{"id":13140,"date":"2015-07-25T00:00:00","date_gmt":"2015-07-25T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:01:58","modified_gmt":"2017-09-15T19:01:58","slug":"como-diria-o-poeta","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/como-diria-o-poeta\/","title":{"rendered":"Como diria o poeta&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Lembro o Doutor Ulysses quando se lan\u00e7ou \u00e0 Presid\u00eancia do Brasil em 1973. Era uma candidatura de protesto do ent\u00e3o l\u00edder da Oposi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o havia como ganhar em uma elei\u00e7\u00e3o indireta, com um Col\u00e9gio Eleitoral franca e obrigatoriamente favor\u00e1vel ao escolhido pelos generais de plant\u00e3o.<\/p>\n<p>Viv\u00edamos um per\u00edodo ditatorial \u2013 e o general Ernesto Geisel saiu-se vitorioso e sucedeu o ent\u00e3o presidente, general Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici, de triste lembran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em seu discurso de candidato, o Doutor Ulysses tornou popular a cita\u00e7\u00e3o do general romano Pompeu:<\/p>\n<p>\u201cNavegar \u00e9 preciso; viver n\u00e3o \u00e9 preciso\u201d.<\/p>\n<p>A frase era mesmo emblem\u00e1tica. Revelava o sentido daquela candidatura fadada a n\u00e3o vingar.<br \/>\nNo entanto, trazia em si o significado de que a luta continuava \u2013 e a esperan\u00e7a se renovava.<\/p>\n<p>Houve uma como\u00e7\u00e3o nos segmentos mais progressistas da sociedade. At\u00e9 porque alguns relutavam em aprovar a iniciativa do l\u00edder do ent\u00e3o MDB, o partido de Oposi\u00e7\u00e3o consentido pelos ditadores. Diziam que essa empreitada s\u00f3 referendava o regime vigente.<\/p>\n<p>Mas, as palavras ditas pelo Doutor Ulysses repercutiram internacionalmente. At\u00e9 pela pol\u00eamica que causaram. Quem seria o verdadeiro autor da frase? O poeta Fernando Pessoa j\u00e1 a havia usado em um poema: <\/p>\n<p>\u201cNavegadores antigos tinham uma frase gloriosa:<br \/>\nNavegar \u00e9 preciso; viver n\u00e3o \u00e9 preciso.<br \/>\nQuero para mim o esp\u00edrito desta frase<br \/>\nTransformada a forma para a casar como eu sou (&#8230;)\u201d<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o compositor Caetano Veloso fizera uso da mesma na letra do fado \u201cOs Argonautas\u201d, lan\u00e7ado em 1969.<\/p>\n<p>\u201cNavegar \u00e9 preciso; viver n\u00e3o \u00e9 preciso\u201d.<\/p>\n<p>Foi mesmo um momento hist\u00f3rico, emblem\u00e1tico para toda uma gera\u00e7\u00e3o. Um postulado existencial. Quem tem mais de cinquenta e tantos sabe bem o que estou falando&#8230;<\/p>\n<p>Hoje, num dos tantos cruzamentos desta Pauliceia Desvairada, transito ca\u00f3tico, vejo passar pelo carro um desses vendedores ambulantes que trabalham nos sem\u00e1foros. Entre as tantas engenhocas que vendia, destaca-se uma vareta cumprida em sua m\u00e3o. \u00c9 o chamado pau de selfie.<\/p>\n<p>A bem da verdade, nada disso me impressiona. O que me chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o inventivo grito de guerra do rapaz:<\/p>\n<p>\u201cVamos l\u00e1 pessoal. Olha o pau de selfie. Vamos fotografar. Vamos compartilhar. Vamos postar. Como diria o poeta, postar \u00e9 preciso; viver n\u00e3o \u00e9 preciso\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9. <\/p>\n<p>Os tempos mudaram&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lembro o Doutor Ulysses quando se lan\u00e7ou \u00e0 Presid\u00eancia do Brasil em 1973. Era uma candidatura de protesto do ent\u00e3o l\u00edder da Oposi\u00e7\u00e3o. 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