{"id":13248,"date":"2015-11-28T00:00:00","date_gmt":"2015-11-28T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:51:43","modified_gmt":"2017-09-15T18:51:43","slug":"a-escolha","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-escolha\/","title":{"rendered":"A escolha"},"content":{"rendered":"<p>(Continuando&#8230;)<\/p>\n<p>A primeira vez que entrei em uma reda\u00e7\u00e3o de jornal foi no extinto Di\u00e1rio da Noite, com reda\u00e7\u00e3o ali na rua Sete de Abril, onde Assis Chateaubriand fundeou o imp\u00e9rio Di\u00e1rios e Emissoras Associadas.<\/p>\n<p>Essas coisas de pai, sabem como \u00e9?<\/p>\n<p>O Velho Aldo conhecia algu\u00e9m que conhecia outro algu\u00e9m, que era pr\u00f3ximo de algu\u00e9m que conhecia algu\u00e9m que trabalhava com o deputado Fulano de Tal e, este sim, me indicaria para um amigo que era jornalista no Di\u00e1rio.<\/p>\n<p>Bah, que hist\u00f3ria!<\/p>\n<p>Mas, era o que se tinha para o dia \u2013 e desconfio at\u00e9 que j\u00e1 escrevi sobre ela aqui no Blog. L\u00e1 fui eu ent\u00e3o me apresentar na soturna reda\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 vivera dias melhores.<\/p>\n<p>Vou lhes confessar que, certa tarde, entrei no elevador (aqueles antiguinhos de portas que abrem lateralmente) ao lado do senhor Edmundo Monteiro, sucessor de Chat\u00f4 e ent\u00e3o primeiro mandat\u00e1rio dos Di\u00e1rios.<\/p>\n<p>O homem foi anunciado e reverenciado pelo simp\u00e1tico ascensorista \u2013 uma pena que lhe esqueci o nome, pois foi um dos raros companheiros a me dar aten\u00e7\u00e3o enquanto estive ali, naqueles poucos dias.<\/p>\n<p>Nem com tamanha pompa (subir tr\u00eas andares ao lado da Presid\u00eancia), vou lhes dizer que senti qualquer emo\u00e7\u00e3o de estar ali. Ali\u00e1s, se aquele ditado que diz \u201ca primeira impress\u00e3o \u00e9 a que fica\u201d estivesse certo, talvez eu tivesse deixado o jornalismo ali mesmo, antes at\u00e9 de come\u00e7ar esta humilde e modesta carreira.<\/p>\n<p>Mas, como ia dizendo, ali cheguei e logo me despacharam para \u201cser colaborador\u201d do colunista<br \/>\nJos\u00e9 Armando Cavalcanti que assinava a se\u00e7\u00e3o \u201cKoisas\u201d.<\/p>\n<p>Vou lhes ser sincero, como sempre tento fazer por aqui.<\/p>\n<p>Nem ele, nem eu nos sentimos muito \u00e0 vontade. Desconfio que ele n\u00e3o precisasse de mais ningu\u00e9m para lhe ajudar a alinhavar o \u2018pacote\u2019 de notinhas di\u00e1rias sobre a vida nas altas rodas sociais, por onde andava o governador Laudo Natel, e outras amenidades do g\u00eanero. Ainda mais um rapaz de cabelos longos e desgrenhados, com ares plebeus e sem pedigree.<\/p>\n<p>A conviv\u00eancia se deu por uma semana, se tanto. <\/p>\n<p>Numa tarde, me enchi de coragem e fui conversar com o secret\u00e1rio da reda\u00e7\u00e3o. Seu nome era Argemiro, n\u00e3o tenho certeza (vixi, h\u00e1 mais de 40 anos). Disse-lhe todo sem jeito que n\u00e3o levava jeito para o colunismo social. Talvez, se ele achasse conveniente, poderia me dar uma chance na editoria de Esportes ou&#8230;<\/p>\n<p>O homem nem deixou eu terminar de falar. Mostrou-se atarantado com os afazeres daquele fechamento, da situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria do jornal, que n\u00e3o tinha tempo para salamaleques pessoais. Havia um monte de estudantes de jornalismo querendo uma oportunidade como aquela, se eu n\u00e3o estivesse gostando&#8230;<\/p>\n<p>Fiquei mais sem gra\u00e7a que um palha\u00e7o do Circo Vostok, mais solit\u00e1rio que um paulistano&#8230;<\/p>\n<p>Desci para tomar um caf\u00e9 \u2013 e, ali, no boteco em frente ao pr\u00e9dio hist\u00f3rico, desisti do Di\u00e1rio da Noite e o mundo e o jornalismo perderam um doubl\u00e9 de Amaury J\u00fanior.<\/p>\n<p>Foi dif\u00edcil explicar em casa, mas n\u00e3o me arrependo da escolha&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Continuando&#8230;)<\/p>\n<p>A primeira vez que entrei em uma reda\u00e7\u00e3o de jornal foi no extinto Di\u00e1rio da Noite, com reda\u00e7\u00e3o ali na rua Sete de Abril, onde Assis Chateaubriand fundeou o imp\u00e9rio Di\u00e1rios e Emissoras Associadas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13248","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13248","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13248"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13248\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14799,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13248\/revisions\/14799"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13248"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13248"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13248"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}