{"id":13008,"date":"2015-02-08T00:00:00","date_gmt":"2015-02-08T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:06:38","modified_gmt":"2017-09-15T19:06:38","slug":"juntos-e-misturados","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/juntos-e-misturados\/","title":{"rendered":"Juntos e misturados"},"content":{"rendered":"<p>Desc\u00edamos do \u00f4nibus no fim da avenida S\u00e3o Jo\u00e3o e caminh\u00e1vamos pela avenida Pacaembu at\u00e9 chegar ao Est\u00e1dio Municipal Paulo Machado de Carvalho. No trajeto, encontr\u00e1vamos bandos de torcedores de times diversos, com o mesmo objetivo: assistir \u00e0 partida daquela tarde de domingo (podia ser na noite de quarta tamb\u00e9m, indiferente).<\/p>\n<p>Outros torcedores vinham da avenida Sumar\u00e9, das ruas do bairro de Higien\u00f3polis, de todas as ruas que desembocavam na Pra\u00e7a Charles M\u00fcller.<\/p>\n<p>N\u00e3o importava qual fosse o jogo. Podia ser um Palmeiras e Corinthians, como hoje acontece, em meio \u00e0 tanta pol\u00eamica sobre a seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p>\u00c0quela \u00e9poca,meados dos anos 60, in\u00edcio dos 70, o futebol era apenas um esporte que movimentava as massas e trazia entretenimento e lazer para os torcedores.<\/p>\n<p>Juntos e misturados \u2013 fosse qual fosse a prefer\u00eancia club\u00edstica \u2013 a turma se acomodava na dura arquibancada de cimento, sem assento marcado.<\/p>\n<p>Era uma festa \u2013 e, de quebra, ainda t\u00ednhamos o melhor futebol do mundo.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Fosse qual fosse o resultado da partida, obedec\u00edamos o mesmo ritual para sair do est\u00e1dio, fazer o trajeto a p\u00e9 e pegarmos o \u00f4nibus de volta para casa.<\/p>\n<p>\u00d3bvio que os torcedores do time vencedor vinham mais alegres e falantes. Felizes. De quando em quando, ouvia-se algu\u00e9m festejar mais acaloradamente. Cantavam e lembravam em voz alta lances do jogo. N\u00e3o havia \u2013 acreditem! \u2013 o prop\u00f3sito de humilhar ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>O Corinthians era o Mosqueteiro; n\u00e3o, o Gamb\u00e1.<\/p>\n<p>O Palmeiras, o Periquito.<\/p>\n<p>Tudo \u2013 no melhor dos mundos \u2013 n\u00e3o passava de uma grande brincadeira.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Claro que, vez ou outra, havia uma arenga. Algu\u00e9m se pegava com algu\u00e9m, aos murros e pontap\u00e9s em plena arquibancada. Mas logo a turma \u201cdeixa disso, u\u00edlsso\u201d separava os brig\u00f5es e&#8230; olho no jogo.<\/p>\n<p> Quando come\u00e7amos a deixar de lado esse aspecto l\u00fadico, essa aura de confraterniza\u00e7\u00e3o, a coisa toda degringolou pouco a pouco, sem que perceb\u00eassemos. <\/p>\n<p>Ou percebemos?<\/p>\n<p>Fomos dividindo o est\u00e1dio, criando espa\u00e7o espec\u00edfico para as uniformizadas, dando uma cota m\u00ednima para a torcida visitante e agora desembocando na quest\u00e3o da torcida \u00fanica \u2013 que \u00e9 consequ\u00eancia natural desse incontorn\u00e1vel processo de empobrecimento da cidadania e do aumento descomunal da intoler\u00e2ncia e da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Vamos torcer pela paz neste domingo.<\/p>\n<p>Advers\u00e1rio no campo n\u00e3o \u00e9 inimigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desc\u00edamos do \u00f4nibus no fim da avenida S\u00e3o Jo\u00e3o e caminh\u00e1vamos pela avenida Pacaembu at\u00e9 chegar ao Est\u00e1dio Municipal Paulo Machado de Carvalho. 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