{"id":13085,"date":"2015-05-26T00:00:00","date_gmt":"2015-05-26T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-10-02T20:48:41","modified_gmt":"2017-10-02T20:48:41","slug":"chacrinha-e-os-panfletos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/chacrinha-e-os-panfletos\/","title":{"rendered":"Chacrinha e os panfletos"},"content":{"rendered":"<p>Chego ao sagu\u00e3o do Hotel Normandie por volta das duas da tarde. Tenho uma entrevista com a cantora\/compositora F\u00e1tima Guedes \u2013 uma menina ainda, um talento promissor \u2013 que lan\u00e7a o novo disco com as b\u00ean\u00e7\u00e3os de grandes nomes da MPB, como Jo\u00e3o Bosco, Elis, Djavan, entre outros.<\/p>\n<p>Estou com tempo e resolvo esperar o rep\u00f3rter-fotogr\u00e1fico, Robson Fernandjes (naquela \u00e9poca, era s\u00f3 Fernandes mesmo sem o &#8220;j&#8221; da numerologia), na porta do antigo pr\u00e9dio no centro velho de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Fico surpreso com o que vejo \u2013 e mais uma vez lamento o atraso do Robson para registrar a cena: o apresentador Abelardo Barbosa (ele mesmo, o Chacrinha), em trajes civis, e duas chacretes, tamb\u00e9m com roupas convencionais, panfletam em meio \u00e0 multid\u00e3o que passa pela cal\u00e7ada da Avenida Ipiranga e tamb\u00e9m se espanta.<\/p>\n<p>Alguns chegam a duvidar que a cena \u00e9 real.<\/p>\n<p>T\u00e3o real quanto justific\u00e1vel.<\/p>\n<p>Recebo o pequeno folheto da chacrete de plant\u00e3o e leio o inevit\u00e1vel: todos estamos convidados para assistir a Buzina do Chacrinha em seu novo endere\u00e7o, a TV Bandeirantes.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>\u00d3bvio dos \u00f3bvio.<\/p>\n<p>Naqueles idos de 70\/80, longe dos holofotes estelares da Globo, o Velho Guerreiro n\u00e3o se conformava com o residual de telespectadores que a nova casa lhe oferecia e tentava, no corpo a corpo, tal pol\u00edtico em campanha, alavancar os \u00edndices de audi\u00eancia a n\u00edveis nunca dantes visto pelos lados do Morumbi.<\/p>\n<p>Para isso, topava todos os sacrif\u00edcios, todos os expedientes.<\/p>\n<p>Combatia o bom combate. At\u00e9 porque sabia que, al\u00e9m do orgulho pr\u00f3prio de continuar sendo o Chacrinha mesmo longe da emissora mais popular do Pa\u00eds, dele (e do seu programa) dependiam dezenas de fam\u00edlias. Produtores, m\u00fasicos, t\u00e9cnicos, assistentes de palco e as chacretes&#8230; Ah, as chacretes.<\/p>\n<p>Entendi que ali n\u00e3o estava o Velho Palha\u00e7o e, sim, um homem comum, um batalhador incans\u00e1vel. Em ess\u00eancia, ali estava, principalmente, um homem triste, algo amargurado.<\/p>\n<p>Foi a impress\u00e3o que me passou naquela tarde que se perdeu no tempo.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Resumo da \u00f3pera: entrevistei F\u00e1tima Guedes por hora e tanto (a carreira da mo\u00e7a n\u00e3o vingou tanto quanto se esperava) e o Robson n\u00e3o apareceu (tratei de me arranjar com as fotos de divulga\u00e7\u00e3o que a gravadora me disponibilizou). Ao sair do Normandie, topei com a mesma cena: o trio continuava firme e forte na lida.<\/p>\n<p>O show tinha que continuar. E continua ainda hoje. V\u00e1 ao Teatro Alfa e deslumbre-se.<\/p>\n<p>O homem virou lenda!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chego ao sagu\u00e3o do Hotel Normandie por volta das duas da tarde. 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