{"id":13102,"date":"2015-06-15T00:00:00","date_gmt":"2015-06-15T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:03:21","modified_gmt":"2017-09-15T19:03:21","slug":"antonico-arnesto-e-o-crides","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/antonico-arnesto-e-o-crides\/","title":{"rendered":"Antonico, Arnesto e o Crides"},"content":{"rendered":"<p>O Antonico e o Arnesto s\u00e3o dois personagens instigantes que sa\u00edram da vida real (e do anonimato) para se espalhar pelo imagin\u00e1rio da nossa gente e das p\u00e1ginas do nosso cancioneiro popular.<\/p>\n<p>O Antonico ganha vida no samba dolente de Ismael Silva que ganhou vers\u00f5es encantadoras nas vozes de int\u00e9rpretes como Gal Costa, Martinho da Vila, Elza Soares nos anos 70 e 80, mas a grava\u00e7\u00e3o original \u00e9 de Alcides Gerardi, em 1950.<\/p>\n<p>Nunca se confirmou de fato a exist\u00eancia do tal Antonico. <\/p>\n<p>H\u00e1, por\u00e9m, uma vers\u00e3o de que Ismael se \u2018inspirara\u2019 em um bilhete endere\u00e7ado a Lu\u00eds Sim\u00f5es Lopes, secret\u00e1rio do presidente Get\u00falio Vargas, que intercedesse por um sambista (o pr\u00f3prio Ismael, talvez, que acabara de sair da cadeia), pois o mesmo \u201cestava vivendo grande dificuldade\u201d. Lopes gostava de frequentar as rodas bo\u00eamias do Rio de Janeiro na d\u00e9cada de 40, era pr\u00f3ximo da rapaziada e o recado enfatizava: \u201cfa\u00e7a por ele como se fosse por mim\u201d.<\/p>\n<p>Quem conhece a letra do samba, percebe claramente a coincid\u00eancia das frases e dos versos.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Arnesto \u00e9 mais popular, digamos assim. <\/p>\n<p>\u201cO Arnesto nos convidou<br \/>\nPrum samba<br \/>\nEle mora no Br\u00e1s<br \/>\nN\u00f3s fumo<br \/>\nN\u00e3o encontramos ningu\u00e9m\u201d<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m da d\u00e9cada de 50, a cria\u00e7\u00e3o do inesquec\u00edvel Adoniran Barbosa era o lado B do 78 rota\u00e7\u00f5es que tinha \u201cSaudosa Maloca\u201d como faixa principal.<\/p>\n<p>No samba, o grande pecado de Arnesto foi n\u00e3o ter \u201cponhado um recado na porta\u201d. <\/p>\n<p>Na vida real, Arnesto era o advogado Ernesto Paulelli que morreu em mar\u00e7o de 2014, aos 99 anos. <\/p>\n<p>Adoniran fez o samba e imortalizou o amigo dos tempos da Mooca e dos prim\u00f3rdios da R\u00e1dio Bandeirantes.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Soube na semana passada da exist\u00eancia de um terceiro elemento nessa leva: o Crides, aquele do bord\u00e3o que o saudoso comediante Ronald Golias consagrou nos tempos da primeira Pra\u00e7a da Alegria. <\/p>\n<p>Euclides Gomes dos Santos morreu no domingo (dia 7), aos 88 anos, em S\u00e3o Carlos, cidade onde nasceu e viveu. Ele era amigo de inf\u00e2ncia e de peraltices de Golias.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, o apelido (que virou bord\u00e3o) vem dessa \u00e9poca. Foi dado pela pr\u00f3pria m\u00e3e de Euclides que o chamava dessa forma toda vez que queria que o garoto voltasse para casa.<\/p>\n<p>Golias gostava de improvisar em cena. Ele contou que, certa vez, quando entrou no palco, resolveu imitar a m\u00e3e do amigo e logo em seguida engatar uma breve piada. Aconteceu espontaneamente e a repercuss\u00e3o foi imediata.<\/p>\n<p>A\u00ed, ele adotou a fala como abertura em sua participa\u00e7\u00e3o do programa.<\/p>\n<p>Em 85, os roqueiros do Tit\u00e3s resolveram homenagear Golias e inclu\u00edram o bord\u00e3o nos versos da can\u00e7\u00e3o \u201cTelevis\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00d4 Crides fala pra m\u00e3e<br \/>\nTudo o que a antena captar<br \/>\nMeu cora\u00e7\u00e3o captura<br \/>\nV\u00ea se me entende<br \/>\nPelo menos uma vez criatura\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Antonico e o Arnesto s\u00e3o dois personagens instigantes que sa\u00edram da vida real (e do anonimato) para se espalhar pelo imagin\u00e1rio da nossa gente e das p\u00e1ginas do nosso cancioneiro popular.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13102","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13102","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13102"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13102\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14938,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13102\/revisions\/14938"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13102"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13102"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13102"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}