{"id":13222,"date":"2015-10-26T00:00:00","date_gmt":"2015-10-26T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:51:45","modified_gmt":"2017-09-15T18:51:45","slug":"na-praia-da-armacao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/na-praia-da-armacao\/","title":{"rendered":"Na Praia da Arma\u00e7\u00e3o&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Ao meu lado, encostado \u00e0 parede externa da sede da Associa\u00e7\u00e3o dos Pescadores e Barqueiros, o garoto Jo\u00e3o Pedro est\u00e1 desolado. Tem l\u00e1 seus oito, nove anos e, acreditem, est\u00e1 ali com o mesmo prop\u00f3sito que eu e outros marmanjos. Aguardamos \u2013 eu, ele, a fam\u00edlia e mais meia d\u00fazia de turistas \u2013 o parecer abalizado do senhor que nos levaria, mar adentro, para um passeio at\u00e9 a Ilha Campeche, coisa de quarenta minutos de navega\u00e7\u00e3o, em um pequeno barco, da Praia da Arma\u00e7\u00e3o, em Florian\u00f3polis.<\/p>\n<p>\u201cVai a Floripa? N\u00e3o deixe de conhecer a aldeia, na Ilha Campeche. \u00c9 um passeio que vale \u00e0 pena\u201d \u2013 me disse o amigo Valdir assim que lhe contei meus planos de passar a semana de recesso escolar, entre 11 e 18 deste m\u00eas, na capital catarinense.<\/p>\n<p>Segui o conselho do amigo, lavado e enxaguado na experi\u00eancia de tantas viagens mundo afora. Desconfio, por\u00e9m, que n\u00e3o ser\u00e1 desta feita que conhe\u00e7o a tal vilazinha de pescadores, que hoje \u00e9 atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica da cidade, com igrejinha de tempos idos, feirinha de artesanato, praias de \u00e1guas l\u00edmpidas e restaurantes confi\u00e1veis nos pratos e nos pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Dito e feito.<\/p>\n<p>O barqueiro se aproxima com jeit\u00e3o arrastado e sem gra\u00e7a \u2013 e faz o comunicado em tom professoral: uma tal de mar\u00e9 evasiva (ser\u00e1 que entendi direito?) n\u00e3o recomenda a navega\u00e7\u00e3o neste e nos pr\u00f3ximos dias.<\/p>\n<p>Fico um pouquinho decepcionado. Mas, s\u00f3 um pouquinho. N\u00e3o sou assim t\u00e3o chegado a aventuras n\u00e1uticas \u2013 e o barcos que vejo ancorados ao meu redor, sinceramente, n\u00e3o inspiram confian\u00e7a. N\u00e3o s\u00e3o l\u00e1 de grande porte.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do que, h\u00e1 um sol morno dando as caras por aqui (ele que andou t\u00e3o arredio por esses dias) e uma caminhada pela praia n\u00e3o \u00e9 sugest\u00e3o de todo desprez\u00edvel, E bem mais segura.<\/p>\n<p>\u00c9 o que n\u00f3s, os turistas acidentais, fazemos a passos lentos, sem pr\u00e9vio trato.<\/p>\n<p>S\u00f3 o menino Jo\u00e3o Pedro demonstra total descontentamento com a not\u00edcia. E o motivo, ficamos todos sabendo pelas explica\u00e7\u00f5es carinhosas do pai: n\u00e3o, Jo\u00e3o Pedro, n\u00e3o estava interessado em nenhuma das atra\u00e7\u00f5es descoladas da aldeia. Queria mesmo fazer a viagem para ver os golfinhos que, circunstancialmente, aparecem ao redor do barco, bem no meio do trajeto.<\/p>\n<p>Foi um tio \u201cmeio maluc\u00e3o\u201d (provavelmente cunhado do pai) que contou essa lorota para o garoto que se amarrou na ideia e agora est\u00e1 inconsol\u00e1vel.<\/p>\n<p>Quer por que quer ver as piruetas e as presepadas dos golfinhos.<\/p>\n<p>Que situa\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>*amanh\u00e3 continua&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao meu lado, encostado \u00e0 parede externa da sede da Associa\u00e7\u00e3o dos Pescadores e Barqueiros, o garoto Jo\u00e3o Pedro est\u00e1 desolado. 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