade.<\/p>\n<p>Se algu\u00e9m precisasse de um quarto-zagueiro voluntarioso, era s\u00f3 chamar.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m podia jogar de lateral, de volante, de meia&#8230; At\u00e9 de goleiro eu fui improvisado em um campeonato entre veteranos do Uni\u00e3o M\u00fatua da Vila Carioca.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Indiz\u00edvel a magia de uma partida de futebol.<\/p>\n<p>Eu ia a todas.<\/p>\n<p>Mesmo que n\u00e3o chamassem, eu l\u00e1 estava.<\/p>\n<p>Vai que surgisse uma boquinha&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Das poucas coisas de que me orgulho na vida \u00e9 (ou melhor, foi) minha trajet\u00f3ria de futebolista amador pelos campos de v\u00e1rzea (quando ainda existiam \u00e0 profus\u00e3o) em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>N\u00e3o cheguei a ser assim um Milton Bigucci (empres\u00e1rio,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12960","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12960","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12960"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12960\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15077,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12960\/revisions\/15077"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12960"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12960"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12960"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}