{"id":13214,"date":"2015-10-06T00:00:00","date_gmt":"2015-10-06T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:52:50","modified_gmt":"2017-09-15T18:52:50","slug":"voce-entende","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/voce-entende\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea entende?"},"content":{"rendered":"<p>Ele me diz que gostaria de reencontr\u00e1-la.<\/p>\n<p>De alguma forma, talvez tenha sido o jeito com que falou, me senti c\u00famplice do rapaz que mal conhe\u00e7o e que conta sua peculiar hist\u00f3ria de um quase romance, em tom de desabafo.<\/p>\n<p>&#8211; Na verdade, nunca houve nada entre n\u00f3s. Somos de mundos diferentes. Mas, me fazia t\u00e3o bem v\u00ea-la por perto. <\/p>\n<p>N\u00e3o tenho a proximidade suficiente para pedir detalhes do enredo, mas o meu interlocutor n\u00e3o se faz de rogado. Entende meu sil\u00eancio e meu olhar como sinais para que continue a conversa:<\/p>\n<p>&#8211; Toda vez que nos encontr\u00e1vamos era de um encantamento \u00fanico, n\u00e3o sei lhe dizer, voc\u00ea entende?<\/p>\n<p>Balan\u00e7o a cabe\u00e7a em sinal de d\u00favida. Mas, me esfor\u00e7o para ter a dimens\u00e3o de tais encontros.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o eram propriamente encontros \u2013 ele pr\u00f3prio se corrige. &#8211; V\u00edamo-nos em reuni\u00f5es de amigos comuns, anivers\u00e1rios, comemora\u00e7\u00f5es. Ela estava sempre acompanhada. Mas, havia uma sintonia, uma magia, entre n\u00f3s, era bom demais, voc\u00ea entende?<\/p>\n<p>Come\u00e7o a me incomodar com essa quest\u00e3o (\u201cvoc\u00ea entende?\u201d) antes de lhe responder me esfor\u00e7o para imaginar a cena. Ela com o garot\u00e3o do lado, chegando a uma festa a procurar com os olhos pelo amigo \u2018pimp\u00e3o\u2019 (que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o meu amigo assim, nem me parece \u2018pimp\u00e3o\u2019 o suficiente a ponto de destro\u00e7ar cora\u00e7\u00f5es, enfim&#8230;).<\/p>\n<p>Ele se d\u00e1 conta da minha ignor\u00e2ncia no assunto \u2013 e amea\u00e7a encerrar o assunto.<\/p>\n<p>&#8211; Sem maiores explica\u00e7\u00f5es, fiquei sabendo que ela est\u00e1 em outra e deixou de frequentar nossa turma. Alguma aconteceu \u2013 e eu nem fiquei sabendo qual foi. Olai\u00e1. At\u00e9 do grupo de whatsapp, ela saiu.<\/p>\n<p>\u201cA\u00ed \u00e9 barra\u201d, conclu\u00ed com ares de quem conhece profundamente o peso e import\u00e2ncia das tais redes sociais.<\/p>\n<p>Recomendo ao novo amigo que leia \u201cAmores L\u00edquidos\u201d, do soci\u00f3logo Zygmunt Bauman. A obra j\u00e1 tem um tempinho e fala exatamente desses sentimentos fortuitos e intensos, t\u00e3o em voga nos dias atuais, que um sessent\u00e3o como eu custa a entender. Mas, n\u00e3o o reprovo, nem o desanimo.<\/p>\n<p>Lamento que a mo\u00e7a se foi, digo. E fa\u00e7o uma sugest\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; Por que voc\u00ea n\u00e3o a procura?<\/p>\n<p>Minha pergunta o deixa em p\u00e2nico. <\/p>\n<p>&#8211; Como assim? <\/p>\n<p>&#8211; Procurando ora&#8230; Pergunte pra um, pergunte pra outro \u2013 e vai em frente at\u00e9 chegar a ela. O mundo n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande assim.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa, ele desconversa, com a express\u00e3o de quem acabara de ouvir um absurdo sem tamanho e rebate:<\/p>\n<p>&#8211; E o mist\u00e9rio, e a magia, e o encantamento? Ela mal me conhece&#8230;<\/p>\n<p>Desisto de entender. Mas, gostaria de estar presente caso houvesse mesmo, um dia, esse reencontro. Desconfio que n\u00e3o daria em nada.<\/p>\n<p>A impress\u00e3o \u00e9 que hoje o pessoal gosta mais de imaginar do que de viver.<\/p>\n<p>Voc\u00ea entende, caro leitor?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ele me diz que gostaria de reencontr\u00e1-la.<\/p>\n<p>De alguma forma, talvez tenha sido o jeito com que falou, me senti c\u00famplice do rapaz que mal conhe\u00e7o e que conta sua peculiar hist\u00f3ria de um quase romance,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13214","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13214","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13214"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13214\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14833,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13214\/revisions\/14833"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13214"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13214"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}