{"id":13264,"date":"2015-12-17T00:00:00","date_gmt":"2015-12-17T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:51:41","modified_gmt":"2017-09-15T18:51:41","slug":"a-voz-da-periferia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-voz-da-periferia\/","title":{"rendered":"A voz da periferia"},"content":{"rendered":"<p>Em cada comunidade do Rio de Janeiro existe um som que ecoa pelas vielas: o funk. Todos os holofotes est\u00e3o voltados para este ritmo que est\u00e1 presente h\u00e1 35 anos na cidade.<\/p>\n<p>O funk carioca teve muita influ\u00eancia da m\u00fasica negra americana que ajudou na cria\u00e7\u00e3o do ritmo, das batidas , das dan\u00e7as e das lentes presentes no estilo musical.<\/p>\n<p>Durante a d\u00e9cada de 1970, iniciou-se a realiza\u00e7\u00e3o dos \u201cBailes Black\u201d embalados no soul e no funk americanos que chegaram \u00e0s cidades metropolitanas brasileiras, como Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo. As duas cidades j\u00e1 apresentavam uma movimenta\u00e7\u00e3o cultural em torno da m\u00fasica negra nas periferias.<\/p>\n<p>Uma d\u00e9cada antes dos primeiros passos de funk, o soul invadiu os clubes dos sub\u00farbios cariocas: \u00e9 o per\u00edodo das equipes de som e dos \u201cBailes Black\u201d. A explos\u00e3o do novo g\u00eanero ficou conhecida como a onda Black Rio e reuniu artistas como Tim Maia, Toni Tornado, Gerson King Combo, Carlos Daf\u00e9, Cassiano, a Banda Black Rio, entre outros.<\/p>\n<p>As equipes de soul, como Grand Prix, Black Power e a ent\u00e3o rec\u00e9m criada Furac\u00e3o 200 faziam sucesso entre os jovens nos anos 70. No total, mais de 400 equipes promoviam bailes \u00e0 \u00e9poca. <\/p>\n<p>Muitos dos sucessos chamados de soul pelos DJs, os mestres de cerim\u00f4nias dos bail\u00f5es, na verdade j\u00e1 pertenciam a um novo estilo surgido nos Estados Unidos: o funk, uma nova estrutura musical r\u00edtmica e dan\u00e7ante, da qual o precursor foi James Brown.<\/p>\n<p>J\u00e1 vers\u00e3o brasileira do funk, apesar de usar o mesmo nome, \u00e9 harmonicamente diferente do ritmo americano.<\/p>\n<p>O g\u00eanero ganhou for\u00e7a e popularidade nos final dos 80 nas comunidades e morros do Rio de Janeiro, tendo como base e inspira\u00e7\u00e3o a diversidade de outras levadas vindas do Estados Unidos (como rap, o rock, o soul, e a Miami bass \u2013 subg\u00eanero do eletro, conhecido por usar a batida continuada) e da nossa m\u00fasica popular brasileira.<\/p>\n<p>Foi a partir dessa mistura que surgiram novas batidas que logo deram origem \u00e0s festas, mais tarde chamadas de \u201cBailes Funk\u201d, que reuniam milhares de pessoas e se espalharam por todo o Pa\u00eds.<\/p>\n<p>*Trecho do livrorreportagem \u201cOstenta\u00e7\u00e3o \u2013 A Voz da Periferia\u201d, de autoria de Gabriela B\u00e1varo, Roberta Rossi e Thamara Marinho, apresentado como trabalho de conclus\u00e3o do curso de jornalismo da Universidade Metodista de S\u00e3o Paulo. Orienta\u00e7\u00e3o: Profa. Marli dos Santos. Tive a honra de participar da banca e fiz apenas duas ressalvas: o livro est\u00e1 \u00f3timo. As meninas apenas se esqueceram de citar a Chic Show, equipe de shows e bailes blacks que agitou S\u00e3o Paulo nas d\u00e9cadas de 70 e 80. Sei que \u00e9 uma lembran\u00e7a pessoal (adorava assistir aos shows de Benjor e Tim Maia que, vez ou outra, a Chic promovia no Gin\u00e1sio do Palmeiras), mas, acreditem, faz todo o sentido&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em cada comunidade do Rio de Janeiro existe um som que ecoa pelas vielas: o funk. 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