{"id":13212,"date":"2015-10-04T00:00:00","date_gmt":"2015-10-04T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2026-03-04T18:57:24","modified_gmt":"2026-03-04T18:57:24","slug":"nosso-amigo-snoopy","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/nosso-amigo-snoopy\/","title":{"rendered":"Nosso amigo Snoopy *"},"content":{"rendered":"<p>Nunca soubemos seu nome verdadeiro.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, naquele boteco que desapareceu para a constru\u00e7\u00e3o da portentosa Esta\u00e7\u00e3o Sacom\u00e3 do Metr\u00f4, n\u00e3o sab\u00edamos quase nada de ningu\u00e9m. Do aventureiro Snoopy, menos ainda.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Snoopy era assim que o cham\u00e1vamos; n\u00f3s, os tronchos e os desvalidos que habitavam o local, dia sim e outro tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Para pertencer a tal confraria, n\u00e3o era preciso muito. O cara deveria resistir \u00e0 meia-d\u00fazia de tragos, n\u00e3o dar vexames e, sempre que poss\u00edvel e quando invocado pela turma, ser um bom contador de hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>E o Snoopy ia bem em todos os itens.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Gost\u00e1vamos mesmo dos causos que, inevitavelmente, envolvia celebridades, artistas e nomes da alta roda paulistana.<br \/>\nO falador n\u00e3o dava pinta de ser durango, como quase todos ali.<\/p>\n<p>Ach\u00e1vamos que era empres\u00e1rio ou algo do g\u00eanero. N\u00e3o ostentava, vestia-se com rigor, mas sobriamente; mas, pelas conversas, identific\u00e1vamos suas origens, digamos, nababescas.<\/p>\n<p>Em idade, ele se aproximava do Nasci \u2013 um tanto mais velho que n\u00f3s.<\/p>\n<p>&#8211; O cara \u00e9 um aristocrata \u2013 disse certa vez o Ferrugem, outro coroa do lugar, e completou:<\/p>\n<p>&#8211; Aposto que vive de heran\u00e7a da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>N\u00e3o assinamos embaixo, mas tamb\u00e9m n\u00e3o discordamos.<\/p>\n<p>Repito. Nosso interesse mesmo eram para as hist\u00f3rias apimentadas, do quem pegou quem, dos bastidores e dos rumos desse mundo que n\u00e3o frequent\u00e1vamos.<\/p>\n<p>Homem tamb\u00e9m adora uma conversa fiada, uma fofoca. Se tem mulher bonita na trama, ent\u00e3o; a coisa ferve.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Snoopy n\u00e3o era ass\u00edduo como n\u00f3s, mas marcava presen\u00e7a \u2013 e era sempre bem-vindo.<\/p>\n<p>De quando em quando, em dias de maior inspira\u00e7\u00e3o, o homem n\u00e3o deixava ningu\u00e9m se co\u00e7ar e pagava a conta, com direito \u00e0 saideira.<\/p>\n<p>Assim como chegou ao antro, Snoopy desapareceu. Alguns se deram conta, outros sentiram sua falta (queriam saber coisinhas dessa ou daquela Fulana), mas ningu\u00e9m fez drama.<\/p>\n<p>PARTE 2<\/p>\n<p>A vida, naqueles idos dos 80, seguia em velocidade de cruzeiro e, \u00e0 nossa maneira, t\u00ednhamos que cuidar da pr\u00f3pria a lida e nos esmerarmos em ser felizes.<\/p>\n<p>N\u00e3o lembro quanto tempo se passou, sei que foi um temp\u00e3o, e ainda resist\u00edamos por ali, quando nos chegou a not\u00edcia e um pacote de babilaques.<\/p>\n<p>Um mensageiro t\u00e3o misterioso quanto Snoopy nos visitou em uma manh\u00e3 de s\u00e1bado e informou que estava ali a mando de um ilustre artista pl\u00e1stico, de renome mundial (vendo o peixe como comprei, t\u00e1?) e que, no momento, se escafedera mundo afora sem deixar vest\u00edgio ou paradeiro. Uma praia perdida no Nordeste, uma pequena cidade no interior do Uruguai, uma aldeia na Toscana&#8230; Sobravam boatos, mas sem comprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>O homem, de terno e tal, nos disse do carinho que o chefe (Snoopy) sentia por n\u00f3s e que sempre aparecia por ali, no boteco, para curar a profunda depress\u00e3o que lhe enredara e n\u00e3o lhe dava tr\u00e9gua. Gostava do nosso amalucado e sem-compromisso jeito de levar a vida (era o que ele imaginava, ok?) e, muitas vezes, n\u00f3s o inspir\u00e1vamos nas obras abstratas e surreais que eram o seu forte.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m entendeu bulufas o processo de cria\u00e7\u00e3o do Snoopy; menos ainda, o porqu\u00ea em meio a tanta gente bonita ao seu redor, o cara foi nos transformar em musos.<\/p>\n<p>De qualquer forma, entre uma cerveja e outra, achamos conveniente nos fazermos de educados e n\u00e3o negacear os tais presentes devidamente nominados e empacotados.