{"id":13176,"date":"2015-08-30T00:00:00","date_gmt":"2015-08-30T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:01:55","modified_gmt":"2017-09-15T19:01:55","slug":"jeremias-o-interventor","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/jeremias-o-interventor\/","title":{"rendered":"Jeremias, o interventor"},"content":{"rendered":"<p>At\u00e9 parece aqueles velhos causos que o grande Stanislaw t\u00e3o bem relatava em suas cr\u00f4nicas di\u00e1rias \u2013 e que eram \u201ca cara\u201d do Brasil nos anos 60. No entanto, o ocorrido se deu aqui mesmo em S\u00e3o Paulo, em um dos nossos valorosos bairros perif\u00e9ricos que n\u00e3o sou louco de nominar porque n\u00e3o quero confus\u00e3o pro meu lado. Conto o milagre, mas n\u00e3o deduro quem s\u00e3o os santos (que, ali\u00e1s, n\u00e3o h\u00e1 nenhum nessa historieta). Vou trocar tamb\u00e9m o nome de tr\u00eas dos quatro personagens. De verdadeiro mesmo, fica o Manoel, que \u00e9 o dono da padaria e, como tal, dificilmente teria outro nome. Mesmo se chamasse Afonso, para os mais abusados da freguesia seria sempre o Seu Man\u00e9.<\/p>\n<p>Acontece que o Seu Man\u00e9 vivia um drama. Tinha uma mulher que n\u00e3o era f\u00e1cil e uma ajudante de cozinha, toda roli\u00e7a e jeitosa, que se fazia de dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Dona Luzia, a esposa, n\u00e3o dava mole para o marido. N\u00e3o sei se desde sempre cultivava o estilo \u201cbuzina\u00e7o\u201d ou se foi a presen\u00e7a de Jacira, a tenta\u00e7\u00e3o, que lhe acirrou os \u00e2nimos e a ca\u00e7a impiedosa a tudo o que o pobre Manoel fazia e\/ou falava.<\/p>\n<p>&#8211; Assim n\u00e3o d\u00e1. Seu Man\u00e9 t\u00e1 lascado, desse jeito. \u00c9 um esporro atr\u00e1s do outro. A Dona Encrenca n\u00e3o d\u00e1 folga pro coitado.<\/p>\n<p>Com licen\u00e7a, apresento a voc\u00eas, meus queridos cinco ou seis leitores, o Jeremias, o autor da fala acima. Como podem ver, ele j\u00e1 demonstra toda a sua indigna\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o. Jeremias, vez em quando, qalmo\u00e7a por l\u00e1, mas gosta mesmo de terminar a tarde na padoca. \u201cS\u00f3 na cervejinha, \u00f4\u00f4&#8230;\u201d Sente-se \u00e0 vontade com a rapaziada, bota sua banca, conta suas lorotas e est\u00e1 na bronca com a Dona Luzia.<\/p>\n<p>N\u00e3o quero tomar partido, longe de mim. Mas, ele tem raz\u00e3o. Dona Luzia trabalha pra caramba, \u00e9 verdade. Ajuda no que for preciso. S\u00f3 que, em compensa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o perde uma para esculhambar o simp\u00e1tico Seu Man\u00e9 (a freguesia gosta dele). Discorda de tudo o que ele diz ou pensa dizer, chama a aten\u00e7\u00e3o do pobre (pobre, n\u00e3o; que Seu Man\u00e9 t\u00e1 bem de vida) na frente de todo mundo e, n\u00e3o contente, gosta de dizer que, sem ela, a luminosa padaria Flor de Avis iria para o belel\u00e9u.<\/p>\n<p>A quem chega pela primeira vez no lugar e n\u00e3o entende as broncas de Dona Luzia, Jeremias se d\u00e1 ao trabalho de bancar o rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e cuida da imagem e reputa\u00e7\u00e3o do estabelecimento:<\/p>\n<p>&#8211; Digamos que o casal de propriet\u00e1rios est\u00e1 numa fase de tucanos versus petistas, mas experimenta a coxinha de catupiry que \u00e9 o que h\u00e1&#8230; Logo logo eles se acalmam.<\/p>\n<p>Aos mais chegados, Jeremias d\u00e1 uma de psic\u00f3logo e alardeia o resumo da \u00f3pera:<\/p>\n<p>&#8211; Ela faz do pobre coitado o seu contraponto com o mundo. No fundo, no fundo, a Dona Luzia, que \u00e9 uma balzaca ainda no prumo, n\u00e3o est\u00e1 satisfeita com o dia a dia que anda vivendo entre o forno, o fog\u00e3o, a pia, a farinha e os salgadinhos. T\u00e1 mal com ela mesma, d\u00e1 para entender?<\/p>\n<p>H\u00e1 quem entenda. Outros, como este humilde escriba, continuam boiando. De real mesmo, \u00e9 que, feito o diagn\u00f3stico, o Jeremias ajeitou o colarinho da camisa Dudalina e resolveu intervir.<\/p>\n<p>&#8211; No estilo, meu caro, no estilo&#8230;<\/p>\n<p>Ele bolou a seguinte estrat\u00e9gia que lhes conto amanh\u00e3, se o dito-cujo n\u00e3o roer a corda.  <\/p>\n<p>Aguardem!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 parece aqueles velhos causos que o grande Stanislaw t\u00e3o bem relatava em suas cr\u00f4nicas di\u00e1rias \u2013 e que eram \u201ca cara\u201d do Brasil nos anos 60. No entanto, o ocorrido se deu aqui mesmo em S\u00e3o Paulo,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13176","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13176"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13176\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14869,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13176\/revisions\/14869"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}