{"id":13122,"date":"2015-07-04T00:00:00","date_gmt":"2015-07-04T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:03:18","modified_gmt":"2017-09-15T19:03:18","slug":"nestor-e-a-crise-na-europa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/nestor-e-a-crise-na-europa\/","title":{"rendered":"Nestor e a crise na Europa"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0s v\u00e9speras do plebiscito que decidir\u00e1 os rumos econ\u00f4micos (e pol\u00edticos e sociais) da Gr\u00e9cia, lembro o encontro que tive, em abril deste ano, com o amigo Nestor em uma cafeteria \u00e0 beira do rio Tejo, em Lisboa.<\/p>\n<p>J\u00e1, j\u00e1 explico o porqu\u00ea da lembran\u00e7a. Antes, por\u00e9m \u2013 e brevemente \u2013, lhes apresento, car\u00edssimos e raros leitores, o Nestor.<\/p>\n<p>Se puxarem pela mem\u00f3ria, recordar\u00e3o que j\u00e1 o conhecem. Ele foi assunto da cr\u00f4nica \u201cO amigo de inf\u00e2ncia\u201d, postada em 19 de abril.  Mas, permitam-me recuperar um tantinho da sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Eu o perdi de vista ainda na d\u00e9cada de 60 quando ainda \u00e9ramos garotos. O Nestor e a fam\u00edlia, sem aviso pr\u00e9vio, se mudaram do velho Cambu\u00e7a e n\u00e3o deram mais sinal de vida. O Sr. Nestor-pai havia se enroscado na luta contra os desmandos da ditadura da vez, fora preso e, quando solto, se mandou do pa\u00eds, junto com os familiares.<\/p>\n<p>S\u00f3 soube agora, nesse encontro, das andan\u00e7as do amigo, desde ent\u00e3o, mundo afora.<\/p>\n<p>Ele atualmente mora na B\u00e9lgica, nunca mais deu as caras por aqui. Nem pretende. Disse que n\u00e3o tem saudade alguma. Mesmo assim se p\u00f4s a investigar, via redes sociais, por onde andava a turma da Maloca como \u00e9ramos conhecidos \u00e0 \u00e9poca; n\u00f3s, os moleques da rua Muniz de Souza.<\/p>\n<p>Nessa ca\u00e7a webiana, o Nestor me encontrou e, como eu tinha uma viagem previamente marcada \u00e0 Europa, fechamos de nos encontrar em Lisboa.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Isto posto, guardem essa apresenta\u00e7\u00e3o, \u00e9 bem prov\u00e1vel que, em cr\u00f4nicas futuras, o Nestor a reapare\u00e7a. At\u00e9 porque aquela foi uma tarde inesquec\u00edvel, entre caf\u00e9s, \u00e1gua com g\u00e1s (da marca Salgada) e past\u00e9is de nata, sem falar das recorda\u00e7\u00f5es e constata\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Uma dessas constata\u00e7\u00f5es \u00e9 a que motivou o post de hoje \u2013 e, \u00f3bvio, tem a ver com a turbul\u00eancia que o Velho Continente enfrenta nos \u00faltimos meses (para n\u00e3o falar anos). Os acontecimentos da Gr\u00e9cia s\u00e3o a ponta do iceberg.  Segundo o amigo Nestor, a Europa e o mundo, consequentemente \u2013 vivem uma encruzilhada, sem ter clareza de qual caminho devem seguir.  <\/p>\n<p>N\u00e3o cabe mais qualquer solu\u00e7\u00e3o isolada. N\u00e3o h\u00e1 como retroceder no tempo e viver como se vivia em idos tempos.<\/p>\n<p>&#8211; Se continuar essa ret\u00f3rica de eu mando e voc\u00ea, o pobrezinho, obedece. Todos afundam.<\/p>\n<p>IV. <\/p>\n<p>O Nestor explica que fen\u00f4menos como a globaliza\u00e7\u00e3o desenfreada, as ondas de imigra\u00e7\u00e3o, as diferen\u00e7as econ\u00f4micas e sociais entre os pa\u00edses, a ascens\u00e3o da R\u00fassia, o radicalismo pseudamente religioso, a intoler\u00e2ncia de grupos ultra conservadores, entre outros tantos problemas, precisam ser equacionados conjuntamente, buscando uma plataforma comum de solu\u00e7\u00f5es que h\u00e1 todos beneficie e\/ou penalize igualmente.<\/p>\n<p>Ainda no entender do amigo (que mora em Bruges h\u00e1 sei l\u00e1 quantos anos), h\u00e1 uma clara hegemonia na Uni\u00e3o Europeia dos interesses dos pa\u00edses economicamente mais assentados. As decis\u00f5es parecem servir ao equil\u00edbrio social de Alemanha, Inglaterra e Fran\u00e7a em detrimento de pa\u00edses como Gr\u00e9cia, Portugal, Espanha e por a\u00ed vai&#8230;<\/p>\n<p>V. <\/p>\n<p>O Nestor me contou que a autonomia desses \u00faltimos, \u201ccomo na\u00e7\u00e3o soberana\u201d, \u00e9 constantemente menosprezada nas decis\u00f5es da c\u00fapula da Uni\u00e3o Europeia e do FMI. Tanto que se fala abertamente, e em tom de deboche, nesses pa\u00edses que, ao inv\u00e9s de se eleger um presidente e\/ou um parlamento, melhor seria votar logo no todo-poderoso presidente da Europa, pois em \u00faltima an\u00e1lise \u201c\u00e9 assim que as coisas funcionam na hora do vamos ver\u201d. <\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Naquela noite mesmo, no hotel diante da TV, acompanhei um debate de alguns ilustres sobre o alarmante \u00edndice de desemprego em Portugal. Um dos jovens debatedores repetiu a insatisfa\u00e7\u00e3o com os governantes locais e sua subservi\u00eancia aos ditames da UE. <\/p>\n<p>&#8211; Se \u00e9 para que assim seja, o mais razo\u00e1vel seria votar na senhora \u00c2ngela Merkel n\u00e3o apenas para chanceler da Alemanha, mas de toda a Europa. Faz mais sentido, ora pois&#8230;<\/p>\n<p>Ora pois, digo eu. O Nestor sabe das coisas.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o:<\/p>\n<p>Tanto l\u00e1 como c\u00e1, todos precisam perder um bocadinho para que todos possam ganhar em equil\u00edbrio e qualidade de vida; n\u00e3o apenas os mais necessitados, os que sempre pagaram a conta.<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>Sabem aquela brincadeira com o jogo de domin\u00f3 quando se p\u00f5e uma pedra atr\u00e1s da outra e da outra e da outra&#8230; Pois ent\u00e3o, se a Gr\u00e9cia cair amanh\u00e3, outras tantas economias vir\u00e3o na sequ\u00eancia, inclusive as grandonas.<\/p>\n<p>N\u00e3o se vive feliz, isolado, em meio a tanta gente infeliz.<\/p>\n<p>\u00c9 da vida, dos amores \u2013 e das economias globalizadas.<\/p>\n<p>** escrevi demais, volto segunda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0s v\u00e9speras do plebiscito que decidir\u00e1 os rumos econ\u00f4micos (e pol\u00edticos e sociais) da Gr\u00e9cia, lembro o encontro que tive, em abril deste ano, com o amigo Nestor em uma cafeteria \u00e0 beira do rio Tejo,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13122","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13122","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13122"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13122\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14919,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13122\/revisions\/14919"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13122"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13122"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13122"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}