{"id":13069,"date":"2015-04-19T00:00:00","date_gmt":"2015-04-19T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:03:25","modified_gmt":"2017-09-15T19:03:25","slug":"o-amigo-de-infancia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-amigo-de-infancia\/","title":{"rendered":"O amigo de inf\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p>Uma bela surpresa.<\/p>\n<p>N\u00e3o acredito quando vejo em meu email o nome do Nestor.<\/p>\n<p>O Nestor, meus caros, \u00e9 um amigo de inf\u00e2ncia, dos tempos do Cambuci, que ganhou o mundo ainda pequeno e agora, diz ele, mora na B\u00e9lgica.<\/p>\n<p>O mais not\u00e1vel \u00e9 que o Nestor diz que me achou, via redes sociais. E a\u00ed est\u00e1 o grande barato: sou absolutamente ausente das ditas-cujas. O que mostra que o destemido e ra\u00e7udo volante dos infantil do Botafoguinho, da Aclima\u00e7\u00e3o, continua com o mesmo e denodado empenho que j\u00e1 demonstrava nos campinhos de terra batida, dos idos em que \u00e9ramos garotos.<\/p>\n<p>O cara foi ca\u00e7ando meu paradeiro aqui e ali, um usu\u00e1rio ap\u00f3s outro, at\u00e9 encontrar meu endere\u00e7o eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p>Sua mensagem chegou repleta de lembran\u00e7as daqueles anos \u2013 os rachas no barranc\u00e3o do Parque da Aclima\u00e7\u00e3o, a generosidade do nosso t\u00e9cnico, o Jo\u00e3o Bicudo (que foi assassinado em um assalto \u00e0 loja em que trabalhava, na 25 de Mar\u00e7o), o Sal\u00e3o da Crian\u00e7a (olhem o que ele foi lembrar), o s\u00e1bado em que fomos a p\u00e9, do Cambuci ao Est\u00e1dio do Pacaembu, assistir a abertura dos Jogos Pan-americanos de 1963, entre outras perip\u00e9cias de moleques, felizes e sonhadores, naquela S\u00e3o Paulo que ainda era pouco mais do que uma aldeia.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>\u00c0quela \u00e9poca, como agora, embora garotos, j\u00e1 ouv\u00edamos o burburinho de que as coisas n\u00e3o andavam bem e que algo de muito ruim poderia vir a acontecer.<\/p>\n<p>No ano seguinte, veio a Redentora. Que n\u00e3o tirou nosso sono de crian\u00e7as, mas preocupava nossos pais. Lembro o meu pequeno quarto transformado em dispensa pelo Velho Aldo, meu pai. Os mantimentos eram uma precau\u00e7\u00e3o caso houvesse a tal guerra civil (que acabou n\u00e3o acontecendo).<\/p>\n<p>N\u00e3o recordo exatamente quanto tempo depois (se foram meses ou anos), veio a not\u00edcia de que o pai do Nestor estava preso. N\u00e3o entedemos bem o que havia acontecido. O Sr. Nestor era trabalhador. Todos os dias, n\u00f3s o v\u00edamos, de macac\u00e3o azul, se encaminhar para a F\u00e1brica de Latas Americanas, onde seu of\u00edcio era dirigir uma empilhadeira.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que, em duas ou tr\u00eas vezes, o encontramos \u00e0 frente de uma leva de trabalhadores que se encaminharam para o Largo do Cambuci, onde se encontrariam com outros oper\u00e1rios para ouvir o discurso de n\u00e3o sei quem.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Foi a primeira vez que ouvi a palavra \u201cgreve\u201d na vida.<\/p>\n<p>O Nestor andou tristonho naqueles dias.  <\/p>\n<p>A m\u00e3e dele, ent\u00e3o, desesperou-se com a pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Os adultos pediam para que a gente n\u00e3o tocasse no assunto com o nosso amigo.<\/p>\n<p>\u201cAs crian\u00e7as, por vezes, s\u00e3o cru\u00e9is em suas brincadeiras\u201d, lembro-me de ouvir a m\u00e3e dizer. \u201cNem o garoto, nem a fam\u00edlia merecem\u201d.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>A\u00ed que nada entendi. O homem era preso \u2013 e qual o motivo?<\/p>\n<p>\u201cIsso n\u00e3o \u00e9 assunto de crian\u00e7a\u201d, disse o pai. \u201cO Sr. Nestor n\u00e3o fez nada de errado, \u00e9 um homem de coragem \u2013 e basta\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma bela surpresa.<\/p>\n<p>N\u00e3o acredito quando vejo em meu email o nome do Nestor.<\/p>\n<p>O Nestor, meus caros, \u00e9 um amigo de inf\u00e2ncia, dos tempos do Cambuci,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13069","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13069","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13069"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13069\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14969,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13069\/revisions\/14969"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}