{"id":13074,"date":"2015-05-15T00:00:00","date_gmt":"2015-05-15T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:03:24","modified_gmt":"2017-09-15T19:03:24","slug":"acorda-amor","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/acorda-amor\/","title":{"rendered":"Acorda, amor"},"content":{"rendered":"<p>Se eu demorar uns meses<br \/>\nConv\u00e9m \u00e0s vezes voc\u00ea sofrer<br \/>\nPor\u00e9m depois de um ano<br \/>\nEu n\u00e3o vindo<br \/>\nVista a roupa de domingo<br \/>\nE pode me esquecer<\/p>\n<p>Gosto especialmente desses versos da can\u00e7\u00e3o \u201cAcorda Amor\u201d, de Julinho da Adelaide, gravada por Chico Buarque no elep\u00ea (imagino que a garotada saiba o que vem a ser isso) \u201cSinal Fechado\u201d no long\u00ednquo ano de 1974.<\/p>\n<p>A ditadura (essa que alguns querem de volta) grassava solta no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Chico Buarque tinha todas as suas can\u00e7\u00f5es previamente censu<br \/>\nradas.<\/p>\n<p>Um ano antes, no festival Phono 73, houve o epis\u00f3dio em que \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a desligaram a rede el\u00e9trica do Pal\u00e1cio das Conven\u00e7\u00f5es do Anhembi enquanto ele e Gil cantarolavam a tamb\u00e9m censurada \u201cC\u00e1lice\u201d.<\/p>\n<p>Foram momentos de p\u00e2nico. At\u00e9 que as luzes se reacenderam e Chico disse a c\u00e9lebre frase:<\/p>\n<p>\u201cVamos ao que se pode\u201d.<\/p>\n<p>E cantou \u201cNoite dos Mascarados\u201d:<\/p>\n<p>\u201cQuem \u00e9 voc\u00ea<br \/>\nAdivinha, se gosta de mim<br \/>\nHoje dois mascarados<br \/>\nProcuram os seus namorados<br \/>\nPerguntando assim\u201d<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Para escapar da sina dos censores e viabilizar um novo disco, a Philips prop\u00f4s a Chico que gravasse um \u2018bolach\u00e3o\u2019 s\u00f3 com m\u00fasicas de outros autores. Deixou a carga de Chico a escolha da m\u00fasica e dos autores. Caetano (\u201cFesta Imodesta\u201d), Gil (\u201cCopo Vazio\u201d), Tom Jobim (\u201cLigia\u201d), Noel (\u201cFilosofia\u201d), Walter Franco (\u201cMe Deixe Mudo\u201d), Paulinho da Viola (a emblem\u00e1tica \u201cSinal Fechado\u201d que d\u00e1 nome ao disco), entre outros.<\/p>\n<p>Nessa lista apareceu, para surpresa de muitos, o nome de (in)certo Julinho da Adelaide, autor do samba \u201cAcorda Amor\u201d.<\/p>\n<p>Na entrevista de lan\u00e7amento do disco \u2013 eu estava no comecinho da minha vida de rep\u00f3rter -, Chico sanou a curiosidade de todos sobre quem era o tal. Era um compositor que ele descobriu por acaso em uma noite numa roda de amigos. Morava em um dos morros cariocas. Era muito divertido e o samba que escolhera para gravar era, na verdade, uma cr\u00f4nica daqueles tempos em que a malandragem n\u00e3o tinha sossego.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Meses depois, o disco no auge das paradas de sucesso, o samba estourado na programa\u00e7\u00e3o das r\u00e1dios, descobriu-se a verdade verdadeira. Julinho da Adelaide fora uma inven\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Chico para driblar os censores e a letra da m\u00fasica retratava a ca\u00e7ada da Pol\u00edcia na captura daqueles que ousavam se opor \u00e0 ditadura.<\/p>\n<p>H\u00e1, entre outras, a sagaz ironia de, na hora do aperto, chamar pelo ladr\u00e3o e a sublime declara\u00e7\u00e3o de amor que o verso que inicia o post de hoje encerra.<\/p>\n<p>Se ele (o procurado) demorasse a retornar, que a mo\u00e7a seguisse sua vida, pois os \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o tinham dado um sumi\u00e7o nele.<\/p>\n<p>Era o pesadelo anunciado daqueles tempos que alguns insistem em querer de volta.<\/p>\n<p>V\u00e1 entender&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se eu demorar uns meses<br \/>\nConv\u00e9m \u00e0s vezes voc\u00ea sofrer<br \/>\nPor\u00e9m depois de um ano<br \/>\nEu n\u00e3o vindo<br \/>\nVista a roupa de domingo<br \/>\nE pode me esquecer<\/p>\n<p>Gosto especialmente desses versos da can\u00e7\u00e3o \u201cAcorda Amor\u201d,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13074","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13074","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13074"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13074\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14964,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13074\/revisions\/14964"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13074"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13074"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13074"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}