{"id":13297,"date":"2016-03-01T00:00:00","date_gmt":"2016-03-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:51:36","modified_gmt":"2017-09-15T18:51:36","slug":"seguindo-em-frente","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/seguindo-em-frente\/","title":{"rendered":"Seguindo em frente&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Bem vindos a mar\u00e7o!<\/p>\n<p>Corro os olhos ao redor. <\/p>\n<p>A manh\u00e3 est\u00e1 nublada, cai uma chuva fina que, por vezes, parece at\u00e9 sem for\u00e7a para chegar ao solo. <\/p>\n<p>Apuro os ouvidos e o sil\u00eancio de todos real\u00e7a o desconsolo que se abate sobre a alma brasileira neste 2016.<\/p>\n<p>Andamos carentes de boas novas.<\/p>\n<p>E, como j\u00e1 lhes disse dias atr\u00e1s, eu desisti do notici\u00e1rio do dia e fa\u00e7o do Blog uma esp\u00e9cie de ilha da fantasia.<\/p>\n<p>H\u00e1 um samba antigo que diz:<\/p>\n<p>\u201cO importante \u00e9 que a emo\u00e7\u00e3o sobreviva\u201d.<\/p>\n<p>Valeu para os tempos ditatoriais (quando a can\u00e7\u00e3o de Eduardo Gudim foi lan\u00e7ada). <\/p>\n<p>Vale, creio eu, para os dias atuais quando grassa outra forma de malajambrada ditadura: a da intoler\u00e2ncia e do \u00f3dio.<\/p>\n<p>Para mudar o tom da conversa, tomo a liberdade de citar o grande Rubem Braga. <\/p>\n<p>Certa feita, ele foi convidado por uma \u201crevista mais ou menos fr\u00edvola\u201d a elencar as dez coisas pelas quais vale a pena viver.<\/p>\n<p>Sem pensar muito \u2013 ele pr\u00f3prio reconheceu -, o cronista capixaba fez a seguinte rela\u00e7\u00e3o e a divulgou na cr\u00f4nica &quot;As Coisas Boas da Vida&quot;:<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>&#8211; Esbarrar \u00e0s vezes com certas comidas da inf\u00e2ncia, por exemplo: aipim cozido, ainda quente, com melado de cana que vem numa garrafa cuja rolha \u00e9 um sabugo de milho. O sabugo dar\u00e1 certo gosto ao melado? D\u00e1: gosto de inf\u00e2ncia, de tarde na fazenda.<\/p>\n<p>&#8211; Tomar um banho excelente num bom hotel, vestir uma roupa confort\u00e1vel e sair pela primeira vez pelas ruas de uma cidade estranha, achando que ali v\u00e3o acontecer coisas surpreendentes e lindas. E acontecerem.<\/p>\n<p>&#8211; Quando voc\u00ea vai andando por um lugar e h\u00e1 um bate-bola, sentir que a bola vem para o seu lado e, de repente, dar um chute perfeito \u2013 e ser aplaudido pelos serventes de pedreiro.<\/p>\n<p>&#8211; Ler pela primeira vez um poema realmente bom. Ou um peda\u00e7o de prosa, daqueles que d\u00e3o inveja na gente e vontade de reler.<\/p>\n<p>&#8211; Aquele momento em que voc\u00ea sente que de um velho amor ficou uma grande amizade \u2013 ou que uma grande amizade est\u00e1 virando, de repente, amor.<\/p>\n<p>&#8211; Sentir que voc\u00ea deixou de gostar de uma mulher que, afinal, para voc\u00ea, era apenas afli\u00e7\u00e3o de esp\u00edrito e frustra\u00e7\u00e3o da carne \u2013 a mulher que n\u00e3o te deu e n\u00e3o te d\u00e1, essa amaldi\u00e7oada.<\/p>\n<p>&#8211; Viajar, partir\u2026<\/p>\n<p>&#8211; Voltar.<\/p>\n<p>&#8211; Quando se vive na Europa, voltar para Paris, quando se vive no Brasil, voltar para o Rio.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Falta um item, perguntar\u00e1 o atento leitor.<\/p>\n<p>Fala da morte, o tal descanso eterno, como das nossas conquistas.<\/p>\n<p>Dispenso.<\/p>\n<p>Fiquemos apenas com as noves indica\u00e7\u00f5es. Est\u00e3o de bom tamanho. Se o amigo quiser trocar Paris por Roma ou Madri e Rio de Janeiro por S\u00e3o Paulo ou outra cidade qualquer fique \u00e0 vontade&#8230; <\/p>\n<p>Importante \u00e9 seguir em frente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bem vindos a mar\u00e7o!<\/p>\n<p>Corro os olhos ao redor. <\/p>\n<p>A manh\u00e3 est\u00e1 nublada, cai uma chuva fina que, por vezes, parece at\u00e9 sem for\u00e7a para chegar ao solo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13297","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13297","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13297"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13297\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14749,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13297\/revisions\/14749"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13297"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13297"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13297"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}