{"id":13084,"date":"2015-05-25T00:00:00","date_gmt":"2015-05-25T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:03:23","modified_gmt":"2017-09-15T19:03:23","slug":"o-velho-guerreiro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-velho-guerreiro\/","title":{"rendered":"O Velho Guerreiro"},"content":{"rendered":"<p>Saio ainda emocionado \u2013 e algo confuso \u2013 do Teatro Alfa, onde na tarde de s\u00e1bado assisti ao espet\u00e1culo \u201cChacrinha, O Musical\u201d. \u00c9 bem melhor do que este modesto escriba \u2013 e sobrevivente daqueles tempos da Discoteca, da Buzina e do cassino\u2013 poderia imaginar. <\/p>\n<p>Acompanhei a trajet\u00f3ria do Velho Guerreiro \u00e0 dist\u00e2ncia; primeiro, como telespectador (n\u00e3o t\u00e3o frequente, mas interessado); depois, como rep\u00f3rter na \u00e1rea de Variedades (cheguei a entrevist\u00e1-lo nos tempos em andou pela TV Bandeirantes e buscava divulgar o programa em todos os jornais paulistanos). <\/p>\n<p>http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/artigo.php?id_artigo=1393 <\/p>\n<p>N\u00e3o imaginava, no entanto, o quanto de mim seria redivivo naquelas duas horas e tantos de musical: as can\u00e7\u00f5es que embalavam o garoto de vinte e poucos anos, a alegria an\u00e1rquica de um audit\u00f3rio ululante, o samba do Gil (\u201cAquele Abra\u00e7o\u201d), as chacretes&#8230; Ah, as chacretes.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei explicar. <\/p>\n<p>Mas a personagem contradit\u00f3ria, tragic\u00f4mica, de Chacrinha balan\u00e7ando a pan\u00e7a tem muito a ver com todas as incoer\u00eancias daquele tempo nebuloso. No fundo, no fundo, Chacrinha s\u00f3 queria nos encantar e fazer com que entend\u00eassemos que, brasileiramente, o show tinha que continuar. E \u00e9ramos, sim, os protagonistas de um<br \/>\nPa\u00eds \u00fanico, miscigenado e desbundante.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00f4, al\u00f4&#8230;<br \/>\nTerezinhaaaaaaaaa!!!<br \/>\nUhuhuh&#8230;\u201d<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Falei que me vi ali, digamos que aos peda\u00e7os, porque passei o tempo maravilhado entre a cena que via no palco e as recorda\u00e7\u00f5es de um tempo vivido, com todas as controv\u00e9rsias e as realiza\u00e7\u00f5es que eram permitidas. Ou n\u00e3o. <\/p>\n<p>Corria uma p\u00e1gina infeliz da nossa hist\u00f3ria. Viv\u00edamos em pleno regime ditatorial, mas desconfio: nunca se sonhou tanto quanto naqueles dias. Havia a cren\u00e7a de que era poss\u00edvel a constru\u00e7\u00e3o de um Pa\u00eds de todos os brasileiros.<\/p>\n<p>N\u00e3o me perguntem como, mas era assim.<\/p>\n<p>\u201cEu vim para confundir<br \/>\nN\u00e3o para explicar.\u201d<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>A trilha sonora \u00e9 um cap\u00edtulo \u00e0 parte. <\/p>\n<p>Faz com que a plateia exploda de alegria com os hits que a Discoteca do homem consagrou. Chega ao del\u00edrio quando o cover de Gonzaguinha entra no palco entoando o c\u00e9lebre refr\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cViver e n\u00e3o ter a vergonha de ser feliz.\u201d<\/p>\n<p>Raramente vi tamanha cumplicidade do p\u00fablico ao manifestar-se em coro de forma t\u00e3o verdadeira, t\u00e3o m\u00e1gica.<\/p>\n<p>Talvez porque, nos dias de hoje, andamos mais envergonhados do que feliz, apesar de tantos avan\u00e7os, de tanta tecnologia, de tanta modernidade, de tanto politicamente correto, de tantos sonhos desfeitos.<\/p>\n<p>Se puder, n\u00e3o deixe de ver.<\/p>\n<p>\u201cQuem n\u00e3o se comunica<br \/>\nSe estrumbica.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Saio ainda emocionado \u2013 e algo confuso \u2013 do Teatro Alfa, onde na tarde de s\u00e1bado assisti ao espet\u00e1culo \u201cChacrinha, O Musical\u201d. \u00c9 bem melhor do que este modesto escriba \u2013 e sobrevivente daqueles tempos da Discoteca,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13084","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13084","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13084"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13084\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14954,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13084\/revisions\/14954"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13084"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13084"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13084"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}