{"id":13126,"date":"2015-07-13T00:00:00","date_gmt":"2015-07-13T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:03:18","modified_gmt":"2017-09-15T19:03:18","slug":"lucas-e-orelha","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/lucas-e-orelha\/","title":{"rendered":"Lucas e Orelha"},"content":{"rendered":"<p>Logo no in\u00edcio dos anos 60, a m\u00fasica brasileira vivia um per\u00edodo de grandes transforma\u00e7\u00f5es. O aparecimento da bossa nova e a eclos\u00e3o do rock causaram, al\u00e9m da estranheza com o novo, a consolida\u00e7\u00e3o de uma nova est\u00e9tica em, termos de cancioneiro popular<\/p>\n<p>O ritmo sincopado, os acordes dissonantes, as delicadas harmonias, as letras fugazes que iconizavam banquinhos e viol\u00f5es, corcovados e barquinhos deram a t\u00f4nica do que se deveria ouvir \u2013 tudo o mais era passado.<\/p>\n<p>De outro lado,os jovens suburbanos \u2013 como eu e os meus \u2013 se interessavam pelas letras nada a ver e o embalo acelerado, made in USA, desse tal de rock\u2019in roll. Tamb\u00e9m aqui \u2013 e de forma visceral &#8211; tudo o  mais era passado.<\/p>\n<p>Quem tinha mais de 30 n\u00e3o tinha a no\u00e7\u00e3o exata da cena musical. E reclamava que n\u00e3o se fazia mais m\u00fasica como antigamente. As letras eram um pastiche e, para se cantor, n\u00e3o precisava<br \/>\nsequer ter voz potente ou mesmo saber cantar.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Foi neste contexto que apareceu o carioca Jorge Ben, cantor, compositor e instrumentista, na faixa dos 20 anos, fazendo um tipo de m\u00fasica que ainda ningu\u00e9m tinha ouvido. Misturava samba, bossa, rock em uma levada que n\u00e3o se sabia identificar o que era exatamente. Suas letras eram pueris, e todo o cen\u00e1rio das can\u00e7\u00f5es banhava-se em influ\u00eancias de cultura africana.<\/p>\n<p>Foi um perereco.<\/p>\n<p>O samba n\u00e3o era samba.<\/p>\n<p>A bossa n\u00e3o era bossa.<\/p>\n<p>O que est\u00e1vamos ouvindo ent\u00e3o?<\/p>\n<p>Indiferente aos questionamentos, o grande p\u00fablico adorou a novidade. Tr\u00eas de suas can\u00e7\u00f5es emplacavam os primeiros lugares entre as mais vendidas \u2013 \u201cMas Que Nada\u201d, \u201cPor Causa de Voc\u00ea, Menina\u201d e \u201cChove Chuva\u201d \u2013 e o primeiro elep\u00ea, \u201cSamba Esquema Novo\u201d, ainda hoje (51 anos depois) ainda \u00e9 refer\u00eancia em termos de discografia nacional.<\/p>\n<p>O resto da hist\u00f3ria, todos sabem&#8230;<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Lembro esses prim\u00f3rdios para, digamos, dar os devidos e merecidos cr\u00e9ditos \u00e0 vit\u00f3ria da banda Lucas e Orelha no reality musical Superstar que ontem se encerrou.<\/p>\n<p>Os vocalistas da banda (um com 17 e outro com 19), indiscut\u00edvel negar, foram figuras centrais da conquistas. Mais do que suas can\u00e7\u00f5es \u2013 tamb\u00e9m com letras ing\u00eanuas e rom\u00e2nticas \u2013 que flertam com o funk melody, foi o carisma dos meninos que desbancou os favoritos, os roqueiros da Scalene, nas duas \u00faltimas vota\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o discuto a justi\u00e7a do resultado. Nem re\u00fano condi\u00e7\u00f5es para tanto \u2013 tenho bem mais do que 30; ou melhor, duas vezes 30 e uns quequerecos. <\/p>\n<p>Penso mesmo que todos os participantes ganharam com as apresenta\u00e7\u00f5es na tela da Globo.  <\/p>\n<p>Mas, torci pelos garotos. Gostemos ou n\u00e3o, eles apontam para o futuro \u2013 e, como diria Benjor, s\u00e3o coisas nossas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Logo no in\u00edcio dos anos 60, a m\u00fasica brasileira vivia um per\u00edodo de grandes transforma\u00e7\u00f5es. 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