{"id":13273,"date":"2016-02-01T00:00:00","date_gmt":"2016-02-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:51:40","modified_gmt":"2017-09-15T18:51:40","slug":"jose-de-sa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/jose-de-sa\/","title":{"rendered":"Jos\u00e9 de S\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>&#8211; Je ne sais pas.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei por que cargas d\u2019\u00e1gua respondi em franc\u00eas a pergunta que o prof. Gino me fez , na aula do p\u00f3s, sobre o trecho de um livro que sequer eu havia lido. Talvez fosse resqu\u00edcio dos meus tempos de col\u00e9gio marista, onde o idioma do Santo Marcelino Champagnat, fundador da congrega\u00e7\u00e3o, era obrigat\u00f3rio em todo o gin\u00e1sio. Talvez fosse apenas um gracejo para as colegas de classe. Talvez fosse bobeira minha mesmo.<\/p>\n<p>Sei que ao final da aula, o Jos\u00e9 de S\u00e1, que assistia \u00e0quele conte\u00fado para cumprir os requisitos do doutorado, me procurou para papearmos em franc\u00eas. <\/p>\n<p>Conhecia o S\u00e1 apenas dos corredores da Universidade. D\u00e1vamos aula no curso de Jornalismo, mas ele l\u00e1 nos seu canto e eu no meu \u2013 \u00e9ramos novos no peda\u00e7o, e ainda tate\u00e1vamos o ambiente acad\u00eamico.<\/p>\n<p>Vou lhes dizer que foi um perereco faz\u00ea-lo entender que eu n\u00e3o falava nada de nada de franc\u00eas ou de qualquer outro idioma que n\u00e3o fosse o nosso aguerrido portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Tive que dizer isso justo para o S\u00e1, poliglota e um jovem doutorando, de terno e gravata (trabalhava no Minist\u00e9rio P\u00fablico) e todo cerimonioso no trato com as pessoas.<\/p>\n<p>Ele riu da minha bravata. <\/p>\n<p>A partir daquele dia nos tornamos amigos. Chegamos at\u00e9 a dividir alguns conte\u00fados em dupla no curso de Jornalismo. Era bem divertido ver a perplexidade dos jovens alunos diante da postura s\u00f3bria e professoral do S\u00e1 em contraste com a minha despachada performance em sala de aula.<\/p>\n<p>L\u00e1 se v\u00e3o quase 20 anos.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Soube ontem no fim da tarde que o amigo Jos\u00e9 de S\u00e1 nos deixou&#8230;<\/p>\n<p>Ao longo dos \u00faltimos anos, ele vinha enfrentando problemas de sa\u00fade e, desde o segundo semestre do ano passado, estava afastado da Universidade.<\/p>\n<p>Deveria voltar neste in\u00edcio de semestre. Mas, \u00e0 \u00faltima hora, soubemos que ele havia prorrogado sua licen\u00e7a. Os planos, no entanto, era de voltar assim que se restabelecesse plenamente.<\/p>\n<p>N\u00e3o deu.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>\u00c9 triste, muito triste, escrever sobre um companheiro que se vai&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 quando o buraco negro do ef\u00eamero se manifesta em sua plenitude.<\/p>\n<p>Palavras n\u00e3o preenchem esse doloroso vazio.<\/p>\n<p>Um naco de n\u00f3s tamb\u00e9m desaparece \u2013 ou se transforma em saudade e sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Pois \u00e9, amigo S\u00e1, je ne sais pas.<\/p>\n<p>Nada sei.<\/p>\n<p>Apenas que a vida \u00e9 assim e, tristemente, assim \u00e9 que \u00e9&#8230;<\/p>\n<p>(Meus sentimentos \u00e0 fam\u00edlia!)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8211; Je ne sais pas.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei por que cargas d\u2019\u00e1gua respondi em franc\u00eas a pergunta que o prof. 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