{"id":13311,"date":"2016-03-12T00:00:00","date_gmt":"2016-03-12T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:48:29","modified_gmt":"2017-09-15T18:48:29","slug":"para-lembrar-o-amigo-jose-de-sa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/para-lembrar-o-amigo-jose-de-sa\/","title":{"rendered":"Para lembrar o amigo Jos\u00e9 de S\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>Meus caros,<\/p>\n<p>\u00c9 sempre muito honroso participar de uma cerim\u00f4nia de cola\u00e7\u00e3o de grau. Um momento inesquec\u00edvel na vida de cada um de voc\u00eas, de cada um de seus familiares.<\/p>\n<p>Portanto, estou muito feliz de estar hoje aqui.<\/p>\n<p>Quero, de in\u00edcio, desejar que voc\u00eas sejam extraordinariamente felizes, vida afora, tanto na profiss\u00e3o que abra\u00e7aram, o jornalismo, quanto na vida pessoal e familiar.<\/p>\n<p>Sejam felizes \u2013 e fa\u00e7am feliz a quem estiver ao seu redor.<\/p>\n<p>Um sorriso pode mudar o mundo.<\/p>\n<p>Mas, embora saiba que o momento \u00e9 de festa, permitam-me ocupar esta tribuna para reverenciar a mem\u00f3ria do amigo Jos\u00e9 de S\u00e1, professor desta Casa, que se foi ainda no in\u00edcio deste ano, \u201cfora do combinado\u201d, como diz o Sr. Brasil, Rolando Boldrin.<\/p>\n<p>O S\u00e1 era um jornalista como n\u00f3s, um professor e homem absolutamente comprometido com a quest\u00e3o da cidadania.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Conheci o Jos\u00e9 de S\u00e1 em uma aula da p\u00f3s. Eu fazia mestrado e ele, bem mais novo, j\u00e1 fazia doutorado. T\u00ednhamos um  professor franc\u00eas, Jacques Villeron, que nos prop\u00f4s uma provoca\u00e7\u00e3o \u2013 e ningu\u00e9m ali soube responder.<\/p>\n<p>Quando o professor apontou para mim, fui objetivo:<\/p>\n<p>&#8211; Je ne sais pas.<\/p>\n<p>Todos riram, eu me livrei da bucha e aula prosseguiu. Ao fim dela, descemos para um caf\u00e9 na cantina \u2013 e l\u00e1 vem o S\u00e1, que eu mal e mal cumprimentava, falando em franc\u00eas comigo.<\/p>\n<p>E eu n\u00e3o sabia bulhufas de franc\u00eas, ali\u00e1s n\u00e3o sei nada de nada.<\/p>\n<p>Desfeito o mal entendido, ficamos amigo, chegamos a dar aula juntos, tanto em Cr\u00edtica da M\u00eddia quando em Linguagem Jornal\u00edstica, e assim pude conhecer melhor &quot;o pequeno-grande-homem&quot;.<\/p>\n<p>Vindo de uma fam\u00edlia humilde, o S\u00e1 s\u00f3 foi se alfabetizar j\u00e1 adolescente. O que n\u00e3o o impediu de fazer uma trajet\u00f3ria acad\u00eamica mete\u00f3rica. Estudou jornalismo na PUC e, com poucos mais de 30 anos, j\u00e1 defendia sua tese de mestrado. Al\u00e9m do que, nesse per\u00edodo, j\u00e1 dava aulas na Metodista e era assessor de imprensa do Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Era poliglota. Falava cinco idioma.<\/p>\n<p>Vejam aonde eu fui meter minha colher de pau&#8230;<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Certa vez, por ocasi\u00e3o de um final de ano letivo, alguns professores \u2013 entre os quais, eu e o S\u00e1 \u2013 reuniram uma turma de estudantes estagi\u00e1rios da Ag\u00eancia de Not\u00edcia do curso para celebrarmos, em um restaurante granfino de S\u00e3o Paulo, para uma confraterniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O S\u00e1, voc\u00eas lembram bem, era todo cerimonioso, nos trinques, dentro da maior formalidade. Mas, nesta noite, ele estava imposs\u00edvel. Durante os comes e bebes \u2013 mais bebes que comes, diga-se -, o homem incorporou um orador daqueles bem inflamados e se p\u00f4s a discursar.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei como, nem quem come\u00e7ou. Mas, a certa altura, estava o restaurante inteiro a bradar empolgado o refr\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; S\u00e1, S\u00e1, S\u00e1, S\u00e1&#8230;<br \/>\n&#8211; S\u00e1, S\u00e1, S\u00e1, S\u00e1&#8230; <\/p>\n<p>Lembro que foi uma algazarra s\u00f3 e a celebra\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o sabemos bem o qu\u00ea \u2013 foi generalizada.<\/p>\n<p>A partir desse dia, o amigo foi contemplado com o ep\u00edteto:<\/p>\n<p>\u201cJos\u00e9 de S\u00e1. O homem, a lenda, o mito\u201d.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Esse foi o nosso amigo e professor JS que deixou uma grande saudade em todos n\u00f3s. Ali\u00e1s, um dia todos nos chamaremos saudades. (Salve N\u00e9lson Cavaquinho!)<\/p>\n<p>Mas hoje somos vida e luta!<\/p>\n<p>N\u00e3o exagero ao dizer que hoje voc\u00eas expressam os sonhos e anseios do Jos\u00e9 de S\u00e1 e tamb\u00e9m de cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>O bast\u00e3o agora est\u00e1 nas m\u00e3os de voc\u00eas.<\/p>\n<p>Que, durante a jornada, saibam professar os leg\u00edtimos pilares do jornalismo: o respeito \u00e0 verdade factual, \u00e0 fun\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e \u00e0 independ\u00eancia fiscalizadora.<\/p>\n<p>Que, a partir desses conceitos, promovam um Brasil verdadeiramente de todos os brasileiros. Vivemos um tempo de nuvens carregadas, divisionistas; um tempo de intoler\u00e2ncia que aponta tristemente para o retrocesso.<\/p>\n<p>O jornalismo \u00e9 tamb\u00e9m e principalmente uma miss\u00e3o em prol do bem comum. Bem comum que passa, obrigatoriamente, pela preserva\u00e7\u00e3o dos valores democr\u00e1ticos e cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Isto posto, pe\u00e7o que voc\u00eas n\u00e3o se esque\u00e7am de viver e se fazerem felizes, Que n\u00e3o se esque\u00e7am de, ao longo do caminho de semear flores e amores&#8230;<\/p>\n<p>Que a vida \u00e9 uma s\u00f3.<\/p>\n<p>Sejam felizes, repito.<\/p>\n<p>E parab\u00e9ns!<\/p>\n<p>*Pronunciamento que fiz ontem durante a cerimonia de cola\u00e7\u00e3o de grau do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de S\u00e3o Paulo, turma \u201cElo\u00edza Oliveira\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meus caros,<\/p>\n<p>\u00c9 sempre muito honroso participar de uma cerim\u00f4nia de cola\u00e7\u00e3o de grau. 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