{"id":13133,"date":"2015-07-21T00:00:00","date_gmt":"2015-07-21T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:03:17","modified_gmt":"2017-09-15T19:03:17","slug":"a-saga-do-poeta-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-saga-do-poeta-2\/","title":{"rendered":"A saga do Poeta (2)"},"content":{"rendered":"<p>V.<\/p>\n<p>Antes que o Poeta prosseguisse com a narra\u00e7\u00e3o de sua  aventura em Congonhas, resolvi interpel\u00e1-lo para entender melhor o que aconteceu:<\/p>\n<p>&#8211; Quer dizer que, em meio a toda aquela muvuca do aeroporto, voc\u00ea imaginou ter visto sua ex, entrou em parafuso, ficou cercando a mo\u00e7a (que estava acompanhada, diga-se), viu que n\u00e3o era ela, mesmo assim continuou no encal\u00e7o da Fulana, mesmo ela sionalizando que n\u00e3o queria nada?  <\/p>\n<p>&#8211; Pois \u00e9, meu caro, pois \u00e9&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Poeta, vamos ser sincero, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 mais na idade de se meter nessas paradinhas. Queria arranjar confus\u00e3o, cara?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o \u00e9 isso, parceiro.  Tamb\u00e9m n\u00e3o sei lhe dizer. Mas, sabe aquelas sensa\u00e7\u00f5es que surgem quando voc\u00ea se apaixona. Aquela alegria incontrol\u00e1vel, aquele arrebatamento, aquele doce veneno de que ali est\u00e1 o princ\u00edpio, o fim e o meio de tudo de bom que nos pode acontecer? Essas coisas, meu caro, eu n\u00e3o sentia h\u00e1 mil\u00eanios. De repente, despencaram em mim e tive uma privatiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o dos sentidos (que estavam a flor da pele), mas da raz\u00e3o.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>&#8211; Mas, ela estava acompanhada, Poeta. Voc\u00ea n\u00e3o pensou nos riscos?<\/p>\n<p>&#8211; Para ser sincero, n\u00e3o pensei em nada. Ainda mais quando o rapaz desapareceu n\u00e3o sei por qual motivo. Se foi no banheiro ou se foi verificar algo da viagem&#8230; A\u00ed enlouqueci de vez. Anunciei a todos que ali estava a mulher da minha vida e parti em dire\u00e7\u00e3o a ela. Era a minha chance.<\/p>\n<p>&#8211; E a\u00ed, como ela reagiu?<\/p>\n<p>&#8211; Saiu em desabalada carreira, entrou na livraria e desapareceu em meio \u00e0s estantes de livros. <\/p>\n<p>&#8211; Ent\u00e3o, por fim, voc\u00ea se tocou que era hora de parar, n\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o, como lhe disse: h\u00e1 formas e formas de se estar s\u00f3. Mesmo em meio a toda aquela multid\u00e3o, em meio a toda aquela fissura, ali s\u00f3 havia n\u00f3s dois. Quando eu n\u00e3o a vi mais, me baixou uma profunda, uma imensa solid\u00e3o&#8230; Nada mais fazia sentido.<\/p>\n<p>Disse isso \u2013 e voltou a ficar em sil\u00eancio, olhos est\u00e1ticos, perdidos no entra-e-sai da Esta\u00e7\u00e3o Sacom\u00e3.<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>Pe\u00e7o permiss\u00e3o ao amigo para lhe fazer mais duas perguntas.<\/p>\n<p>Ele consente, balan\u00e7ando os ombros.<\/p>\n<p>&#8211; Poeta, e a\u00ed, voc\u00ea n\u00e3o a viu mais?<\/p>\n<p>Resposta:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o, mas sonho com ela todos os dias. Acho que embarcou sem que eu tenha me dado conta. Ou se mandou, pela porta lateral. Vai saber?<\/p>\n<p>Pergunta dois:<\/p>\n<p>&#8211; E o amigo que voc\u00ea levou ao aeroporto? N\u00e3o estranhou o teu surto e o teu desaparecimento.<\/p>\n<p>Reposta 2:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o falei mais com ele. Mas, desconfio que n\u00e3o. Ele me conhece&#8230; \u00danico problema \u00e9 que ele embarcou com a chave do carro que iria ficar comigo e que, at\u00e9 agora, est\u00e1 preso no estacionamento do aeroporto. Vai ficar uma nota essa estadia. <\/p>\n<p>Concluo:<\/p>\n<p>&#8211; Poeta, acho que voc\u00ea perdeu a mulher \u2013 e vai perder o amigo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V.<\/p>\n<p>Antes que o Poeta prosseguisse com a narra\u00e7\u00e3o de sua  aventura em Congonhas, resolvi interpel\u00e1-lo para entender melhor o que aconteceu:<\/p>\n<p>&#8211; Quer dizer que, em meio a toda aquela muvuca do aeroporto,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13133","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13133","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13133"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13133\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14909,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13133\/revisions\/14909"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}