{"id":13283,"date":"2016-02-16T00:00:00","date_gmt":"2016-02-16T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T03:33:27","modified_gmt":"2017-09-14T03:33:27","slug":"a-lenda-das-amancays","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-lenda-das-amancays\/","title":{"rendered":"A lenda das amancays"},"content":{"rendered":"<p>Recolho essa lenda mapuche na minha estada em Pucon, no Chile, no in\u00edcio deste ano.<\/p>\n<p>\u00c9 sobre a origem de uma linda flor de p\u00e9talas amarelas, com bordas vermelhas, de nome Amancay.<\/p>\n<p>Aviso logo: \u00e9 uma hist\u00f3ria triste&#8230;<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>L\u00e1 no mais antigo dos anos, havia um casal de jovens mapuches que se amavam \u2013 e como se amavam!<\/p>\n<p>Na aldeia, todos saudavam a beleza daquele sentimento. Logo se faria o casamento dentro das tradi\u00e7\u00f5es daquele povo-guerreiro e livre que resistiu, \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias, a invas\u00e3o dos europeus \u2013 e, ao seu modo, ainda resiste pelo que pude ver em visitas a alguns pequenos n\u00facleos.<\/p>\n<p>Naqueles confins do Chile, entre lagos, vulc\u00f5es, caminhos sinuosos e campos recheados de flores multicoloridas, seriam felizes e preservariam a continuidade da ra\u00e7a.<\/p>\n<p>Um infausto acontecimento, por\u00e9m, mudou os planos e toldou aquele c\u00e9u azul antes mesmo que o inverno chegasse.<\/p>\n<p>O rapaz contraiu uma doen\u00e7a misteriosa, e passou a definhar dia a dia.<\/p>\n<p>Nem com toda a pajelan\u00e7a da aldeia, as ervas medicinais e as ora\u00e7\u00f5es \u2013 nada conseguia aplacar o mal que o acometia.<\/p>\n<p>Seu estado era desesperador.<\/p>\n<p>Foi quando, vindo do outro lado da cordilheira, surgiu um eremita com fama de curador que, ao chegar \u00e0 aldeia, foi logo consultado sobre como poderia ajudar o desenganado rapaz.<\/p>\n<p>O homem foi at\u00e9 o doente \u2013 e n\u00e3o demorou mais do que alguns minutos para dar o seu parecer.<\/p>\n<p>Todo esse sofrimento seria dizimado se o jovem guerreiro tomasse o ch\u00e1 feito com as folhas de uma linda flor amarela, natural daquela regi\u00e3o \u2013 o amancay.<\/p>\n<p>Mas, precisariam agir r\u00e1pido, pois o estado do rapaz era cr\u00edtico.<\/p>\n<p>S\u00f3 um detalhe: essas flores s\u00f3 nasciam no alto das mais altas montanhas, junto \u00e0s cachoeiras, e nem os mais ousados se aventurariam a enfrentar os perigos da escalada.<\/p>\n<p>A apaixonada noiva, no entanto, topou o desafio.<\/p>\n<p>O amor de ambos era maior que qualquer risco que pudesse enfrentar.<\/p>\n<p>E l\u00e1 se foi ela, pedra a pedra, escalando o rochedo, desviando da for\u00e7a da \u00e1gua, at\u00e9 que finalmente encontrou a flor.<\/p>\n<p>Esticou o bra\u00e7o para toc\u00e1-la &#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Por que quer arrancar deste lugar sagrado algo que n\u00e3o lhe pertence?<br \/>\nII.<br \/>\nA voz, vinda do alto da montanha, aterrorizou a mo\u00e7a, e congelou o gesto.<\/p>\n<p>Era um enorme condor, senhor de todos os c\u00e9us e picos naqueles parques, a lhe fazer a reprimenda em tom amea\u00e7ador.<\/p>\n<p>Mesmo assustada, a jovem n\u00e3o se fez de rogada. Contou, entre l\u00e1grimas, o drama que lhe afligia e motivo de tamanho arroubo.<\/p>\n<p>Precisava daquela planta para salvar a vida do homem que amava.<\/p>\n<p>&#8211; Mas, ent\u00e3o, em nome dos meus dom\u00ednios, sou obrigado a lhe propor uma troca \u2013 disse o condor.<\/p>\n<p>E continuou, fascinado pela beleza da mo\u00e7a e enraivecido de ci\u00fames:<\/p>\n<p>&#8211; Se voc\u00ea retirar a flor do seu lugar, ter\u00e1 que deixar aqui o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A jovem mapuche n\u00e3o vacilou. Arrancou a flor com uma das m\u00e3os no mesmo instante em que as garras do condor lhe arrancava o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi inapel\u00e1vel a queda da jovem e \u00e1guas cristalinas daquele rio ficaram manchadas pelo sangue daquele v\u00e3o sacrif\u00edcio.<\/p>\n<p>Antes que a triste not\u00edcia chegasse ao lugarejo, o rapaz tamb\u00e9m morreu.<\/p>\n<p>Todos na aldeia ficaram desolados com as perdas<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Quando raiou a primavera, os \u00edndios mapuches tiveram uma surpresa, quase uma recompensa. Pelos campos, nos arredores das margens do rio, surgiram centenas e centenas de amancays. Lindas, vi\u00e7osas&#8230;<\/p>\n<p>Espalharam-se desde ent\u00e3o naquele rinc\u00e3o ao alcance de todos \u2013 e n\u00e3o mais unicamente em pontos distantes, no alto das cachoeiras.<\/p>\n<p>Logo os mapuches reparam que as vibrantes p\u00e9talas amarelas, agora exibiam got\u00edculas e filetes nas bordas em tons gren\u00e1s. Todos entenderam que tal fen\u00f4meno foi uma forma da M\u00e3e-Natureza eternizar o amor dos jovens mapuches que, de alguma forma, permanece vivo naquele lindo canto do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recolho essa lenda mapuche na minha estada em Pucon, no Chile, no in\u00edcio deste ano.<\/p>\n<p>\u00c9 sobre a origem de uma linda flor de p\u00e9talas amarelas, com bordas vermelhas,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-13283","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-parangoles"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13283","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13283"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13283\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13902,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13283\/revisions\/13902"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13283"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13283"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13283"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}