{"id":13173,"date":"2015-08-27T00:00:00","date_gmt":"2015-08-27T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2025-08-12T17:11:36","modified_gmt":"2025-08-12T17:11:36","slug":"aconteceu-no-spazio-pirandello","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/aconteceu-no-spazio-pirandello\/","title":{"rendered":"Aconteceu no Spazio Pirandello"},"content":{"rendered":"<p>\u201cOnde anda meu amor?\u201d<\/p>\n<p>O homem caminhava cambaleante pela rua. Tinha os passos tr\u00f4pegos de quem bebeu al\u00e9m da conta. Parecia n\u00e3o estar nesse planeta. Quem passava ao seu redor abria espa\u00e7o para que ele seguisse. Evitavam o encontr\u00e3o constrangedor e inoportuno.<\/p>\n<p>A apar\u00eancia era de um cidad\u00e3o normal, entre os 40 e os 50, que momentaneamente escapava \u00e0 pacata rotina de sua vida.<\/p>\n<p>\u201cOnde anda o meu amor?\u201d \u2013 resmungava ao l\u00e9u.<\/p>\n<p>E ia-e-vinha sem rumo definido.<\/p>\n<p>O prumo de sua vida estava visivelmente abalroado.<\/p>\n<p>N\u00e3o precisava ser especialista nas coisas do cora\u00e7\u00e3o para saber o real motivo.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos no Spazio Pirandello para lan\u00e7amento do livro \u201cMem\u00f3rias da Telenovela Brasileira\u201d, do saudoso amigo Ismael Fernandes.<\/p>\n<p>Foi no mais antigo dos anos \u2013 tempos da campanha das Diretas.<\/p>\n<p>O Baixo Augusta fervia.<\/p>\n<p>A fauna de frequentadores, a mais diversificada.<\/p>\n<p>Jornalistas, como n\u00f3s, eram apenas uma das, digamos, tribos folcl\u00f3ricas do lugar.<\/p>\n<p>A turminha dos malajambrados ipirangistas fazia ponto pr\u00f3xima a um dos grandes janel\u00f5es do casario dos prim\u00f3rdios paulistanos.<\/p>\n<p>N\u00e3o lembro exatamente quem nos alertou para o desconhecido Pierrot que trafegava na cal\u00e7ada em frente.<\/p>\n<p>Ia e voltava naqueles arredores da malfalada Rua Augusta.<\/p>\n<p>O lamento era sempre o mesmo, e continuava sem resposta:<\/p>\n<p>\u201cOnde anda o meu amor?\u201d<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Reflito, tanto tempo depois, sobre a nossa rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00f3s, homens barbados, vida profissional e pessoal intactas, donos de verdades absolutas sobre isso, aquilo e aquil\u2019outro.<\/p>\n<p>A curiosidade nos aproximou de outras tantas janelas.<\/p>\n<p>A princ\u00edpio, rimos da cena.<\/p>\n<p>Um ou outro esbo\u00e7ou as piadas tradicionais dessas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m se apiedou do sofrimento do rapaz.<\/p>\n<p>Outro alertou:<\/p>\n<p>&#8211; Podia ser um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Ops.<\/p>\n<p>Olhares e entreolhares.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que o Nasci, sempre o Nasci, decidiu agir.<\/p>\n<p>Partiu para a rua, falou com o desconhecido e o convidou para beber com a gente.<\/p>\n<p>Dispensamos as apresenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No instante seguinte, era um dos nossos e brind\u00e1vamos.<\/p>\n<p>\u201cUm viva \u00e0s mulheres. As que est\u00e3o. As que se foram. E as que est\u00e3o por vir. Bem-vindas sejam!\u201d<\/p>\n<p>O homem sorriu, sem jeito.<\/p>\n<p>Mas, acreditem, n\u00e3o mudou o bord\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cOnde anda o meu amor?\u201d<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cOnde anda meu amor?\u201d<\/p>\n<p>O homem caminhava cambaleante pela rua. Tinha os passos tr\u00f4pegos de quem bebeu al\u00e9m da conta. Parecia n\u00e3o estar nesse planeta. 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