{"id":13183,"date":"2015-09-06T00:00:00","date_gmt":"2015-09-06T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:01:54","modified_gmt":"2017-09-15T19:01:54","slug":"jeremias-o-interventor-parte-8","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/jeremias-o-interventor-parte-8\/","title":{"rendered":"Jeremias, o interventor (parte 8)"},"content":{"rendered":"<p>Vida que segue, meus caros.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 exagero dizer que nossa hist\u00f3ria s\u00f3 n\u00e3o teve um final tr\u00e1gico por que, entendamos ou n\u00e3o, Seu Manoel revelou-se um manso \u2013 quer dizer, um cara pac\u00edfico, minimamente tranquilo, a ponto de preferir, mesmo em desatino, chorar suas magoas num quarto do apart-hotel do que  partir para o bate-boca ou algo pior.<\/p>\n<p>Quem nada entendeu foi Dona Luzia, a Luzia ou a Lu, como queiram.<\/p>\n<p>&#8211; O que deu no homem?<\/p>\n<p>Andava t\u00e3o envolvida com as novas conquistas que mal se deu conta de que n\u00e3o era mais quem sempre foi.<\/p>\n<p>Estava em outra enquanto o marido continuava na mesma. A vidinha de sempre. De casa para a padaria, da padaria para casa. Vidinha que ela pr\u00f3pria levou por anos e anos a fio, mas que, talvez j\u00e1 n\u00e3o lhe bastasse.<\/p>\n<p>Horrorizou-se com a possibilidade de voltar \u00e0quela lida de forno, fog\u00e3o &amp; Cia.<br \/>\nPassava 14, 16 horas por dia ali. De segunda a segunda. Dia livre s\u00f3 no Natal e no dia 1\u00ba de janeiro.<\/p>\n<p>Tanta coisa pra se viver mundo afora.<\/p>\n<p>N\u00e3o queria se mostrar injusta. Nem relegar a vida que levou.<\/p>\n<p>Teve consci\u00eancia que estava em uma encruzilhada.<\/p>\n<p>\u00c9 muito prov\u00e1vel que o marido n\u00e3o entendesse a nova fase.<\/p>\n<p>Talvez fosse bom conversar com a professora de neurolingu\u00edstica. Antes, por\u00e9m, iria procurar<br \/>\nJeremias, o Jej\u00ea, para que ele lhe buscasse not\u00edcias do Manoel.<\/p>\n<p>\u201cEm tantos e tantos de conviv\u00eancia, nunca vi o Man\u00e9 t\u00e3o atarantado pra me largar falando sozinha\u201d.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Antes de se aboletar em um apart-hotel, seu Man\u00e9 vagou de carro pelas ruas da cidade. <\/p>\n<p>N\u00e3o tinha um destino certo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o conseguia pensar em nada.<\/p>\n<p>Estava em choque.<\/p>\n<p>Aquela mulher a sua frente, falando, falando, falando&#8230; <\/p>\n<p>Chamando um estranho por apelido, Jej\u00ea, Jej\u00ea&#8230;<\/p>\n<p>Perdera o controle.<\/p>\n<p>Aquela mulher n\u00e3o podia ser a sua Luzia.<\/p>\n<p>Talvez n\u00e3o fosse mesmo&#8230;<\/p>\n<p>Talvez ele tamb\u00e9m n\u00e3o fosse mais o mesmo.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>J\u00e1 devidamente hospedado, Seu Man\u00e9 derrubou uma garrafa de vinho que havia no frigor bar e apagou.<\/p>\n<p>Dormiu o sono dos inocentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vida que segue, meus caros.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 exagero dizer que nossa hist\u00f3ria s\u00f3 n\u00e3o teve um final tr\u00e1gico por que, entendamos ou n\u00e3o, Seu Manoel revelou-se um manso \u2013 quer dizer,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13183","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13183","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13183"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13183\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14862,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13183\/revisions\/14862"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13183"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13183"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13183"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}