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Na verdade, eram pequenas telas (de 16 por 12 cent\u00edmetros) com as tais abstra\u00e7\u00f5es e algumas pequenas esculturas em cobre ou zinco (nunca soube direito).<\/p>\n<p>Cada um pegou a sua lembrancinha.<\/p>\n<p>A mim, coube um chaveiro exc\u00eantrico que, de resto, nunca pus em uso. Na pe\u00e7a principal, ele imita uma folha de \u00e1rvore em cobre (ou zinco) e tem incrustado um pequeno arranjo de contas e mi\u00e7angas. Uma moeda, das bem antigas, derretida completa a cena.<\/p>\n<p>Sejam educados, por favor.<\/p>\n<p>N\u00e3o me perguntem se o pessoal gostou ou n\u00e3o dos presentinhos.<\/p>\n<p>Da minha parte, como de h\u00e1bito, serei sincero: guardei o badulaque num lugar em casa muito bem guardado.<\/p>\n<p>Mas, s\u00f3 agora me dou conta que, tal e qual o seu autor, n\u00e3o sei que fim levou a obra.<\/p>\n<p>Parte 3<\/p>\n<p>Abro outro cap\u00edtulo da saga do Snoopy. Motivo: l\u00e1 vem o Escova, ombudsman do nosso Blog, com as observa\u00e7\u00f5es que julga \u201cjustas e necess\u00e1rias\u201d sobre os posts que escrevi dias atr\u00e1s (sexta e s\u00e1bado) que reverenciaram o suposto quase-amigo sumido no mundo.<\/p>\n<p>Escova tamb\u00e9m conheceu Snoopy naqueles idos tempos.<\/p>\n<p>Foi inclusive presenteado com duas pequenas telas que simulam o an\u00fancio de uma tempestade em alto mar.<\/p>\n<p>Lembro tamb\u00e9m que, naquela manh\u00e3 mesmo, ap\u00f3s conferir as ilustra\u00e7\u00f5es, o Escova me ofereceu as duas em troca de uma rodada de cerveja para a turma.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o faz o meu g\u00eanero, disse.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Vacil\u00e3o. Topei a proposta \u2013 e as telinhas est\u00e3o em um canto de uma das paredes de casa. Sem causar qualquer frisson \u00e0s pessoas que me visitam e a mim mesmo.<\/p>\n<p>Para ser sincero, s\u00f3 lembrei-me delas por conta da observa\u00e7\u00e3o feita pelo amigo.<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea reparou que o Snoopy n\u00e3o assinou nenhuma das telinhas e esculturas que nos deu? Confere l\u00e1 naquelas que eu lhe dei?<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o entendi a insinua\u00e7\u00e3o do Escova, que n\u00e3o se fez de rogado e continuou com as explica\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>&#8211; O cara n\u00e3o \u00e9 bobo, nem nada. Se ele assinasse aquelas obras e os especialistas em arte soubessem que estavam em nosso poder, toda a reputa\u00e7\u00e3o do homem despencaria como ilustre e renomado artista. Como \u00e9 que um bando de furrebas como n\u00f3s teria acesso a tamanho requinte? Concorda?<\/p>\n<p>N\u00e3o sou de concordar com o Escova de primeira (at\u00e9 porque quando ele percebe que est\u00e1 agradando fica muito mala). Tamb\u00e9m n\u00e3o entendo bulufas do tal mercado das artes. Mas, acho que o malandro tem raz\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Amigos, amigos; neg\u00f3cios \u00e0 parte.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, fa\u00e7o coro ao Escova quando ele diz que as hist\u00f3rias picantes dos famosos que o Snoopy nos contava eram bem mais interessantes.<\/p>\n<p>Por um bom tempo, sab\u00edamos mais do rala-e-rola que ocorre no high-society do que sobre nossa pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>Era bem divertido.<\/p>\n<p>Bem, na verdade, quando se tem trinta e poucos anos a vida \u00e9 uma grande abentura&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nunca soubemos seu nome verdadeiro.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, naquele boteco que desapareceu para a constru\u00e7\u00e3o da portentosa Esta\u00e7\u00e3o Sacom\u00e3 do Metr\u00f4, n\u00e3o sab\u00edamos quase nada de ningu\u00e9m. Do aventureiro Snoopy, menos ainda.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-13212","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-parangoles"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13212","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13212"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13212\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36497,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13212\/revisions\/36497"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13212"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13212"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13212"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}