{"id":13025,"date":"2015-03-06T00:00:00","date_gmt":"2015-03-06T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:06:36","modified_gmt":"2017-09-15T19:06:36","slug":"o-balao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-balao\/","title":{"rendered":"O bal\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O bal\u00e3o era enorme. Multicolorido. Lind\u00e3o!<\/p>\n<p>Tinha o formato de um pe\u00e3o. A 30, 40 metros do ch\u00e3o. Cambaleava tocado pelo vento.<\/p>\n<p>A tocha se apagara, vinha em minha dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cairia bem pr\u00f3ximo a mim, no meio da rua de paralelep\u00edpedos, onde o movimento de autom\u00f3veis era quase nenhum, tanto que, nas tardes c\u00e1lidas daqueles tempos idos, n\u00f3s, os garotos suburbanos do Cambuci, jog\u00e1vamos bola at\u00e9 que se aproximasse a sombra da noite. Ou \u2013 o que n\u00e3o era raro acontecer \u2013 a m\u00e3e de um dos nossos aparecesse para, aos berros, por fim \u00e0 nossa vadiagem.<\/p>\n<p>Meados de junho.<\/p>\n<p>Tempos de festas.<\/p>\n<p>Bombinhas, roj\u00f5es, fogueiras, os tr\u00eas santos, as quermesses \u2013 e as noites de uma S\u00e3o Paulo, ainda provinciana, onde era poss\u00edvel ver as estrelas e os bal\u00f5es \u2013 prendas mais do que desejadas pelos garotos de ent\u00e3o.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Quem passasse a temporada sem pegar ao menos um ficaria com a pecha de \u201cpag\u00e3o\u201d por todo aquele ano.<\/p>\n<p>Em compensa\u00e7\u00e3o quem aparecesse com uma preciosidade como aquela \u00e0 minha frente seria elevado ao pante\u00e3o dos grandes, dos not\u00e1veis.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Eu j\u00e1 estava me sentindo um deles.<\/p>\n<p>O belo se aproximava, sem riscos, entregue.<\/p>\n<p>Quem diria que, ao escutar a minha m\u00e3e, e levar um prosaico bolo de fub\u00e1, feito especialmente pro v\u00f4 Carlito (que morava na rua Lavap\u00e9s) seria premiado, na volta, com tamanha prenda.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>A rua estava deserta.<\/p>\n<p>Me aproximei do bal\u00e3o quase no exato momento em que tocaria o solo.<\/p>\n<p>Procurei pela \u201cboca\u201d do bich\u00e3o para agarr\u00e1-lo ali e evitar qualquer avaria. <\/p>\n<p>Ningu\u00e9m acreditaria na minha fa\u00e7anha.<\/p>\n<p>Eu aproveitaria para \u2018aumentar\u2019 um tantinho mais a proeza. <\/p>\n<p>Falaria que o disputei no muque com os moleques da turma da rua Pia\u00ed (hoje<br \/>\nMiguel Telles J\u00fanior) e, na malandragem, me dera super bem.<\/p>\n<p>A prova esta ali, em minhas m\u00e3os, e faria quest\u00e3o de mostrar a todos.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi preciso.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei de onde surgiram.<\/p>\n<p>Mas, TODOS estavam ali.  Numa avassaladora correria.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m me empurrou pra longe.<\/p>\n<p>V\u00e1rias m\u00e3os ansiosas, em desespero, buscaram o \u201clind\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Em segundos, s\u00f3 restaram os retalhos coloridos e a amea\u00e7a de briga entre os fort\u00f5es das diversas gangues.<\/p>\n<p>Sem contar, claro, minha infinita tristeza de ser s\u00f3 um vacil\u00e3o.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Lembrei a hist\u00f3ria ao tentar entender o que acontece hoje com o lind\u00e3o chamado Brasil.<\/p>\n<p>Chegou \u00e0s alturas, cortou o c\u00e9u. Comparou-se \u00e0s estrelas. <\/p>\n<p>Depois, perdeu for\u00e7a. <\/p>\n<p>Cambaleou.<\/p>\n<p>O decl\u00ednio se fez inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Dever\u00edamos corrigir essa rota com aten\u00e7\u00e3o e cuidado.<\/p>\n<p>Despeda\u00e7\u00e1-los, como ora se faz, \u00e9 a trag\u00e9dia anunciada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O bal\u00e3o era enorme. Multicolorido. Lind\u00e3o!<\/p>\n<p>Tinha o formato de um pe\u00e3o. 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Cambaleava tocado pelo vento.<\/p>\n<p>A tocha se apagara, vinha em minha dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13025","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13025","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13025"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13025\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15013,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13025\/revisions\/15013"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13025"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13025"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13025"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}