{"id":13197,"date":"2015-09-19T00:00:00","date_gmt":"2015-09-19T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:01:53","modified_gmt":"2017-09-15T19:01:53","slug":"doutor-marceleza","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/doutor-marceleza\/","title":{"rendered":"Doutor Marceleza"},"content":{"rendered":"<p>Pergunto a uma amiga comum a mim e a ele:<\/p>\n<p>&#8211; Por onde anda o Marceleza?<\/p>\n<p>E a Arlete me responde:<\/p>\n<p>&#8211; Est\u00e1 em Portugal, fazendo doutorado em Comunica\u00e7\u00e3o Social.<\/p>\n<p>Que beleza!<\/p>\n<p>O Marceleza \u00e9 bem assim mesmo. Aparece e desaparece sem maiores explica\u00e7\u00f5es e\/ou justificativas.<\/p>\n<p>&#8211; E precisa, meu querido? \u2013 parece que ou\u00e7o o malandro dizer.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, a proposta de um doutorado em terras lusitanas \u00e9 prova cabal de sua imprevisibilidade.<\/p>\n<p>&#8211; O Brasil n\u00e3o est\u00e1 f\u00e1cil, merm\u00e3o \u2013 outro di\u00e1logo imagin\u00e1rio que fa\u00e7o com a lembran\u00e7a do amigo distante.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Como assim, h\u00e1 algu\u00e9m entre os meus am\u00e1veis cinco ou seis leitores que n\u00e3o se recordam do Marceleza?<\/p>\n<p>Pensei que todos soubessem, me perdoem.<\/p>\n<p>\u00c9 que, vez ou outra, o bom-malandro d\u00e1 as caras por aqui, com seu humor e hist\u00f3rias que n\u00e3o s\u00e3o poucas.<\/p>\n<p>A mais recente foi agorinha, em fins de agosto (dia 24), no post \u201cMarceleza e a falta d\u2019\u00e1gua\u2019.<\/p>\n<p>Quem quiser, pode ir l\u00e1 conferir que tem at\u00e9 um mini-curr\u00edculo da figura.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Grande Marceleza!<\/p>\n<p>Trabalhamos juntos por alguns anos aqui na Universidade e tamb\u00e9m desenvolvemos alguns projetos profissionais para levantar algum troquinho a mais no fim do m\u00eas.<\/p>\n<p>Um desses projetos foi sobre jornalismo regional que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais nos encomendou em meados da d\u00e9cada passada.<\/p>\n<p>D\u00e1vamos aula em conjunto e, confesso, n\u00e3o havia dia que ele n\u00e3o me surpreendesse.<\/p>\n<p>Lembro que, certa vez, diante de uma tem\u00e1tica proposta por um dos alunos \u2013 os processos comunicacionais e a globaliza\u00e7\u00e3o \u2013 ele n\u00e3o hesitou:<\/p>\n<p>&#8211; Deixa comigo que eu respondo, disse o Marceleza.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>E logo se p\u00f4s a narrar a hist\u00f3ria do le\u00e3o que escapou do controle do domador e da jaula em um circo, desses bem mambembes. Os espectadores ficaram t\u00e3o assustados que trataram de correr em busca de prote\u00e7\u00e3o. Formaram-se v\u00e1rios grupos que se amparavam nos pontos mais altos das arquibancadas. Um mais \u00e0 direita do picadeiro central; outro mais \u00e0 esquerda.<\/p>\n<p>E o le\u00e3o a rugir, pra l\u00e1 e pra c\u00e1, t\u00e3o ou mais espantado que o pessoal.<\/p>\n<p>S\u00f3 ent\u00e3o algu\u00e9m se deu conta de que uma senhorinha, bem senhorinha mesmo, continuava ali, est\u00e1tica, na primeira fila, bem pr\u00f3xima ao animal enfurecido.<\/p>\n<p>Feito o alarme, todos se puseram a gritar:<\/p>\n<p>\u201cCoitada da velhinha, coitada da velhinha, coitada da velhinha\u201d.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Ela estava t\u00e3o assustada que n\u00e3o conseguia se mexer.<\/p>\n<p>Parecia uma est\u00e1tua.<\/p>\n<p>E o le\u00e3o a rugir.<\/p>\n<p>E o pessoal a gritar:<\/p>\n<p>\u201cCoitada da velhinha, coitada da velhinha, coitada da velhinha\u201d.<\/p>\n<p>Chegou no ponto de a\u00e7odamento a situa\u00e7\u00e3o que a senhorinha se encheu de coragem, subiu na cadeira, p\u00f4s as duas m\u00e3os em concha diante da boca, imitando um alto-falante, e berrou bem berrado:<\/p>\n<p>\u201c\u00d4, meus filhos, por favor, deixem o le\u00e3o escolher sossegado!\u201d<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 assim que funcionam os processos comunicacionais a partir do fen\u00f4meno da globaliza\u00e7\u00e3o \u2013 completou o nobre amigo.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>N\u00e3o me surpreenderia se essa hip\u00f3tese n\u00e3o seja o fio condutor de sua tese de doutorado.<\/p>\n<p>S\u00f3 acrescentarei mais uma coisa: as universidades portuguesas nunca mais ser\u00e3o as mesmas, depois que o Marceleza passar por l\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pergunto a uma amiga comum a mim e a ele:<\/p>\n<p>&#8211; Por onde anda o Marceleza?<\/p>\n<p>E a Arlete me responde:<\/p>\n<p>&#8211; Est\u00e1 em Portugal,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13197","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13197","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13197"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13197\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14849,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13197\/revisions\/14849"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13197"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13197"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13197"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}