{"id":13113,"date":"2015-06-25T00:00:00","date_gmt":"2015-06-25T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:03:19","modified_gmt":"2017-09-15T19:03:19","slug":"no-bar-tematico","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/no-bar-tematico\/","title":{"rendered":"No bar tem\u00e1tico&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Algu\u00e9m me disse que os viu, madrugada adentro, em clima de romance, num bar tem\u00e1tico do centro de S\u00e3o Paulo \u201ccomo se o tempo n\u00e3o havia passado\u201d.<\/p>\n<p>A princ\u00edpio, n\u00e3o acreditei.<\/p>\n<p>Mas, vieram os detalhes \u2013 dia, hora, o bar tem\u00e1tico era sobre a vida e os sucessos do cantor N\u00e9lson Gon\u00e7alves, as bebidas sobre a mesa e a conversa ao p\u00e9 d\u2019ouvido.<\/p>\n<p>Os bons tempos voltaram, arrisquei ainda com ressalvas.<\/p>\n<p>Mas, pensei de imediato, o que a minha prezada interlocutora lucraria \u201cinventando\u201d esse enredo todo?<\/p>\n<p>De pronto, vieram \u00e0 minha mente os dias atribulados em que \u00e9ramos felizes (\u00e0 nossa maneira) na velha reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janel\u00f5es para a ruidosa rua Bom Pastor.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca, diz\u00edamos que o casal em quest\u00e3o vivia \u201cuma t\u00f3rrida paix\u00e3o\u201d. Gost\u00e1vamos de um lugar comum, ok! Mas, os dois davam mostras para os nossos, digamos, coment\u00e1rios.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Eram plenos, intensos. Para o mal e para o bem. Nos carinhos, no sentimento exacerbado, nos ci\u00fames e nas rusgas.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, os flagr\u00e1vamos alheios a tudo e a todos, absolutamente apaixonados. \u00c0s vezes, precis\u00e1vamos apart\u00e1-los em meio \u00e0s discuss\u00f5es sem fim.<\/p>\n<p>Havia quem apostasse que o romance era para sempre. Outros, com o mestre e guru Nasci, diziam-se c\u00e9ticos, Por toda a turbul\u00eancia, pelas DRs, pelas idas-e-vindas frequentes, o rompimento era inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>N\u00e3o era exatamente uma bolsa de apostas, mas os bochichos tamb\u00e9m eram inevit\u00e1veis \u2013 e procedentes.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Certa tarde, de forma at\u00e9 surpreendente, a mo\u00e7a apresentou a carta de demiss\u00e3o e justificou que voltaria para sua cidade natal no interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Aparentemente, estavam bem \u2013 e continuavam juntos.<\/p>\n<p>Meses depois foi a vez de o garot\u00e3o aceitar uma proposta de emprego que ele chamou de \u201cnovo desafio para a carreira\u201d. Tamb\u00e9m nos deixou.<\/p>\n<p>Resumo da \u00f3pera: perdemos os dois de vista e desconfio que, nesse embalo, os dois se perderam nas quebradas tortuosas do mundar\u00e9u que vivemos.<\/p>\n<p>(Entendam: ainda n\u00e3o existiam emails, faces, whats, redes sociais. Nem celular havia. Sim, meus caros, havia vida antes dessas engenhocas todas.)<\/p>\n<p>IV. <\/p>\n<p>Soubemos, anos mais tarde, que cada um a seu modo se ajeitou na vida.  Encontraram novos trabalhos, e novos amores. <\/p>\n<p>\u201cIgual a tudo na vida\u201d, algu\u00e9m comentou, lembrando um divertido filme de Woody Allen.<\/p>\n<p>Vinte, trinta anos depois ou tempo que o valha, recebo a noticio do reencontro dos amigos em uma madrugada fria do outono paulistano. Agu\u00e7a minha curiosidade \u2013 ser\u00e1 que se acertaram ou se perderam de vez?  Seja como for, fica em mim a certeza de que o amor daqueles dois \u201ccabe\u00e7udos\u201d era verdadeiro \u2013 e que ambos viveram uma bela hist\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algu\u00e9m me disse que os viu, madrugada adentro, em clima de romance, num bar tem\u00e1tico do centro de S\u00e3o Paulo \u201ccomo se o tempo n\u00e3o havia passado\u201d.<\/p>\n<p>A princ\u00edpio,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13113","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13113","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13113"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13113\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14928,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13113\/revisions\/14928"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13113"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13113"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13113"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}