{"id":13053,"date":"2015-04-02T00:00:00","date_gmt":"2015-04-02T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:06:33","modified_gmt":"2017-09-15T19:06:33","slug":"o-calhorda","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-calhorda\/","title":{"rendered":"O calhorda"},"content":{"rendered":"<p>Tinho acordou com a sensa\u00e7\u00e3o de que havia sonhado com Djanira. (Sonho bom, hum&#8230; muito bom\u201d!)<\/p>\n<p>Tinho n\u00e3o tinha bem certeza. Seus sonhos sempre foram assim, surreais. Feitos de recortes, cenas perdidas, ora em cores, ora em preto e branco, flashs&#8230; uma bagun\u00e7a. <\/p>\n<p>Ao despertar, nunca dava aten\u00e7\u00e3o a eles, tamanha a falta de enredo que apresentavam.<\/p>\n<p>N\u00e3o faziam qualquer sentido.<\/p>\n<p>Por isso, desencanava.<\/p>\n<p>Naquela manh\u00e3, por\u00e9m, queria recordar mais detalhes do que havia sonhado noite adentro. <\/p>\n<p>Era muito presente a imagem de Djanira na sua mente, nos seus sentidos.<\/p>\n<p>Demorou-se mais para sair da cama a fim de viver, por mais alguns instantes, toda aquela prazerosa impress\u00e3o que se apossara dele.<\/p>\n<p>Fazia algum muito tempo que n\u00e3o via Dja, a namorada de um querido amigo, o Cristiano.<\/p>\n<p>Namorada, n\u00e3o. Ex&#8230; Quer dizer, andavam estremecidos. Ora estavam, ora ficavam. Ora se afastavam, Ora morriam de amores um pelo outro.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s desde que os dois entraram nesse lusco-fusco nunca mais a mo\u00e7a dera not\u00edcia, nem no WhatsApp. \u00d4 laia, que tristeza!<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Tinho, que n\u00e3o tinha certeza alguma, apresentava agora a si mesmo novas d\u00favidas.<\/p>\n<p>O que sentia por Djanira?<\/p>\n<p>Ela era bonita, simp\u00e1tica, sensual, uma gata; mas ainda continuava sendo a namoradinha do amigo. <\/p>\n<p>Ser\u00e1 que elezinho n\u00e3o se dera de que estava apaixonado pela mo\u00e7a?<\/p>\n<p>Por que riam tanto quando estavam juntos, mesmo distantes e em meio a uma barulhenta e numerosa roda de amigos?<\/p>\n<p>Tinham l\u00e1 uma cumplicidade gostosa. Riam das mesmas piadas, dividiam o mesmo prato nos restaurantes, debochavam dos mais atacados. Divertiam-se na mesma vibe, como dizem pela a\u00ed.<\/p>\n<p>S\u00f3 agora Tinho descobrira que gostava de t\u00ea-la por perto. De admirar seu estilo de vestir, seu jeito de rir e conversar, de bebericar &#8211; e bebericava bem, hein! &#8211; e de se mostrar livre, leve solta.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que estava apaixonado pela namorada do amigo Cristiano? <\/p>\n<p>Ser\u00e1?<\/p>\n<p>Seria um calhorda se assim procedesse.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>E, agora, como explicar essa sensa\u00e7\u00e3o de que sonhara com a mo\u00e7a, que se enroscavam em beijos e abra\u00e7os e&#8230;<\/p>\n<p>Meu Deus! Que bobagem \u00e9 essa?<\/p>\n<p>Achou melhor levantar e cuidar da vida. Estava mais do que na hora.<\/p>\n<p>Chega de devaneios tolos.<\/p>\n<p>Foi quando se deu conta de que Djanira estava ali, ao seu lado na cama. <\/p>\n<p>Encontraram-se num desses bares da vida e bebericaram al\u00e9m da conta.<\/p>\n<p>Foi a\u00ed que Tinho, que n\u00e3o tinha certeza alguma, teve uma \u00fanica certeza na vida:<\/p>\n<p>Era um calhorda!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tinho acordou com a sensa\u00e7\u00e3o de que havia sonhado com Djanira. (Sonho bom, hum&#8230; muito bom\u201d!)<\/p>\n<p>Tinho n\u00e3o tinha bem certeza. Seus sonhos sempre foram assim, surreais. 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