{"id":13194,"date":"2015-09-16T00:00:00","date_gmt":"2015-09-16T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2024-03-05T22:58:49","modified_gmt":"2024-03-05T22:58:49","slug":"duas-coisas-e-as-porteiras-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/duas-coisas-e-as-porteiras-da-vida\/","title":{"rendered":"Duas coisas e as porteiras da vida"},"content":{"rendered":"<p>Aprendi duas coisas neste meu di\u00e1rio blogar:<\/p>\n<p>1 \u2013 quando voc\u00ea escreve sobre uma hist\u00f3ria de amor, a repercuss\u00e3o maior se d\u00e1 junto ao p\u00fablico feminino. De alguma forma, ou elas se identificam com a narrativa ou se acomodam pelos arredores do texto, e querem palpitar;<\/p>\n<p>2 \u2013 quando voc\u00ea escreve sobre futebol (e tenho evitado o mais que posso isso, pois o que h\u00e1 de gente cascateando sobre o assunto n\u00e3o est\u00e1 escrito), quem se manifesta \u00e9 a rapaziada. Todo marmanjo brazuca que se preze tem opini\u00e3o formada sobre o que acontece no Planeta Bola.<\/p>\n<p>Ontem fui escrever sobre o tema a prop\u00f3sito de algumas lembran\u00e7as que me ocorreram dos tempos em que era o membro n\u00famero 651 da Associa\u00e7\u00e3o dos Cronistas Esportivos do Estado de S\u00e3o Paulo e, l\u00e1 pelas tantas da noite de ontem, sou convocado a dar explica\u00e7\u00f5es sobre o que escrevi ao atento ombudsman deste Blog, o amigo Escova.<\/p>\n<p>Ao telefone, sua voz tinha um tom professoral a me cobrar o que, segundo ele, fiquei devendo aos meus incautos cinco ou seis leitores \u2013 entre os quais, ele se inclui.<\/p>\n<p>&#8211; Meu considerado, voc\u00ea deixou algumas quest\u00f5es em aberto. At\u00e9 parece que voc\u00ea se esqueceu do imprescind\u00edvel compromisso jornal\u00edstico&#8230;<\/p>\n<p>Quase onze da noite, eu estava assistindo ao Cart\u00e3o Verde (que demorou a falar do Palmeiras e, quando falou, foram exatos dois minutos e logo se puseram a discutir o Flamengo, fico p\u00ea da vida quando fazem isso) e agora precisava dar satisfa\u00e7\u00e3o ao Escova, que \u00e9 meu amigo, mas \u00e9 abusado pra caramba.<\/p>\n<p>Bronqueei, em v\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; Do que voc\u00ea est\u00e1 falando, cara? Blog \u00e9 blog, n\u00e3o \u00e9 necessariamente jornalismo \u2013 tentei me esquivar.<\/p>\n<p>&#8211; Nada disso, respondeu ele, imp\u00e1vido.<\/p>\n<p>\u2013 Quando algu\u00e9m l\u00ea algo de um jornalismo, seja um bilhete, um email, um whats, ele parte do princ\u00edpio de que l\u00ea um texto jornal\u00edstico. E como voc\u00ea bem sabe, ou j\u00e1 esqueceu?, quando damos uma informa\u00e7\u00e3o precisamos complet\u00e1-la.<\/p>\n<p>Desisti de discutir, e fui direto ao assunto para me livrar o mais rapidamente daquele constrangimento:<\/p>\n<p>&#8211; Por exemplo?<\/p>\n<p>&#8211; Ora, vai dizer que n\u00e3o o percebeu?<\/p>\n<p>E eu, monossil\u00e1bico:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Ora voc\u00ea come\u00e7a o texto dizendo que o Nasci lhe dizia para se dedicar exclusivamente ao jornalismo esportivo&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; E?<\/p>\n<p>&#8211; E da\u00ed que voc\u00ea se esqueceu de dizer a n\u00f3s, os distintos leitores, a quem efetivamente deve satisfa\u00e7\u00e3o, o porqu\u00ea n\u00e3o seguiu os conselhos do nosso mestre e guru, o Nasci.<\/p>\n<p>S\u00f3 ent\u00e3o me dei conta de que, assim como aquelas v\u00e3s confer\u00eancias que a gente faz no extrato da nossa conta para ver se o banco errou e nos tirou algo mais do que devia, e isso nunca acontece, o Escova estava certo.<\/p>\n<p>Mesmo assim tentei me justificar.<\/p>\n<p>&#8211; Ficou impl\u00edcito no texto que gostava mais de escrever sobre outros assuntos e tal. M\u00fasica popular brasileira, por exemplo. Quebrava o galho nas lides futebol\u00edsticas quando dava e era preciso \u2013 e me interessava circunstancialmente. Embora o grande Nasci achasse que eu levava jeito, n\u00e3o era minha prioridade.<\/p>\n<p>&#8211; Me engana que eu gosto, brincou o Escova. \u2013 Voc\u00ea era e \u00e9 palmeirense demais para ser imparcial e desistiu do jornalismo esportivo para ser torcedor. Concorda?<\/p>\n<p>&#8211; Talvez. Pode ser, eu disse. \u2013 Nunca havia pensado no assunto. E sinceramente n\u00e3o sei o que lhe dizer. N\u00e3o temos controle sobre as porteiras que se abrem e as que se fecham vida afora.<\/p>\n<p>\u201cOs passos fazem o caminho\u201d, adoro essa frase.<\/p>\n<p>De que adianta pensar nisso agora, ponderei.<\/p>\n<p>&#8211; Achei que seus leitores \u2013 poucos, mais fi\u00e9is \u2013 deveriam saber. Na ess\u00eancia, meu caro, voc\u00ea \u00e9 um cronista de jornal sem jornal, como gosta de dizer. Ent\u00e3o&#8230; Se cuida, e v\u00ea l\u00e1 o que escreve, por que, \u00f3, estou atento&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aprendi duas coisas neste meu di\u00e1rio blogar:<\/p>\n<p>1 \u2013 quando voc\u00ea escreve sobre uma hist\u00f3ria de amor, a repercuss\u00e3o maior se d\u00e1 junto ao p\u00fablico feminino. 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