{"id":13198,"date":"2015-09-20T00:00:00","date_gmt":"2015-09-20T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:01:53","modified_gmt":"2017-09-15T19:01:53","slug":"de-volta-ao-pacaembu","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/de-volta-ao-pacaembu\/","title":{"rendered":"De volta ao Pacaembu&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>O Palmeiras voltou ao Pacaembu (e venceu bem o Gr\u00eamio por 3 a 2).<\/p>\n<p>Eu tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Cheguei cedo.<\/p>\n<p>Fiz o trajeto de sempre. Des\u00e7o a p\u00e9 aquele ladeir\u00e3o que sai da avenida Higien\u00f3polis e dou de cara com a Pra\u00e7a Charles Miller e j\u00e1 n\u00e3o sou o mesmo senhor austero quando encaro, de frente, o velho est\u00e1dio, cen\u00e1rio de tantas lembran\u00e7as, de tanto encantamento.<\/p>\n<p>Alguma coisa, algum sentimento, me aproxima do garoto que fui, embora quem caminhe ao meu lado seja o meu filho \u2013 e n\u00e3o o saudoso Velho Aldo.<\/p>\n<p>Para o meu pai, homem de poucas palavras e tantos estranhamentos (o que dizia ser pr\u00f3prio dos calabreses, dos quais era descendente), o est\u00e1dio \u00e9 \u201ca nossa segunda casa\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; Aqui, j\u00e1 fomos campe\u00f5es tantas e tantas vezes, dizia como a me tranquilizar diante do eterno desafio que \u00e9 uma partida de futebol.<\/p>\n<p>Repito a convic\u00e7\u00e3o ao meu filho, mas ele j\u00e1 \u00e9 homem feito e, \u00e0s voltas com o celular, apenas sorri.<\/p>\n<p>Gosto quando ele sorri conivente com as bobagens futebol\u00edsticas (e outras tantas mais) que digo.<\/p>\n<p>Enquanto caminhamos, conto a ele que o v\u00f4 Aldo s\u00f3 chamava o Pacaembu de Pacaembu.  Detestou a mudan\u00e7a de nome para \u201cEst\u00e1dio Paulo Machado de Carvalho\u201d. <\/p>\n<p>Meu pai n\u00e3o perdoava o Doutor Paulo ter encabe\u00e7ado uma campanha para tomar o ent\u00e3o Parque Ant\u00e1rtico do Palmeiras, \u00e0 \u00e9poca da Segunda Grande Guerra, e repass\u00e1-lo a uma outra institui\u00e7\u00e3o esportiva. <\/p>\n<p>\u201cO homem era s\u00e3o-paulino doente. Era diretor do clube e tudo. E liderou na R\u00e1dio Record uma campanha para a desapropria\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O Velho Aldo ficava visivelmente emocionado quando se tocava nesse assunto. <\/p>\n<p>Indignava-se.<\/p>\n<p>Acho at\u00e9 que exagerava um tantinho para falar da bravura dos italianos e descendentes que, de bra\u00e7os dados, formaram um cord\u00e3o humano em defesa do Parque Ant\u00e1rtica.<\/p>\n<p>Foi um ato heroico, dizia o pai.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Dei uma pausa na hist\u00f3ria assim que entramos no est\u00e1dio propriamente dito. Curioso que, assim que atravessamos as catracas, havia uma comiss\u00e3o de mo\u00e7as a nos esperar e nos oferecendo um cart\u00e3o narrando, em duas faces, a arrancada hist\u00f3rica de 1942 quando \u201co Palestra It\u00e1lia morreu l\u00edder, e o Palmeiras nasceu campe\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Como disse l\u00e1 em cima, gosto quando o meu filho se diverte e sorri das bobagens que digo. <\/p>\n<p>Mas, gosto mais ainda quando lembra a picardia do av\u00f4 ao me provocar por tudo e por nada:<\/p>\n<p>&#8211; A\u00ea, pai, fala a verdade: o senhor j\u00e1 sabia dessa promo\u00e7\u00e3o. Por isso veio com essa conversinha. Foi ou n\u00e3o foi?<\/p>\n<p>Agora, foi a minha vez de me fazer indiferente. Ali\u00e1s, j\u00e1 devidamente acomodado na velha arquibancada atr\u00e1s do gol de entrada, eu liberei para continuar \u00e0s voltas com visor do celular enquanto eu saborosamente me deliciei com um sorvete e tantas e tantas lembran\u00e7as.<\/p>\n<p>Foi assim at\u00e9 que os times entraram em campo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Palmeiras voltou ao Pacaembu (e venceu bem o Gr\u00eamio por 3 a 2).<\/p>\n<p>Eu tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Cheguei cedo.<\/p>\n<p>Fiz o trajeto de sempre. Des\u00e7o a p\u00e9 aquele ladeir\u00e3o que sai da avenida Higien\u00f3polis e dou de cara com a Pra\u00e7a Charles Miller e j\u00e1 n\u00e3o sou o mesmo senhor austero quando encaro,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13198","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13198","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13198"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13198\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14848,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13198\/revisions\/14848"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13198"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13198"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13198"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}